Mundo de ficçãoIniciar sessãoTiffany vê sua vida desmoronar após a falência da empresa da família, dívidas acumuladas e a doença da mãe. Pressionada pelos parentes, ela se vê diante de uma proposta humilhante para salvar os seus: casar-se com Noah Lancaster, um bilionário frio e calculista que enxerga os sentimentos como uma fraqueza. Noah precisa de um casamento estratégico para assumir o império de sua família e cumprir uma exigência do testamento de seu avô. Inteligente e desesperada, Tiffany é a candidata ideal para um contrato simples: um ano de casamento de aparências, sem qualquer envolvimento emocional e com caminhos opostos ao final. No entanto, a convivência forçada sob o mesmo teto derruba as máscaras de ambos. Por trás da arrogância de Noah, escondem-se traumas de abandono e culpa; por trás da força de Tiffany, há o cansaço de sacrificar os próprios sonhos. Entre jantares luxuosos, segredos familiares e uma atração irresistível, o acordo começa a desmoronar. Quando inimigos do passado ameaçam os Lancaster, Tiffany percebe que está se apaixonando pelo homem que prometeu nunca amar. Agora, ela precisa decidir se vale a pena lutar por um amor que nasceu de um contrato ou se esse sentimento está destinado a expirar com a validade da assinatura.
Ler maisA chuva caía pesada sobre Manhattan naquela noite, transformando as avenidas em rios de luzes distorcidas e reflexos trêmulos. Dentro do luxuoso salão do Hotel Beaumont, porém, nada parecia pertencer ao mundo real. O mármore brilhava sob lustres dourados, taças tilintavam discretamente e homens milionários sorriam uns para os outros como se negócios fossem apenas outra forma sofisticada de guerra.
Tiffany Rossi odiava aquele lugar.
O vestido preto que usava não era dela. Os saltos machucavam seus pés. E o sorriso educado preso em seu rosto começava a doer mais do que qualquer outra coisa naquela noite.
Ela ajustou discretamente a pulseira simples no pulso, a única coisa que ainda parecia de verdade em meio àquele ambiente sufocante. Estava ali apenas porque Sophia insistira. Um evento beneficente, contatos importantes, talvez alguma oportunidade de trabalho. Era o que a amiga dizia.
Na realidade, Tiffany só conseguia pensar nas contas acumuladas sobre a mesa da cozinha, nos remédios da mãe e na ligação ignorada do banco naquela manhã.
Ela não pertencia àquele mundo.
— Você está com cara de quem quer incendiar o salão — Sophia murmurou ao lado dela, segurando uma taça de champanhe.
— Estou considerando.
Sophia riu, mas Tiffany não.
Seu olhar vagou pelo ambiente até parar involuntariamente em um homem cercado por executivos próximos ao bar principal. Alto, impecavelmente vestido e perigosamente calmo.
Havia algo perturbador na forma como ele ocupava espaço sem precisar fazer esforço. As pessoas pareciam se mover ao redor dele com cuidado quase instintivo.
Noah Lancaster.
Ela o reconheceu imediatamente, todo mundo reconhecia.
O homem estampava revistas de negócios como um símbolo moderno de poder absoluto. Jovem demais para comandar um império daquele tamanho. Frio demais para parecer humano nas entrevistas.
O Homem de Gelo.
Tiffany desviou o olhar no mesmo instante. Homens como aquele costumavam destruir tudo ao redor sem sequer perceber.
— Não olha agora — Sophia comentou, divertida —, mas parece que o CEO bilionário acabou de notar você.
— Ótimo. Mais um problema financeiro impossível de alcançar.
Sophia soltou uma risada baixa, mas Tiffany já sentia o desconforto subir lentamente pela nuca porque ele realmente estava olhando. E não era um olhar casual, Noah a observava como se tentasse decifrar algo irritante.
Aquilo a incomodou imediatamente.
Do outro lado do salão, Noah sustentou o olhar por alguns segundos antes de desviar a atenção para o homem que falava ao seu lado sobre ações internacionais. Não ouviu uma palavra sequer.
A mulher perto das janelas parecia deslocada naquele ambiente sofisticado, e talvez fosse exatamente por isso que ela chamara a sua atenção. Ela não sorria da maneira artificial que todos ali sorriam, não parecia impressionada e nem interessada.
