Um Casamento que Ninguém Quer

O silêncio dentro do escritório ainda parecia pesado demais para qualquer um respirar com normalidade. A revelação do testamento havia caído sobre aquela sala como um trovão inesperado, deixando todos em um estado de incredulidade difícil de descrever. Rafaela permanecia parada alguns passos afastada da mesa, segurando a bandeja vazia com força entre os dedos, enquanto sua mente tentava compreender o absurdo que acabara de ouvir.

Por alguns segundos ela apenas piscou, como se esperasse acordar de um sonho estranho.

Mas quando percebeu que ninguém estava rindo, que o advogado ainda segurava o documento e que Caíque continuava olhando para ela com a mesma expressão incrédula, algo dentro dela finalmente explodiu.

— Não… — disse ela, balançando a cabeça.

Depois mais firme:

— Não!

E então, com a voz carregada de indignação:

— NÃO!

Rafaela deu um passo à frente, apontando para Marcelo com indignação.

— Eu não vou me casar com ele! Isso é ridículo! Isso é absurdo! Meu sonho de casamento não é esse!

Sua respiração estava acelerada, e seus olhos brilhavam de revolta.

Ela sempre sonhara com muitas coisas na vida — terminar sua faculdade, abrir sua própria empresa, dar uma vida melhor para seus pais — e, sim, também imaginava que um dia se casaria. Mas certamente não daquela forma, muito menos com alguém como Caíque Albuquerque. O playboy arrogante da empresa. O homem que ela havia acabado de xingar no intervalo com as amigas. E que agora… aparentemente seria seu marido. Caíque, por sua vez, soltou uma risada curta e cheia de deboche, recostando-se na cadeira enquanto observava aquela explosão de indignação com um certo divertimento irônico.

— Seja bem-vinda ao meu mundo, querida futura esposa — disse ele com um sorriso provocador. — Um lugar onde eu não posso escolher nada… nem mesmo a minha própria esposa.

Rafaela virou-se para ele com o olhar em chamas.

— Eu não sou sua esposa!

— Ainda não — respondeu ele com calma irritante.

— E nunca vou ser! Se pivete! Não sou obrigada a casar com você , se você quer , tu que lute!

— Engraçado — continuou ele, cruzando os braços. — Porque segundo aquele documento você será minha esposa.

— EU TENHO SIM! Não preciso do seu dinheiro, ele é seu pai não meu!

Ela precisava do dinheiro sim, como esposa de um bilionário certamente a família não passaria fome, mas naquele instante ela estava incosolavel, a  discussão começou a ganhar intensidade.

Rafaela gesticulava enquanto falava, visivelmente furiosa, enquanto Caíque mantinha aquele ar provocador que parecia existir apenas para irritá-la ainda mais, ele parecia se divertir muito com isso, nunca encontrou alguém que fosse assim com ele, mas Rafaella parecia o provocar, parecia fazer com que ele se questionasse.

— Você acha que eu vou aceitar casar com um playboy arrogante que trata mulheres como brinquedos? — disparou ela.

— E você acha que eu estou animado para casar com uma secretária desastrada que j**a café nas pessoas? — retrucou ele.

— FOI UM ACIDENTE!

— Claro…é abusar de mim com os guardanapos também foi, certo? — respondeu ele com ironia.

Marcelo assistia àquela cena em completo silêncio, alternando o olhar entre os dois como se estivesse observando um espetáculo inesperado.

A tensão entre eles era evidente, eles se imlicavam, havia algo ali com certeza mas não sabia se era para bom ou ruim. Mas o que realmente chamava a atenção era outra coisa. Rafaela parecia genuinamente irritada. Ela não estava tentando se aproximar de Caíque, não estava impressionada com o dinheiro dele, nem sequer parecia interessada na possibilidade de se tornar esposa de um herdeiro milionário. Na verdade… Ela parecia odiá-lo. E aquilo, para Marcelo, era algo raro, ele começou a observar Rafaella mais de perto, talvez ela seja uma mulher a ser admirada e conquistada, ele mesmo se sentiu atraido por ela, por mais desastrada que ela fosse.

