Casamento por contrato com o Bilionário

Casamento por contrato com o BilionárioPT

Romance
Última actualización: 2026-03-07
Marcos de Souza  Recién actualizado
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Resumen
Índice

Rafaela nunca acreditou em contos de fadas. Criada na favela do Rio de Janeiro, com muito esforço e determinação, ela construiu seus próprios sonhos enquanto cursava Administração na Unicesumar, equilibrando estudos, trabalho e uma personalidade bem-humorada que escondia a dureza da vida que enfrentou. Independente, inteligente e orgulhosa, ela jamais imaginou que seu destino cruzaria com o homem mais temido e cobiçado da alta sociedade carioca. Caíque é arrogante, frio e dominador. Um bilionário implacável que carrega o peso do império da família nos ombros. Após a morte do pai, descobre que só poderá assumir definitivamente a herança — e salvar a própria empresa — se estiver casado. Sem tempo para romance e incapaz de amar, ele precisa apenas de um nome ao seu lado no altar. Nada além disso. E então surge Rafaela. A secretária desastrada, de origem humilde, mas mente afiada e língua afiada na mesma proporção. Perfeita para um acordo. Perfeita para um contrato. O que Caíque não esperava era que Rafaela não fosse o tipo de mulher que aceita migalhas. Se o casamento seria sem amor, ela exigiria sua parte: 30% da herança. Ele, irritado, reduz para 25%. Um impasse. Um contrato. Duas assinaturas. Assim nasce um casamento frio, calculado e absolutamente estratégico. Mas quando dois mundos tão opostos colidem — o morro e a cobertura de luxo, o riso fácil e o olhar impassível, a mulher que aprendeu a lutar e o homem que nunca precisou pedir — sentimentos começam a escapar pelas brechas do acordo. Entre cláusulas, provocações e convivência forçada, a pergunta deixa de ser sobre dinheiro. Será que um casamento criado por interesse pode sobreviver quando o coração decide quebrar todas as regras? Ou o contrato será a única coisa que os manterá juntos?

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Capítulo 1

A Herança

A música eletrônica vibrava de maneira constante pelas paredes de vidro do bar de luxo, fazendo com que as luzes de neon refletissem nas garrafas de bebidas caríssimas que ocupavam todo o balcão iluminado, criando um ambiente quase hipnótico, daqueles que pareciam existir apenas para uma elite que jamais precisava se preocupar com limites. O lugar havia sido completamente fechado para o público naquela noite por ordem direta de Caíque Albuquerque, que simplesmente não tinha o hábito de dividir seus espaços com desconhecidos, ainda mais quando se tratava de momentos de diversão.

O herdeiro mais cobiçado do Rio de Janeiro estava recostado em um amplo sofá de couro preto, com uma taça de uísque de alto valor repousando em sua mão direita enquanto no seu lado esquerdo estava uma mulher lnda e ruiva com uma roupa bem decotada, acariciando o e sorrindo para ele enquanto bebia um vilho caro ao seu lado, ele a ignorava e observava o movimento ao redor com uma expressão de despreocupação quase arrogante, típica de quem havia crescido em um mundo onde dinheiro, poder e influência eram praticamente garantias de nascimento.

Ao redor dele estavam seus amigos mais próximos, ou ao menos aqueles que costumavam compartilhar as mesmas festas, as mesmas extravagâncias e o mesmo estilo de vida despreocupado. Jovens ricos, filhos de empresários influentes, herdeiros de sobrenomes que circulavam entre os jornais de economia e colunas sociais da cidade, homens que haviam aprendido desde cedo que o dinheiro podia abrir praticamente qualquer porta.

— Caíque, você realmente fechou o bar inteiro só pra gente? — perguntou Eduardo, um deles, erguendo uma garrafa de uísque escocês enquanto um sorriso largo se espalhava por seu rosto.

Caíque apenas deu de ombros de maneira tranquila, como se aquela atitude fosse a coisa mais natural do mundo.

— Eu não gosto de dividir espaço com gente desconhecida — respondeu, levando a taça lentamente até os lábios.

As risadas surgiram quase imediatamente, ecoando pelo salão.

Perto deles, algumas modelos circulavam pelo ambiente com naturalidade, mulheres extremamente bonitas, com vestidos curtos e elegantes, cabelos perfeitamente arrumados e olhares que sabiam exatamente como atrair a atenção masculina sem precisar dizer uma única palavra. Algumas dançavam próximas à pista iluminada, outras se aproximavam das mesas com movimentos suaves, como se toda aquela atmosfera tivesse sido cuidadosamente planejada para alimentar o ego dos homens presentes.

