Mundo de ficçãoIniciar sessãoO homem de terno azul aproximou-se com passos tranquilos, demonstrando uma postura elegante e segura, diferente da arrogância fria que Caíque havia exibido ao atravessar o escritório momentos antes. Seu sorriso era educado, quase gentil demais para aquele ambiente corporativo onde, na maioria das vezes, as pessoas estavam ocupadas demais para qualquer formalidade calorosa.
— Olá, meninas, tudo bem? — disse ele com uma voz calma e cordial. — Desculpem incomodá-las, mas preciso roubar rapidinho sua amiga Rafaela, por gentileza.
Rafaela ergueu as sobrancelhas em surpresa, olhando primeiro para o homem desconhecido e depois para as amigas, que imediatamente assumiram expressões curiosas.
— Eu? — perguntou ela, apontando para si mesma.
— Sim — respondeu ele, mantendo o sorriso. — Apenas alguns minutos.
Tati e Tônia trocaram um olhar rápido, claramente intrigadas.
— Vai lá, Rafa — disse Tati, segurando o riso. — Talvez seja uma promoção surpresa.
— Ou você derrubou algum documento importante e não percebeu — completou Tônia, em tom de brincadeira.
Rafaela fez uma careta para as duas, recolheu rapidamente sua bolsa da cadeira e levantou-se.
— Já volto — disse ela.
Enquanto caminhava ao lado do homem pelo corredor da empresa, Rafaela não conseguiu evitar sentir uma leve tensão crescer dentro de si. Aquilo era estranho. Ela não se lembrava de ter cometido nenhum erro grave naquela semana.
O homem então quebrou o silêncio.
— Rafaela, prazer. Meu nome é Marcelo. Sou advogado da família Albuquerque.
Ela piscou, surpresa.
— Da família… Albuquerque?
— Exatamente.
Ele continuou caminhando calmamente enquanto falava.
— Preciso ser direto porque a situação é… delicada, e sei que você está em seu intervalo. Mas teremos uma reunião importante no escritório do senhor Caíque, e precisaremos de alguém para servir café e auxiliar com alguns detalhes da reunião.
Rafaela inclinou levemente a cabeça.
— Eu?
Marcelo assentiu.
— Você é secretária da empresa e o senhor Caíque está ocupando o escritório do pai hoje. Preciso de alguém discreto e organizado para ajudar.
Ele fez uma breve pausa antes de completar:
— Claro, você poderá recuperar esse tempo mais tarde. Eu mesmo me responsabilizo por isso.
A forma educada como ele falava tornava quase impossível recusar, mas isso não minimiza o fato de estar perdendo dez minutos do seu intervalo e pior, ir para uma sala onde terá que aguentar o filho playboy do seu chefe.
— Tudo bem — respondeu Rafaela.
Eles caminharam até o setor mais reservado do escritório, onde ficava a sala que normalmente era utilizada pelo senhor Albuquerque, fundador da empresa. A porta estava entreaberta, e dentro dela já era possível ver Caíque sentado atrás da mesa principal, com uma expressão visivelmente irritada.
Rafaela entrou carregando uma pequena bandeja com xícaras de café que havia preparado rapidamente na copa, enquanto Marcelo se dirigia para o escritório.
O ambiente estava pesado.
Caíque estava recostado na cadeira, os braços cruzados e o olhar impaciente fixo no advogado.
— Eu ainda não acredito nisso — disse ele com um tom irritado. — Meu pai sempre gostou de controlar tudo, mas isso já é ridículo.
Marcelo permaneceu calmo enquanto abria uma pasta de documentos.
— O senhor Albuquerque apenas tomou algumas precauções em relação ao futuro da empresa.
Caíque soltou uma risada seca.
— Precauções? — repetiu com sarcasmo. — Ele passou a vida inteira desconfiando de mim.
Rafaela tentava agir com discrição enquanto colocava as xícaras de café sobre a mesa, escutando atenta cada palavra ela rebatia "se você não fosse tão idiota quem sabe ele não precisasse controlar tudo, mimadinho".
— Inclusive — continuou Caíque com arrogância — eu nem fiz questão de ir vê-lo no hospital. Se ele queria controlar minha vida até o último segundo, conseguiu.
Marcelo levantou os olhos com certa reprovação.
— Seu pai está em estado crítico, Caíque, talvez ele tenha apenas horas de vida.
— Sempre esteve — respondeu ele friamente.
