Mundo de ficçãoIniciar sessãoEnquanto a alta sociedade do Rio de Janeiro acordava lentamente depois de mais uma noite de festas luxuosas, em uma pequena vila simples na zona norte da cidade o dia já havia começado muito antes do sol nascer, pois ali a rotina não permitia preguiça nem excessos, e cada minuto era precioso para quem precisava trabalhar duro para conquistar aquilo que a vida nunca havia entregue de forma fácil.
Rafaela já estava de pé quando o primeiro ônibus do bairro passou pela avenida próxima, o barulho do motor ecoando pelas ruas estreitas enquanto ela terminava de prender os cabelos em um rabo de cavalo apressado diante do pequeno espelho pendurado na parede do quarto. A casa era simples, construída ao longo dos anos com muito esforço por seu pai, mas sempre limpa, organizada e cheia de vida.
Na cozinha, o cheiro de café fresco já tomava conta do ambiente.
— Rafaela, menina, você vai sair sem comer de novo? — perguntou sua mãe da porta, segurando uma colher de pau enquanto mexia uma panela no fogão.
Dona Lúcia era cozinheira em um pequeno restaurante do centro e possuía aquele tipo de energia que parecia não se esgotar nunca. Mesmo depois de anos trabalhando em pé, lidando com calor e panelas pesadas, ela ainda encontrava tempo para cuidar da casa e da família.
Rafaela apareceu na cozinha ainda ajeitando a bolsa no ombro.
— Eu vou comer sim, mãe — respondeu com um sorriso leve, pegando rapidamente um pedaço de pão.
Seu pai já estava sentado à mesa, revisando algumas caixas com mercadorias que venderia ao longo do dia. Como vendedor ambulante, ele passava horas caminhando pelas ruas do centro oferecendo pequenos produtos a quem estivesse disposto a comprar.
— E a faculdade, filha? — perguntou ele, olhando para ela por cima dos óculos simples.
Rafaela abriu um sorriso orgulhoso.
— Último semestre.
Aquelas duas palavras tinham um peso enorme, seus pais sempre tiveram muito orgulho da menina que criaram.
Ela havia estudado durante anos, muitas vezes madrugadas inteiras, equilibrando trabalho, faculdade online e as responsabilidades de casa. Não foi fácil, mas Rafaela sempre teve algo que muitos consideravam raro: determinação.
Seu sonho era grande.
Ela queria ter sua própria empresa um dia.
Queria construir algo que fosse realmente dela.
Talvez por isso tivesse escolhido cursar Administração, mesmo sabendo que o caminho até o sucesso seria longo.
Depois de terminar rapidamente o café, ela se despediu dos pais com um beijo no rosto e saiu apressada para pegar o ônibus que a levaria até o centro da cidade.
A empresa Albuquerque ficava em um prédio moderno no coração financeiro do Rio de Janeiro, cercado por grandes bancos, escritórios e restaurantes caros frequentados por executivos de terno e gravata.
Rafaela trabalhava ali como secretária.
O emprego não era exatamente o que ela sonhava para a vida inteira, mas pagava a faculdade, ajudava nas contas de casa e ainda permitia que ela observasse de perto o funcionamento de uma grande empresa, o senhor Albuquerque quem era o seu patrão sempre admirou a determinação e postura dela, e por isso as vezes deixava ela ter um tempo a mais de intervalo nos dias de provas, talvez essa consideração fizesse com que ela continuasse ali.
Para alguém que sonhava em administrar um negócio próprio no futuro, aquilo era quase uma sala de aula prática.
Com apenas vinte e três anos, Rafaela já havia aprendido a lidar com agendas cheias, telefonemas intermináveis e reuniões importantes, sempre tentando manter a organização em um ambiente que raramente desacelerava.
Mas havia uma característica dela que simplesmente não mudava. Rafaela era desastrada.
Tão desastrada que às vezes parecia impossível atravessar um dia inteiro sem derrubar alguma coisa, tropeçar em algum lugar ou cometer alguma pequena gafe que acabava arrancando risadas de quem estivesse por perto.