Parecia... irritada. E Noah estava acostumado a ser desejado, bajulado ou temido. Nunca ignorado.
— Lancaster? — o diretor financeiro chamou outra vez.
Noah voltou à realidade com expressão impaciente.
— Resolva isso amanhã.
Sem esperar resposta, caminhou até o bar. Pegou um copo de uísque e tentou ignorar a estranha sensação de inquietação crescendo em seu peito.
Sentimentos eram inconvenientes.
Curiosidade era inconveniente.
Ele havia passado anos aprendendo a eliminar qualquer distração emocional da própria vida. Então por que continuava olhando para ela?
Tiffany percebeu sua aproximação antes mesmo de vê-lo parar ao seu lado. O perfume amadeirado foi o primeiro aviso. O silêncio ao redor, o segundo.
Ela ergueu os olhos lentamente.
De perto, Noah Lancaster parecia ainda mais inacessível. Os olhos cinzentos carregavam uma frieza quase ofensiva, como se estivesse constantemente avaliando o valor das pessoas ao redor.
Ela instantaneamente o detestou.
— Senhorita Rossi — ele disse, em tom baixo e controlado.
Tiffany franziu a testa.
— Nós nos conhecemos?
— Não oficialmente.
A resposta foi suficiente para piorar sua irritação.
— Então você tem vantagem na conversa. O que é um pouco invasivo.
Por um breve segundo, algo próximo de surpresa atravessou o rosto dele. As pessoas normalmente tentavam agradá-lo, e ela parecia pronta para expulsá-lo dali.
— Seu pai trabalhou com uma empresa associada à Lancaster Capital há alguns anos — Noah explicou.
O estômago de Tiffany se contraiu imediatamente.
Claro, sempre acabava voltando para aquilo. As dívidas, a falência, a vergonha.
Ela cruzou os braços numa tentativa automática de defesa.
— Se veio cobrar alguma coisa, já existem advogados suficientes fazendo isso.
Noah percebeu a mudança instantânea em sua postura. A rigidez. O orgulho ferido escondido atrás da ironia.
Interessante.
— Não estou interessado nas dívidas da sua família.
— Então devia aprender a não abordar estranhas mencionando os problemas financeiros delas.
A resposta veio afiada.
Direta.
Quase insolente.
E, estranhamente, Noah sentiu vontade de sorrir.
Mas não sorriu.
— Você sempre reage assim quando alguém tenta conversar?
— Só quando a pessoa se apresenta como uma ameaça corporativa em forma humana.
Agora foi impossível esconder completamente a reação. Um leve movimento no canto da boca, pequeno demais para ser chamado de sorriso.
Tiffany percebeu e aquilo a irritou ainda mais. Havia arrogância nele. Não a arrogância barulhenta dos homens ricos que precisavam provar poder, mas algo pior. A arrogância silenciosa de quem tinha certeza de que o mundo acabaria cedendo. Ela odiava aquele tipo de homem.
Noah apoiou o copo no balcão.
— Você parece desconfortável aqui.
— E você parece confortável demais.
Os olhos dele escureceram minimamente. Pela primeira vez em muito tempo, alguém o atingia sem sequer tentar. Aquilo deveria irritá-lo. Em vez disso, despertava interesse. O problema era que interesse nunca vinha sozinho, e Noah Lancaster havia aprendido da pior forma possível que tudo aquilo que despertava emoção acabava se tornando fraqueza.
— Foi um prazer conhecê-la, senhorita Rossi.
A formalidade da despedida soou quase fria demais, como uma porta sendo fechada.
Tiffany sustentou o olhar dele sem recuar.
— Duvido disso.
Por um instante, o salão inteiro pareceu desaparecer ao redor dos dois. A tensão ficou suspensa entre eles... desconfortável, elétrica, inexplicável. E então Noah se afastou, sem olhar para trás.
Tiffany soltou o ar lentamente apenas quando ele desapareceu entre os convidados, seu coração estava acelerado, e isso a irritava profundamente.
Porque homens como Noah Lancaster representavam exatamente tudo que ela desprezava:
controle, poder, frieza, e a capacidade cruel de transformar pessoas em peças úteis. Ela prometeu a si mesma nunca mais cruzar o caminho dele.Do outro lado do salão, Noah observou discretamente o reflexo dela no vidro das janelas. E pela primeira vez em anos, teve a sensação incômoda de que aquele encontro insignificante mudaria alguma coisa.