Uma delas se aproximou de Caíque com um sorriso sedutor estampado no rosto, deslizando a mão delicadamente pelo ombro dele enquanto se inclinava para falar próximo ao seu ouvido, uma mulher de cabelos platinados , a ruiva ao seu lado também acaricia o outro ombro dele, a loira sussurra:

— Você quase não falou comigo hoje — murmurou ela, com uma voz suave carregada de provocação.

Caíque a observou por alguns segundos, analisando o rosto perfeitamente maquiado e o corpo moldado para chamar atenção, antes de puxá-la levemente pela cintura com uma expressão divertida, Verônica é uma de suas ficantes, ela senta se no colo dele e lança um olhar frio para a ruiva expulsando a outra dali, Caíque não se importava se iria passar a noite com Verônica ou com a mmodelo ruiva, ele só queria se divertir sem compromisso, sem pressão.

— A noite é longa — Ele respondeu, em tom baixo.

Aquilo foi o suficiente para fazê-la sorrir.

Entre goles generosos de bebida, conversas superficiais, provocações e olhares insinuantes, a madrugada avançou sem qualquer preocupação com o tempo. A música permanecia alta, os corpos se moviam próximos demais uns dos outros e o clima de libertinagem dominava o ambiente, transformando aquela festa em mais uma das muitas noites em que Caíque simplesmente escolhia ignorar o resto do mundo, ele e Verônica foram para a cama mas ele levou com eles Roberta a ruiva, ele mandava , ele escolhia e naquela noite ele queria duas, se Verônica não quisesse então ela que se retirasse. Mas Verônica sempre fazia a vontade dele, seria por apego ou diversão, não se sabe, mas ela gostava dele desde novos e rebeldes, imcompreendidos pela sociedade, ela nunca exigiu que ele mudasse, nunca colocou regras no lance deles e ele nunca levou ela a sério. Para ele era apenas rotina.

Diversão sempre havia sido a forma mais simples de fugir de tudo aquilo que ele preferia não enfrentar.

Em determinado momento da madrugada, ele se levantou e caminhou lentamente até o balcão do bar, servindo mais um pouco de uísque em seu copo enquanto encarava o reflexo no grande espelho atrás das garrafas.

Olhos escuros. cabelos bem alinhados, topete bem formado, Expressão segura. Um sorriso que parecia sempre carregar uma dose de provocação. A imagem que ele via refletida era exatamente aquilo que o mundo esperava dele. Mas havia algo por trás daquele reflexo que ele preferia não examinar com muita atenção. Seu celular vibrou sobre o balcão naquele instante. Ele olhou rapidamente para a tela. Hospital. Uma mensagem curta informava que o estado de saúde de seu pai continuava havia piorado ele morreria em algumas horas, com sorte poucos dias.

Por um breve momento, Caíque travou o maxilar.

A música parecia distante. O barulho das conversas desapareceu como se alguém tivesse reduzido o volume do mundo ao redor, ele odiava o pai dele, mas não queria que o seu pai morresse, ele não sabia porque ainda nutria aquele apego por alguém que o culpava por algo que nunca foi sua culpa, ou talvez fosse? A relação dele e de seu pai era manchada e rachada e pelo jeito terminaria assim, ele tinha esperanças de um futuro melhor para a relação deles e parece que esse futuro nunca chegaria.

Sem dizer nada, ele simplesmente virou o copo inteiro de uísque de uma vez.

— Ei, Caíque! — gritou um dos amigos do outro lado do salão. — Vem pra cá!

Ele apenas levantou o copo vazio e voltou para o sofá como se nada tivesse acontecido.

A festa continuou.

O sol já estava alto quando o carro esportivo de Caíque atravessou os portões da imensa mansão da família, avançando lentamente pelo longo caminho cercado por jardins perfeitamente cuidados que refletiam o poder e a tradição daquela fortuna construída ao longo de décadas.

Ele desceu do veículo com passos tranquilos, ainda vestindo a camisa social aberta no colarinho e com o relógio caro brilhando discretamente em seu pulso. A ressaca não o incomodava; depois de tantos anos vivendo noites semelhantes, seu corpo já havia se acostumado com aquele tipo de rotina.