Naquela manhã, por exemplo, ela quase derrubou uma pilha de documentos ao esbarrar na própria bolsa enquanto tentava entrar na sala da secretaria.
— Rafaela! — riu Tati, levantando as mãos para impedir que os papéis caíssem no chão. — Você ainda vai provocar um acidente diplomático nessa empresa.
— Não exagera — respondeu Rafaela, ajeitando os documentos com um sorriso sem graça.
Tati e Tônia eram suas companheiras de setor e também suas melhores amigas dentro da empresa. As três dividiam a mesma mesa durante o intervalo do almoço, momento que costumava ser dedicado a desabafos, fofocas e, principalmente, comentários pouco gentis sobre certas pessoas.
Naquele dia não seria diferente.
Assim que o horário de descanso chegou, as três se acomodaram em uma pequena mesa próxima à copa da empresa, cada uma com seu almoço simples enquanto conversavam animadamente.
— Vocês viram a capa daquela revista ontem? — perguntou Tônia, abrindo o celular.
— Qual delas? — perguntou Rafaela, dando uma mordida em seu sanduíche.
Tônia virou o celular para as duas.
Na tela aparecia uma foto de Caíque.
Elegante, vestido com um terno caro e acompanhado por uma modelo loira que sorria para os fotógrafos.
A manchete dizia algo como “O herdeiro mais cobiçado do Rio em mais uma noite de luxo e escândalos.”
Rafaela fez uma careta imediatamente.
— Eu não suporto esse cara, sempre que ele aparece no escritório eu faço questão de sumir, odeio ele.
Tati riu.
— Nem você nem metade das mulheres dessa empresa suportam ele.
— Não é inveja — respondeu Rafaela rapidamente. — É antipatia mesmo.
Ela cruzou os braços e continuou olhando para a tela do celular. Caíque Albuquerque. Filho do dono da empresa. O famoso playboy milionário que aparecia em festas luxuosas, revistas de celebridades e páginas de fofoca quase toda semana. Sempre cercado por mulheres diferentes. Sempre com aquele ar arrogante de quem acreditava ser dono do mundo.
— Ele passa por aqui às vezes, mas já perceberam que ele nem olha para os funcionarios direito? O pior o pai dele está no hospital e olha o que ele está fazendo... — comentou Tônia. — Sempre de nariz em pé.
— Claro — respondeu Rafaela. — Filho do chefe, dinheiro infinito, mulher caindo aos pés dele… a vida deve ser realmente difícil.
As amigas riram.
Mas Rafaela desviou o olhar para a janela por um instante. No fundo, havia algo que ela não gostava de admitir.
Às vezes, quando via notícias sobre Caíque nos jornais ou nas redes sociais, mostrando suas festas extravagantes ou seu sucesso em alguma negociação milionária da empresa, ela sentia uma pontada estranha.
Não exatamente admiração. Talvez… inveja. Não da pessoa que ele parecia ser. Mas da sorte absurda que ele tinha recebido desde o nascimento. Enquanto ela lutava todos os dias para pagar a faculdade e ajudar em casa, aquele homem parecia viver em um mundo onde tudo simplesmente acontecia a seu favor.
Rafaela suspirou e balançou a cabeça.
— Enfim — disse ela, voltando a sorrir. — Eu ainda prefiro minha vida.
Tati ergueu uma sobrancelha.
— Mesmo sendo pobre?
Rafaela deu de ombros.
— Pelo menos eu não sou um playboy arrogante.
As três começaram a rir.
Mas naquele momento o playboy arrogante adentra a empresa, com a expressão séria , rigida , frio e arrogante, vestido em um terno caro com uma maleta preta de marca, ele caminha em direção ao escritório destinado a ele, ao seu lado um homem loiro de olhos verdes marcantes e terno azul de marca, Caíque fala com esse homem, que logo sonda o local. Caíque segue o seu caminho mas o homem de terno azul segue para a direção que Rafaella está e ao se aproximar expressa um sorriso gentil e amigavel e fala:







