Casada com o Tio do Meu Noivo
Casada com o Tio do Meu Noivo
Por: T.Lirio
Capítulo 1

(POV: Sophie)

— Por favor, Soph, é uma festa importante. Todos os meus amigos da empresa estarão lá — Caleb insistiu pela décima vez, ajeitando a gravata no espelho.

Eu não queria ir. Festas corporativas eram sempre barulhentas e impessoais. Para piorar, eu havia esquecido meus óculos em casa na pressa de sair, e as lentes de contato estavam me incomodando tanto que acabei tirando-as e guardando na bolsa antes de irmos. Assim que entramos no bar, o clima mudou. Encontramos a prima dele, Evellyn, que já estava lá e claramente já tinha passado do ponto.

— Caleb... eu não me sinto bem... me leva embora? — ela balbuciou, pendurando-se no pescoço dele.

Caleb me olhou, dividido.

— Soph, eu vou levá-la em casa e volto num piscar de olhos para te buscar. Me espera aqui com o pessoal?

Assenti, tentando ser compreensiva. Mas o tempo passou. Seus amigos foram embora um a um, oferecendo carona, mas eu recusei todas. "Caleb já está vindo", eu dizia. Mas as minhas ligações para o celular dele iam direto para a caixa postal. Sem enxergar direito os detalhes ao longe e sentindo a humilhação queimar, pedi um drink azul vibrante que vi no balcão. Um tempo depois o segundo. No terceiro, o mundo, que já era embaçado, começou a girar de um jeito engraçado.

— Ele não faria isso... — murmurei para mim mesma, tateando a bolsa em busca do celular para tentar ligar mais uma vez. — Ele não me deixaria aqui.

Levantei-me decidida a ir ao banheiro lavar o rosto antes de ligar novamente, mas o chão parecia feito de nuvens. Cambaleei e, antes que meus joelhos encontrassem o mármore, mãos firmes e poderosas me seguraram pela cintura. O impacto contra o peito dele foi sólido, como se eu tivesse batido em uma parede de músculos revestida de seda fina.

— Cuidado — uma voz baixa e rouca ressoou acima de mim.

Recuperei o equilíbrio, mas não me afastei. Olhei para cima e tentei focar no rosto dele. Sem meus óculos e com o efeito do álcool, eu via apenas contornos fortes, mas meus olhos encontraram os dele. Eram cinza-ferro, intensos e profundos, emoldurados por um rosto austero que eu julguei reconhecer imediatamente.

— Obrigada... — balbuciei. — Sinto muito, acho que estou bêbada.

Ele não disse nada, apenas continuou me segurando com uma firmeza que me fazia sentir segura.

— Senhor Drummond, o senhor está bem? — alguém se aproximou, perguntando com deferência.

— Sim — ele respondeu, sem desviar os olhos de mim.

Drummond. Então realmente era ele, meu coração deu um salto de alívio misturado com irritação.

— Por que você demorou tanto? — perguntei, a voz embargada pelo álcool e pela mágoa. — E por que não atendeu as minhas ligações?

Ele arqueou uma sobrancelha, a expressão indecifrável na penumbra.

— Você me conhece?

Ri sem humor, encostando a cabeça em seu ombro. O cheiro dele me atingiu, não era o perfume cítrico de sempre, era algo amadeirado.

— Não estou com humor para suas brincadeiras agora. Estou chateada com você. Me leva para casa, por favor?

Abracei-o com força, sentindo o calor do seu corpo através do terno impecável.

— Seu perfume mudou... não é o de sempre. Mas eu gostei mais desse. É... mais você.

Senti um leve tremor no peito dele, como se estivesse rindo silenciosamente de uma piada interna.

— Acho que você bebeu demais, pequena.

— Sim, eu bebi. Me tira daqui, por favor?

— Claro.

Para minha surpresa, ele não me guiou pelo braço. Ele me pegou no colo com uma facilidade desconcertante, como se eu não pesasse nada. Enrosquei meus braços em seu pescoço, fechando os olhos enquanto ele atravessava o salão.

Ele me colocou no banco do passageiro de um carro que cheirava a couro novo, não parecia o carro dele. Quando ele assumiu o volante e começou a dirigir, a sonolência começou a vencer a névoa da bebida.

— Não posso ir para casa... — sussurrei. — Meus pais vão brigar se me virem assim. Me leva para a Aline.

— Onde ela mora?

Peguei meu celular, desbloqueei com o dedo trêmulo e mostrei o endereço no GPS.

— Vou dormir um pouquinho... me acorda quando chegar, amor.

O sono me levou rápido. Acordei com um toque suave no rosto e uma voz me chamando. Olhei em volta e vi o prédio da Aline.

— Já chegamos?! — eu disse, ainda mergulhada na confusão dos sentidos — Eu já vou. Até amanhã.

Inclinei-me em direção a ele e selei seus lábios com um selinho demorado. Sorri, sentindo-me vitoriosa, e saí do carro. Mas antes que eu chegasse à portaria, ouvi a porta se fechar e passos rápidos atrás de mim.

— Espera — ele disse.

Virei-me e, antes que pudesse processar, ele me puxou para si. O beijo que se seguiu não foi um selinho. Foi profundo, possessivo e devastador, tirando o pouco de ar que me restava. Quando ele se afastou, beijou meu rosto com uma ternura inesperada.

— Entre — ele ordenou, a voz mais rouca do que antes.

Acenei, boba, e passei pela porta de vidro. Só quando o elevador começou a subir é que uma dúvida gelada começou a perfurar a névoa do álcool: Caleb nunca tinha me beijado daquele jeito. O que será que mudou hoje?

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