Enquanto ele ainda refletia sobre isso, Rafaela finalmente perdeu completamente a paciência.

— Isso é uma palhaçada!

E, antes que qualquer um pudesse prever o que ela faria… Ela simplesmente levantou a bandeja que ainda segurava. E a atirou em Caíque. A bandeja atravessou o ar e bateu contra o peito dele com um som metálico.

— Ei! — protestou ele.

Mas Rafaela já estava caminhando em direção à porta.

— Vocês são loucos! — disse ela, abrindo a porta com força. — Procurem outra maluca para casar com você! E se eu fosse você iria me despedir do meu unico pai, seu ingrato!

E saiu da sala batendo a porta com tanta força que o barulho ecoou pelo corredor.

O silêncio que se seguiu foi quase constrangedor.

Marcelo piscou lentamente.

Caíque passou a mão pelos cabelos de forma exasperada, claramente irritado.

— Aquela garota é completamente louca — murmurou ele.

Ele caminhou até a janela, respirando fundo, ainda tentando processar toda aquela situação absurda.

Depois voltou-se para o advogado.

— Não existe outra solução?

Marcelo fechou lentamente a pasta do testamento.

— Infelizmente… não.

Caíque franziu a testa.

— Tem que haver alguma brecha.

— O senhor Albuquerque foi extremamente específico — explicou Marcelo. — O casamento precisa acontecer para que o senhor possa assumir oficialmente o controle da empresa e da herança.

Caíque soltou um suspiro irritado.

— Eu não vou me casar com aquela louca.

Marcelo então ficou pensativo por alguns segundos. Seu olhar mudou levemente, como se uma ideia estivesse começando a se formar.

— Talvez… exista uma alternativa.

Caíque ergueu uma sobrancelha.

— Estou ouvindo.

Marcelo ajustou os óculos antes de falar.

— Um casamento por contrato.

Caíque ficou em silêncio por alguns segundos.

A ideia começou a girar lentamente em sua mente. Um casamento legal. Um documento oficial. Mas… nada além disso. Ele não precisava amar Rafaela. Não precisava sequer gostar dela. Ele apenas precisava de um papel comprovando que havia se casado. Apenas isso. O suficiente para cumprir a exigência do testamento. O suficiente para garantir que continuaria sendo dono da fortuna e da empresa da família.

Um pequeno sorriso surgiu lentamente em seu rosto.

— Interessante… — murmurou ele.

Marcelo percebeu imediatamente que Caíque havia entendido o raciocínio.

— O casamento poderia ter cláusulas específicas — continuou o advogado. — Um acordo temporário, com regras claras entre as duas partes.

Caíque assentiu lentamente. Sim. Aquilo poderia funcionar perfeitamente. Ele voltou-se para Marcelo com um olhar decidido.

— Certo.

Marcelo aguardou.

— Eu aceito a ideia.

O advogado fechou a pasta.

— Então o próximo passo é conversar com a senhorita Rafaela.

Caíque soltou uma pequena risada.

— Boa sorte com isso.

Marcelo levantou-se.

— Vou procurá-la. Mas é você que tera que falar com ela e tentar ao menos "conquistar o sim dela".

Mas antes que ele saísse da sala, Caíque falou novamente.

— Marcelo.

O advogado virou-se.

— Sim?

Caíque encostou-se na mesa, cruzando os braços com um leve sorriso estratégico.

— Traga ela aqui.

Marcelo franziu levemente a testa.

— Agora?

— Agora.

Ele deu de ombros.

— Vamos conversar.

Porque naquele momento, Caíque Albuquerque já tinha começado a desenhar um plano em sua cabeça.

E para que aquele plano funcionasse… ele precisava convencer Rafaela a aceitar o casamento. Mesmo que fosse apenas no papel.

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