Talvez tudo.
Na manhã seguinte, Tiffany descobriu que a Mansão Lancaster acordava antes do sol. Quando ela saiu do quarto pouco depois das seis, encontrou funcionários circulando silenciosamente pelos corredores, organizando flores, preparando cafés e ajustando detalhes invisíveis para uma rotina que parecia militar. Aquilo era sufocante.Ela desceu as escadas lentamente até encontrar Noah sentado na sala principal lendo relatórios financeiros enquanto tomava café preto. Nem mesmo pela manhã ele parecia relaxado, esse homem realmente dormia vestido de controle emocional.— Você sabe que pessoas normais assistem televisão ou odeiam a própria vida em silêncio quando acordam cedo, certo? — ela comentou ao aproximar-se.Noah sequer levantou os olhos imediatamente.— Pessoas normais não administram empresas internacionais.— Que resposta motivacional assustadora.Agora ele ergueu o olhar. E, pela primeira vez desde que começaram aquela convivência absurda, ela percebeu algo curioso: Noah parecia menos
A Mansão Lancaster parecia bonita demais para ser real, e talvez fosse exatamente esse o problema.Enquanto o carro atravessava lentamente os portões de ferro escuro, Tiffany observava a propriedade pela janela com uma sensação crescente de desconforto. Os jardins perfeitamente alinhados, as fontes iluminadas e a arquitetura imponente lembravam algo saído de revistas luxuosas, belas o suficiente para impressionar qualquer pessoa. Mas não ela, porque tudo ali parecia silencioso demais.Controlado demais, frio demais.O motorista estacionou diante da entrada principal, e antes mesmo que Tiffany pudesse abrir a porta, funcionários já estavam posicionados para recebê-la. Aquilo a fez sentir como uma visitante dentro da própria vida. Ela saiu do carro segurando a bolsa com força enquanto observava os degraus enormes que levavam à entrada da mansão, uma prisão dourada. A definição surgiu instantaneamente em sua mente.As portas se abriram antes que pudesse tocar nelas, e Noah estava esperan
O escritório de Noah Lancaster parecia ainda mais frio à noite.As luzes da cidade brilhavam além das paredes de vidro, transformando Manhattan em um mar distante de ouro e sombras, mas nada naquele lugar transmitia calor. Nem os móveis impecáveis. Nem o silêncio sofisticado. Nem o homem parado diante da janela, observando a chuva cair sobre a cidade como se pertencesse a outro mundo.Tiffany parou na entrada por alguns segundos antes de fechar a porta atrás de si.Dessa vez, não havia recepcionistas.Nem advogados.Nem distrações.Apenas os dois.Noah virou-se lentamente ao perceber sua presença. O terno escuro perfeitamente alinhado, a expressão controlada e os olhos cinzentos imediatamente fixos nela criavam a sensação desconfortável de estar entrando em território perigoso. Ela odiava o efeito que ele causava no ambiente, ainda mais em si mesma.— Senhorita Rossi — ele a cumprimentou em tom calmo.— Você sempre fala como se estivesse iniciando uma reunião corporativa?— Geralmente
O jantar na mansão Lancaster parecia menos um encontro familiar e mais uma reunião diplomática entre inimigos prestes a iniciar uma guerra. A mesa comprida de madeira escura comportava pessoas demais e calor humano de menos.Noah permaneceu em silêncio enquanto empregados serviam vinho e pratos sofisticados com precisão quase mecânica. O ambiente inteiro era elegante em excesso, cuidadosamente perfeito, exatamente como Arthur Lancaster gostava.Seu pai estava sentado na cabeceira da mesa, imponente como sempre. O cabelo grisalho impecavelmente alinhado, o relógio caro brilhando discretamente no pulso e a postura de alguém acostumado a controlar tudo ao redor apenas com a própria presença.— Ouvi dizer que finalmente resolveu lidar com o testamento do seu avô — Arthur comentou casualmente enquanto cortava a carne.Noah sequer ergueu os olhos.— Damian fala demais.— Damian é inteligente o suficiente para entender o impacto que isso teria na empresa se você falhasse.Claro, sempre volta










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