Mundo ficciónIniciar sesión"Você vai se casar comigo, ou seu pai apodrecerá na prisão." É assim que o tio do seu noivo, Alexandre Drummond, sentencia o futuro de Sophie Bergamin. Aos 23 anos, ela ver sua vida desmoronar: além de descobrir a traição de seu noivo Caleb com sua amiga Evellyn, ela vê seu pai injustamente preso. A única saída é o acordo imposto por Alexandre, um homem de frieza calculista que exige um casamento forçado como moeda de troca. O que começa como um casamento de conveniência, uma arma para vingança, logo se transforma em um jogo de aparências onde a linha entre o ódio e a atração se torna perigosamente tênue. Enquanto Sophie luta para desvendar a verdade por trás das mentiras que cercam sua família e a ascensão implacável de Alexandre, ela descobre que o verdadeiro inimigo pode estar mais perto do que imagina. Entre segredos, traições e uma paixão proibida, Sophie se vê presa em um jogo onde as apostas são a vida de seu pai e a própria liberdade. Agora, ela precisa decidir se confia no homem que a prendeu em um laço impossível — ou se arrisca a perder tudo na busca pela verdade.
Leer más(POV: Sophie)
— Por favor, Soph, é uma festa importante. Todos os meus amigos da empresa estarão lá — Caleb insistiu pela décima vez, ajeitando a gravata no espelho. Eu não queria ir. Festas corporativas eram sempre barulhentas e impessoais. Para piorar, eu havia esquecido meus óculos em casa na pressa de sair, e as lentes de contato estavam me incomodando tanto que acabei tirando-as e guardando na bolsa antes de irmos. Assim que entramos no bar, o clima mudou. Encontramos a prima dele, Evellyn, que já estava lá e claramente já tinha passado do ponto. — Caleb... eu não me sinto bem... me leva embora? — ela balbuciou, pendurando-se no pescoço dele. Caleb me olhou, dividido. — Soph, eu vou levá-la em casa e volto num piscar de olhos para te buscar. Me espera aqui com o pessoal? Assenti, tentando ser compreensiva. Mas o tempo passou. Seus amigos foram embora um a um, oferecendo carona, mas eu recusei todas. "Caleb já está vindo", eu dizia. Mas as minhas ligações para o celular dele iam direto para a caixa postal. Sem enxergar direito os detalhes ao longe e sentindo a humilhação queimar, pedi um drink azul vibrante que vi no balcão. Um tempo depois o segundo. No terceiro, o mundo, que já era embaçado, começou a girar de um jeito engraçado. — Ele não faria isso... — murmurei para mim mesma, tateando a bolsa em busca do celular para tentar ligar mais uma vez. — Ele não me deixaria aqui. Levantei-me decidida a ir ao banheiro lavar o rosto antes de ligar novamente, mas o chão parecia feito de nuvens. Cambaleei e, antes que meus joelhos encontrassem o mármore, mãos firmes e poderosas me seguraram pela cintura. O impacto contra o peito dele foi sólido, como se eu tivesse batido em uma parede de músculos revestida de seda fina. — Cuidado — uma voz baixa e rouca ressoou acima de mim. Recuperei o equilíbrio, mas não me afastei. Olhei para cima e tentei focar no rosto dele. Sem meus óculos e com o efeito do álcool, eu via apenas contornos fortes, mas meus olhos encontraram os dele. Eram cinza-ferro, intensos e profundos, emoldurados por um rosto austero que eu julguei reconhecer imediatamente. — Obrigada... — balbuciei. — Sinto muito, acho que estou bêbada. Ele não disse nada, apenas continuou me segurando com uma firmeza que me fazia sentir segura. — Senhor Drummond, o senhor está bem? — alguém se aproximou, perguntando com deferência. — Sim — ele respondeu, sem desviar os olhos de mim. Drummond. Então realmente era ele, meu coração deu um salto de alívio misturado com irritação. — Por que você demorou tanto? — perguntei, a voz embargada pelo álcool e pela mágoa. — E por que não atendeu as minhas ligações? Ele arqueou uma sobrancelha, a expressão indecifrável na penumbra. — Você me conhece? Ri sem humor, encostando a cabeça em seu ombro. O cheiro dele me atingiu, não era o perfume cítrico de sempre, era algo amadeirado. — Não estou com humor para suas brincadeiras agora. Estou chateada com você. Me leva para casa, por favor? Abracei-o com força, sentindo o calor do seu corpo através do terno impecável. — Seu perfume mudou... não é o de sempre. Mas eu gostei mais desse. É... mais você. Senti um leve tremor no peito dele, como se estivesse rindo silenciosamente de uma piada interna. — Acho que você bebeu demais, pequena. — Sim, eu bebi. Me tira daqui, por favor? — Claro. Para minha surpresa, ele não me guiou pelo braço. Ele me pegou no colo com uma facilidade desconcertante, como se eu não pesasse nada. Enrosquei meus braços em seu pescoço, fechando os olhos enquanto ele atravessava o salão. Ele me colocou no banco do passageiro de um carro que cheirava a couro novo, não parecia o carro dele. Quando ele assumiu o volante e começou a dirigir, a sonolência começou a vencer a névoa da bebida. — Não posso ir para casa... — sussurrei. — Meus pais vão brigar se me virem assim. Me leva para a Aline. — Onde ela mora? Peguei meu celular, desbloqueei com o dedo trêmulo e mostrei o endereço no