Mundo ficciónIniciar sesiónEmma Moretti e Lucas Bennett se casam por um acordo entre famílias poderosas, sem amor, intimidade ou expectativas. Enquanto Emma tenta manter uma convivência respeitosa, Lucas se mostra distante e despreocupado. Mas a rotina forçada, os atritos e as perdas pessoais começam a revelar sentimentos inesperados. Entre tensão, ciúmes e desejo, os dois descobrem que manter a indiferença pode ser mais difícil do que parece.
Leer másO beijo ainda pairava entre eles como fumaça densa — impossível de ignorar, mas também impossível de agarrar. Emma acordou naquela manhã com a sensação de que algo essencial havia se deslocado entre eles. O apartamento estava em silêncio, mas diferente do silêncio habitual: havia uma certa expectativa suspensa no ar, como se as paredes aguardassem que alguém dissesse a primeira palavra.Lucas estava na cozinha, servindo café para si mesmo, quando ela apareceu usando um robe claro e os cabelos presos de forma improvisada. Seus olhos se encontraram rapidamente, e foi como se um pequeno abalo sísmico os sacudisse por dentro.— Bom dia — ela disse, firme, mas com a voz um pouco mais suave do que pretendia.— Bom dia — ele respondeu, oferecendo uma caneca de café como trégua.Sentaram-se à mesa. O som das colheres mexendo o açúcar foi mais alto do que deveria. Emma notava como Lucas parecia... presente. Mais do que de costume. Seus olhos não fugiam para o celular, sua postura não era de fu
Lucas acordou antes do despertador naquela manhã. O quarto estava escuro, as janelas ainda fechadas, e o som do Tâmisa ao longe parecia o único sinal de vida fora daquela bolha silenciosa. Virou-se na cama e viu Emma dormindo de lado, o rosto parcialmente coberto pelos cabelos castanhos, a respiração tranquila. Havia algo profundamente injusto naquela paz. Algo que ele não sabia nomear — talvez culpa.Desde a briga dois dias atrás, o silêncio entre eles era espesso. Mas não hostil. Era como se ambos estivessem evitando reacender a fogueira. Emma seguia sua rotina com eficiência militar. Chegava tarde, com o perfume da rua e da batalha. Lucas observava à distância, perguntando-se por que ela parecia estar conseguindo levar aquilo com tanta compostura enquanto ele se sentia um furacão contido.Ele não a amava. Isso era um fato. Mas a imagem dela sentada sozinha no sofá, lendo relatórios e tomando chá, o incomodava mais do que deveria. Ela não cobrava carinho, nem presença constante. Só
Os dias que se seguiram ao jantar foram estranhamente silenciosos, como se um novo pacto silencioso houvesse sido firmado entre Emma e Lucas. Ele passou a dormir em casa com mais frequência, mas mantinha a mesma distância emocional — cortês, pontual, superficial. Emma, por sua vez, decidiu parar de tentar. Cumpria sua parte como esposa pública e mantinha intacta a compostura nos ambientes sociais e corporativos, mas não cedia um milímetro sequer em sua dignidade privada.Na prática, pareciam dois executivos dividindo uma cobertura e uma agenda social. As manhãs eram breves, com “bom dia” trocados entre goles de café. As noites, silenciosas. Emma ocupava o quarto principal, Lucas alternava entre o quarto de hóspedes e o escritório. Nada mais foi dito sobre o jantar interrompido — nem pedidos de desculpas, nem promessas. Apenas a indiferença confortável que já se tornara rotina.Foi em meio a essa calma tensa que surgiu o primeiro convite oficial para o casal: uma gala beneficente da Fu
O silêncio voltou a ser a trilha sonora da nova rotina de Emma e Lucas. Após o jantar, a ausência de diálogo tornou-se ainda mais evidente, como se a tentativa frustrada de aproximação tivesse colocado entre eles uma camada extra de vidro — invisível, mas intransponível. Durante os dias que se passaram, eles viveram sob o mesmo teto como sombras que se evitavam.Lucas saía cedo, voltava tarde, e mesmo quando estava no apartamento, mantinha-se recluso em seu escritório. Emma fingia não notar. Ela também mergulhava no trabalho com ainda mais afinco, decidida a manter sua promessa pessoal de que não seria arrastada para o limbo da decepção. Ele não queria conviver? Ótimo. Ela lidaria com ele como lidava com qualquer sócio difícil: com frieza estratégica.Em uma tarde, enquanto finalizava a prova de tecidos no ateliê central da Moretti Fashion, Emma recebeu uma mensagem de Daniella:“Podemos tomar um café hoje à tarde? Preciso conversar.”Emma leu a mensagem duas vezes. Daniella raramente
Último capítulo