Aquelas palavras fizeram Rafaela congelar por um segundo. Ela não esperava ouvir algo tão cruel sobre um pai doente. Foi nesse momento que sua mão escorregou. A xícara que ela segurava inclinou-se perigosamente. E, antes que pudesse evitar… O café quente caiu diretamente sobre Caíque. Bem na região das calças. Mais especificamente… no fundilho.
— MAS QUE DROGA! — explodiu ele, levantando-se da cadeira imediatamente.
Rafaela ficou branca.
— Meu Deus! Desculpa! Desculpa! Desculpa! — disse ela em desespero, pegando alguns guardanapos e tentando limpar o estrago, ela passava o guardanapo na região que estava humida.
Caíque estava completamente indignado, mas segurou um riso já que a secretaria praticamente estava o tocando em uma região sexual sua, Marcelo fica surpreso ao vê aquilo e Rafaella não percebia nem o que estava acontecendo ali, apenas quando olhou para os olhares confusos dos dois homens e com isso ela percebeu onde estava sua mão e corou, a ponto de ficar muito vermelha e parou Caíque fala:
— O que você tem na cabeça? - Ele pergunta surpreso mas também segurando uma risada, enquanto Marcelo coloca a mão sobre a propria boca para conter se também. Rafaella fala sem pensar muito sentindo se pressionada e irritada com a atitude infantil de seu futuro chefe:
— O que eu tenho na cabeça? Bom não sou eu que vive aprontando e levando o nome de minha familia para a lama e ainda me nego a visitar o unico pai á beira da morte, só porque estou irritadinho por ele cuidar de mim.
Marcelo levou a mão ao rosto, claramente tentando manter a calma diante do caos inesperado. Caíque ficou sério sua expressão fechou se, e Rafaella só então percebeu o que acabará de falar, Marcelo fala:
— Rafaela… talvez seja melhor você esper—Mas ele parou no meio da frase.
Porque naquele momento ele olhou novamente para o documento em sua mão.
— Hm… interessante — murmurou ele.
Caíque parecia bem incomodado com Rafaella, mas algo nela também o chamou a atenção, talvez a coragem dela de falar na cara dele o que ninguém fala, uma isolente , mas sincera, ele resmunga:
— O que foi agora?
Marcelo ajustou os óculos e começou a ler em voz alta.
— Conforme registrado no testamento do senhor Antônio Albuquerque, para assumir o controle integral da empresa, da fortuna e das propriedades da família, seu filho e único herdeiro, Caíque Albuquerque, deverá cumprir a seguinte cláusula…
Ele fez uma pequena pausa.
Rafaela ainda segurava um punhado de guardanapos, em sua mente surgia alguns dos momentos que o snehor Albuquerque falava para ela que queria que o filho dele fosse como ela era, determinada e esforçada, e lembrava das vezes que ele aparecia triste no escritório por causa de algo que Caíque aprontava, Antônio tratava ela como uma sobrinha as vezes parecia até uma filha, ele tinha admiração pela personalidade dela, ela conteve uma lagrima, ele iria morrer, e quem sabe ela nunca conseguiria agradecer a ele a força que ele sempre deu a ela.
Caíque estava limpando a própria roupa com irritação.
— O herdeiro deverá contrair matrimônio legal com a mulher previamente escolhida e registrada neste documento…
Caíque congelou.
— Espera… o quê? Tem uma mulher certa para isso? Até isso?!
Marcelo continuou lendo.
— A noiva designada pelo testador atende pelo nome de… Rafaela Estevez de Souza.
Silêncio absoluto.
Rafaela arregalou os olhos.
— O QUÊ?!
A bandeja quase caiu de suas mãos de novo, mas dessa vez Caíque e Marcelo juntos impediram a quedra cada um segurou um lado da bandeija.
Ela olhou para Marcelo. Depois para Caíque. Depois novamente para Marcelo. Caíque estava completamente imóvel. Incrédulo.
Marcelo também parecia confuso, olhando repetidamente para o documento como se estivesse tentando confirmar se realmente havia lido aquilo corretamente.
Rafaela deu um passo para trás.
— Espera… espera… espera!
Ela apontou para si mesma.
— Eu?!
Caíque lentamente virou o rosto para encará-la. Ainda com as calças molhadas de café. Ainda tentando processar a informação. Marcelo permaneceu em silêncio. Porque, naquele momento… Nenhum dos três parecia saber exatamente o que dizer.