GPS. — Vou dormir um pouquinho... me acorda quando chegar, amor. O sono me levou rápido. Acordei com um toque suave no rosto e uma voz me chamando. Olhei em volta e vi o prédio da Aline. — Já chegamos?! — eu disse, ainda mergulhada na confusão dos sentidos — Eu já vou. Até amanhã. Inclinei-me em direção a ele e selei seus lábios com um selinho demorado. Sorri, sentindo-me vitoriosa, e saí do carro. Mas antes que eu chegasse à portaria, ouvi a porta se fechar e passos rápidos atrás de mim. — Espera — ele disse. Virei-me e, antes que pudesse processar, ele me puxou para si. O beijo que se seguiu não foi um selinho. Foi profundo, possessivo e devastador, tirando o pouco de ar que me restava. Quando ele se afastou, beijou meu rosto com uma ternura inesperada. — Entre — ele ordenou, a voz mais rouca do que antes. Acenei, boba, e passei pela porta de vidro. Só quando o elevador começou a subir é que uma dúvida gelada começou a perfurar a névoa do álcool: Caleb nunca tinha me beijado daquele jeito. O que será que mudou hoje?(POV: Sophie) O vapor d'água preenchia o banheiro de mármore escuro, formando uma névoa espessa que escondia meu reflexo no espelho. Eu estava sob o chuveiro havia pelo menos vinte minutos, deixando a água quente escorrer pelos meus ombros tensos. Cada gota parecia tentar lavar não apenas o frio daquela tempestade, mas também as marcas invisíveis de tudo o que eu jamais conseguiria apagar. Fechei os olhos com força. A imagem de Alexandre na sala de estar, confessando suas mentiras, ainda fazia meu peito doer. Bastava me lembrar daquele momento para sentir as lágrimas ameaçarem voltar. E o pior de tudo era perceber que, mesmo depois de tudo o que ele havia feito... eu ainda sentia falta dele. — Idiota... — ri de mim mesma, num sussurro amargo. Desliguei o chuveiro, e o silêncio que se seguiu foi quase ensurdecedor. Envolvi-me em um roupão de seda cinza que Danilo havia deixado para mim — era grande demais, o tecido deslizando pela minha pele com uma suavidade que me fazia sentir p
(POV: Alexandre) O trajeto de volta da cafeteria foi preenchido pelo tagarelar incessante de Babi, que eu mal ouvia. Minha mente estava no quarto de cima da mansão, imaginando Sophie acordando do seu descanso. Eu queria entrar lá, levar o café que ela gostava e, talvez, encontrar uma forma de quebrar o gelo que se instalou entre nós após a discussão sobre o Danilo. Eu a amava com uma intensidade que beirava a loucura, mas a cada passo que eu dava para protegê-la, parecia que eu a empurrava mais para longe. Assim que entramos no hall, o silêncio da casa me atingiu como um soco. Uma sensação ruim percorreu meu corpo, como se algo tivesse acontecido na nossa ausência. Um pressentimento pesado tomou conta de mim, e a ansiedade cresceu instantaneamente. — Vou subir para ver como a Sophie está — murmurei para Henrique, subindo as escadas de dois em dois degraus. Abri a porta do nosso quarto com cuidado, esperando encontrá-la encolhida entre os lençóis. Mas a cama estava perfeitamente ar
(POV: Sophie)O interior do Aston Martin era um casulo de luxo e silêncio, um contraste brutal com a fúria da tempestade que castigava os vidros do lado de fora. O aroma de sândalo e couro novo me envolvia, enquanto o calor do aquecedor começava, aos poucos, a expulsar o frio que parecia ter se instalado nos meus ossos.Danilo dirigia com uma calma que, ao mesmo tempo, me irritava e me confortava. Eu mantinha o olhar fixo na estrada, tentando desesperadamente me distrair, mas fracassava a cada segundo. Aquela situação era extremamente constrangedora.— Você está tremendo, Sophie — ele comentou suavemente, ajustando a temperatura do carro. — Tem certeza de que não quer que eu te leve de volta para a mansão? O Alexandre deve estar preocupado.— Ele está ocupado — respondi secamente, apertando a bolsa contra o peito. — E eu sei me cuidar.— Ocupado? — Danilo soltou uma risada curta, carregada de incredulidade. — A ponto de não conseguir mandar um motorista para te buscar? Está chovendo m
(POV: Sophie) Sentei-me no chão, ao lado da cama, sentindo o frio do mármore atravessar o tecido do vestido. O choro já não era apenas de tristeza. Era de uma humilhação profunda, daquelas que queimam como ácido. O contrato... Eu havia colocado meu nome naquele papel por necessidade, aceitando a obrigação de fidelidade absoluta, a fachada de um casamento feliz e a proibição de sequer mencionar a palavra "divórcio". Mas o que mais me destruía agora era saber que Alexandre havia contado toda a verdade para eles, enquanto eu permanecia fazendo meu papel, eles já sabiam de tudo, provavelmente devo ter sido uma piada completa para eles. Aquilo doía mais do que eu jamais imaginei. As palavras de Henrique voltaram à minha mente, misturando-se à confissão de Alexandre, repetindo-se como marteladas. Contrato. Sequestro. Assassinato. Cada palavra arrancava um pedaço de mim. No fim, eu nunca passei de uma peça em um tabuleiro de xadrez sangrento. Um instrumento na vingança de Alexandre. Um
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