Mundo de ficçãoIniciar sessãoMaitê Ferreira cresceu entre becos, tiros e segredos que ninguém ousava mencionar. Filha do temido líder do Complexo do Alemão — ou pelo menos é isso que todos acreditam — ela sempre soube que havia algo errado na forma como era tratada. Após a morte brutal do irmão gêmeo durante uma operação policial, ela deixou tudo para trás… mas o morro nunca esquece os seus. Quatro anos depois, ela retorna com feridas que ainda sangram e um passado que insiste em assombrá-la. O que Maitê não esperava era descobrir que sua verdadeira origem é muito mais perigosa do que imaginava. Filha de um assassino lendário do Comando e sobrinha do próprio homem que a criou como inimiga, Maitê se vê no centro de uma guerra não apenas de poder, mas de identidade. Enquanto busca justiça e tenta reconstruir quem é de verdade, ela precisa lidar com traições, alianças inesperadas e um amor que surge em meio ao caos — tudo isso enquanto descobre que, no morro, a verdade tem um preço… e, às vezes, pode matar.
Ler maisNarrado por Maitê Acordar no hospital é uma sensação estranha. Eu sabia que estava em segurança, mas o corpo me traía com a sensação de fraqueza e a cabeça ainda embotada pela sedação. Quando abro os olhos, vejo Lúcifer e Bruna ao meu lado. Eles estão lá, como sempre, mas algo no olhar deles me diz que a batalha não acabou.— Maitê, meu amor — Lúcifer diz, a voz embargada, mas cheia de uma ternura que me faz esquecer por um momento o quanto meu corpo dói.Tento sorrir, mas a fraqueza me impede. Ele segura minha mão com cuidado, como se temesse me machucar.— Você está bem? — Ele pergunta, e a preocupação é evidente em cada palavra. Eu sabia que ele estava enfrentando um tormento, assim como eu, mas agora ele precisa de mim mais do que nunca. E eu preciso dele, mais do que posso explicar.Olho para Bruna, que está ao meu lado, os olhos ainda marejados, mas agora com uma leve expressão de alívio. Ela me observa com uma calma que, em tempos normais, eu diria que é artificial, mas que ag
Narrado por Lúcifer As palavras da doutora ecoam em minha cabeça, e, naquele momento, nenhum homem conseguiria resistir. Eu caio no chão com as mãos na cabeça.— Por que, meu Deus? Por que tanto sofrimento? Dê-me uma luz! Minha mulher precisa sobreviver; ela tem sonhos para realizar, precisa conhecer nosso filho, pai. Ela está estável agora e não pode piorar. — Desabei no chão do hospital.Bruna, melhor amiga de Maitê, está ao meu lado o tempo todo, seus olhos marejados refletindo a angústia pela vida da amiga e do meu filho. Ela matou a mulher que ameaçou a vida deles, mas sua dor é silenciosa, ela ainda sente as cicatrizes de tudo que aconteceu.O choro, que por tanto tempo ficou preso, agora sai rasgando por onde passa. O medo, a dor, tudo mexe comigo; minha cabeça dói de tanto pensar.Uma enfermeira se aproxima, com uma expressão de compaixão.— Senhor? Vocês são os parentes de Maitê? — Ela pergunta, sua voz suave e calma.— Sim, somos nós. — Bruna responde por mim, a voz carrega
Narrado por Lúcifer e doutora A porta cinza e gélida do local se abre, e lá está ele. Ele atravessa as portas e vem até mim, seu semblante preocupado, seus olhos vermelhos e inchados revelando sua vulnerabilidade.Nunca imaginei vê-lo assim. À medida que ele se aproxima e explica o ocorrido, consigo sentir a verdade em suas palavras. Mesmo sem ter certeza, pela primeira vez na vida, seus olhos transmitem sinceridade.Enquanto nossos olhares e corações se entrelaçam na dança da escuridão, as vozes dos médicos ecoam.— Vamos ter que fazer uma cesariana de emergência!— Rápido, o líquido amniótico está saindo!— A pressão do bebê começou a cair!Eu ouço tudo, mas é como se eu não estivesse presente. Eles me levantam com cuidado, deixando-me sentada, enquanto Felipe permanece ao meu lado, me dando apoio. Sentindo o toque firme da anestesia na minha lombar, uma intensa dor e queimação me atravessam.O mundo ao meu redor parecia desfocado, como se estivesse observando tudo de longe, atravé
Narrado por Lúcifer A ida até o hospital, junto com Bruna, é em total silêncio. O medo percorre todo o meu corpo; acho que nunca tive tanto medo em minha vida.Sei que fui um filho da mãe com Maitê, mas pensar em viver em um mundo onde ela não exista não teria sentido. E pior ainda se eu perder meu filho. Esses meses separados nos fizeram nos aproximar mais do que nunca, e isso tem sido bom para nós.Saber que uma mentira daquela vagabunda, por um descuido meu com meu telefone, causou algo nela ou em nosso filho me deixa sem forças. Eu não sei o que será de mim se algo acontecer com eles.A enfermeira vem até nós correndo e me pede para segui-la pelos corredores. Eu corro em sua direção como se minha vida dependesse disso.Entro em uma sala onde a enfermeira me entrega uma roupa para entrar na sala cirúrgica. Visto a roupa o mais rápido que posso.Uma touca de pano é colocada em minha cabeça enquanto lavo minhas mãos e entro na sala.O choque me toma por completo. Maitê está deitada
Último capítulo