Assim que entrou na casa, encontrou o mordomo esperando no amplo hall de entrada.

— Senhor Caíque — disse o homem com sua postura impecável, típica de alguém que servia aquela família havia muitos anos. — O senhor recebeu várias ligações esta manhã.

— Imagino de quem — respondeu ele, caminhando lentamente pelo ambiente.

O mordomo assentiu.

— O hospital também entrou em contato.

Caíque passou a mão pelos cabelos, tentando afastar o cansaço.

— E qual é a novidade?

— Seu pai quer vê lo.

Por um instante, ele permaneceu em silêncio. Sua mãe havia morrido quando ele tinha apenas quatorze anos. Um acidente trágico que mudou completamente o ambiente dentro daquela casa. Depois disso, restaram apenas ele e o pai. Um homem rígido. Frio. Extremamente disciplinado. E ele...

Seu pai passava a maior parte do tempo dedicado à empresa, construindo e expandindo o império financeiro da família, sempre exigindo mais resultados, mais estratégia, mais responsabilidade. Quando não estava trabalhando, estava tentando transformar o filho em alguém que considerasse digno de carregar aquele sobrenome.

Caíque cresceu ouvindo críticas. Exigências. Cobranças. E havia algo que seu pai nunca conseguiu esconder completamente. Ele o culpava pela morte da mãe. Talvez por isso a relação entre os dois jamais tivesse conseguido se tornar realmente próxima. Mesmo assim, Caíque sempre demonstrou talento para os negócios. Desde jovem havia apresentado ideias estratégicas que salvaram contratos importantes da empresa, mostrando uma habilidade natural para administração e negociações. Ele sabia exatamente como lidar com o mundo corporativo. O problema sempre foi sua vida pessoal. E isso era algo que seu pai jamais aceitou.

— O advogado da família está esperando na sala de reuniões — informou o mordomo.

Caíque franziu levemente o cenho.

— Marcelo?

— Sim, senhor.

Aquilo era estranho.

Ele caminhou pelo corredor silencioso da mansão até chegar à sala de reuniões, onde encontrou Marcelo sentado à mesa com uma pasta de couro aberta diante de si.

O advogado levantou os olhos.

— Caíque.

— Marcelo.

O jovem herdeiro puxou uma cadeira e sentou-se com tranquilidade, cruzando os braços enquanto observava o homem à sua frente.

— Imagino que isso seja sobre a herança.

Marcelo respirou fundo antes de responder.

— Seu pai deixou instruções muito específicas em seu testamento.

Caíque inclinou ligeiramente a cabeça.

Aquilo não era surpresa.

A empresa, a mansão, as ações e toda a fortuna da família inevitavelmente passariam para ele.

Era o único herdeiro.

— Então vá direto ao ponto — disse Caíque com impaciência. — Eu tenho uma reunião na empresa mais tarde.

Marcelo abriu a pasta com cuidado e retirou um documento.

— Seu pai deixou uma cláusula específica relacionada à herança.

O silêncio na sala pareceu se tornar mais pesado.

— Que cláusula? — perguntou Caíque, já demonstrando irritação.

O advogado levantou os olhos antes de responder.

— Para assumir o controle da empresa, da mansão e da fortuna da família...

Ele fez uma pequena pausa.

— ...você precisa estar legalmente casado.

Caíque piscou lentamente.

— O quê?

Uma risada curta escapou de seus lábios.

— Isso é algum tipo de brincadeira?

Marcelo permaneceu completamente sério.

— Não.

Ele deslizou o documento pela mesa até que parasse diante de Caíque.

— Caso você não esteja casado, a administração da empresa passará para o conselho administrativo até que essa condição seja cumprida.

O sorriso arrogante que costumava habitar o rosto de Caíque desapareceu completamente.

— Meu pai não pode fazer isso.

— Ele fez.

O silêncio que se seguiu foi pesado.

Pela primeira vez naquela manhã, Caíque sentiu algo que não estava acostumado a sentir.

Falta de controle.

Se não se casasse…

Ele não herdaria nada.

A empresa. A mansão. A fortuna.

Tudo escaparia de suas mãos.

E naquele instante, enquanto observava as palavras frias impressas naquele documento, Caíque percebeu que seu pai havia encontrado a única maneira possível de continuar controlando sua vida.

Mesmo depois da morte.

 

 

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