ME APAIXONEI POR UM MENTIROSO ( OFICIAL )

ME APAIXONEI POR UM MENTIROSO ( OFICIAL )PT

Romance
Última actualización: 2026-08-21
VESPA  Recién actualizado
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Resumen
Índice

Ele passou dois meses estudando cada detalhe da vida dela. Ela achou que era o destino. Aléxia nunca acreditou em coincidências. Então por que, no dia em que mais precisou de ajuda, um estranho perfeito apareceu bem na hora certa? Dominic Vance é elegante. Charmoso. Do tipo de homem que parece bom demais pra ser verdade. Porque é. O que ela não sabe é que ele conhece seus horários, seus caminhos, até o jeito como ela prende o cabelo quando está nervosa. Não sabe que aquele encontro "por acaso" foi planejado até o último segundo. Enquanto a paixão entre os dois queima cada vez mais forte, as rachaduras começam a aparecer. Respostas vagas. Silêncios longos demais. Coincidências boas demais. Dominic guarda um segredo capaz de destruir tudo. E alguém mais já sabe a verdade — e está pronto pra usá-la. Me Apaixonei por um Mentiroso te leva pro ponto de vista dos dois: dela, apaixonada por um homem que não é quem diz ser. E dele, disposto a tudo — absolutamente tudo — para não perdê-la. A pergunta não é se ele vai mentir de novo. É até onde você iria, se descobrisse a verdade tarde demais.

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Capítulo 1

CAPÍTULO 1 - Café Duplo, Pouco Açúcar

(Ponto de vista de Dominic)

7h42.

Ainda faltavam três minutos.

Eu sabia disso porque, durante dois meses, aprendi a diferença entre a rotina de Aléxia e os dias em que ela saía alguns minutos fora do horário.

Hoje ela sairia às 7h45.

Eu tinha certeza.

O relógio do painel avançava lentamente enquanto eu observava a entrada do condomínio do outro lado da rua.

O trânsito já começava a engrossar.

Carros passavam pela avenida em intervalos cada vez menores. Um ônibus parou no ponto, soltando uma nuvem de fumaça antes de arrancar novamente. Pessoas atravessavam a calçada com pressa, algumas segurando copos de café, outras olhando para o celular enquanto caminhavam.

A cidade acordava.

Eu esperava.

No banco do passageiro havia um copo térmico.

Ainda estava quente.

Café duplo.

Pouco açúcar.

Uma pitada de canela.

Olhei para ele por alguns segundos.

Não era o meu café.

Nunca tinha sido.

Eu sabia exatamente como ela gostava porque havia prestado atenção.

Aléxia não gostava de cafés muito doces pela manhã. Também não gostava de experimentar sabores diferentes quando estava indo para o trabalho.

Ela gostava de saber exatamente o que encontraria.

Previsibilidade.

Era uma das coisas que tínhamos em comum.

A cafeteria ficava a pouco mais de dois quarteirões dali.

Eu poderia ter comprado o café depois que ela entrasse no carro.

Mas isso não faria parte do plano.

Eu precisava que tudo estivesse no lugar antes de ela aparecer.

Inclusive o café.

Inclusive eu.

Inclusive o problema.

Olhei novamente para o relógio.

7h43.

Meu celular estava sobre o console.

Nenhuma mensagem.

Nenhuma ligação.

Não precisava de nenhuma.

Eu já sabia o que aconteceria.

Nos últimos dois meses, acompanhei os horários dela com atenção suficiente para reconhecer padrões que nem ela provavelmente percebia.

Sabia quais dias chegava mais cedo ao escritório.

Quais dias demorava alguns minutos a mais no café.

Sabia que, quando tinha uma reunião importante, prendia o cabelo com mais firmeza.

Sabia que costumava olhar o relógio duas vezes antes de entrar no carro quando estava atrasada.

E sabia que, naquela manhã, ela estaria atrasada.

Isso tornava tudo mais fácil.

7h44.

A porta de vidro da portaria se abriu.

Meu olhar se levantou imediatamente.

Ela apareceu.

Blazer cinza.

Calça de alfaiataria.

Bolsa preta no ombro.

O cabelo preso em um coque firme.

Aléxia caminhava depressa enquanto olhava para o relógio.

Exatamente como eu esperava.

Um pequeno sorriso apareceu no meu rosto.

Ela apertou o controle do carro.

As luzes piscaram.

Entrou.

Colocou a bolsa no banco do passageiro.

Ligou o motor.

Esperei.

Não precisava fazer mais nada.

Apenas observar.

Poucos segundos depois, o carro permaneceu parado.

Aléxia tentou novamente.

Nada.

Desligou o motor.

Ligou outra vez.

Nada.

Então abriu a porta.

Saiu.

Deu a volta até a traseira.

Quando percebeu o pneu murcho, parou.

A mão foi até a cintura.

Ela respirou fundo.

— Não acredito...

Mesmo de longe, consegui entender.

Passei a língua discretamente pelo canto da boca.

Funcionou.

Aléxia pegou o celular.

Eu sabia o que viria depois.

Primeiro tentaria um aplicativo.

Depois outro.

Provavelmente reclamaria da tarifa.

Em seguida olharia o relógio.

A pressa faria o restante do trabalho.

Eu não precisava controlar cada reação dela.

Só precisava criar as circunstâncias certas.

E eu havia aprendido, ao longo daqueles dois meses, quais circunstâncias funcionavam.

O pneu não havia furado por acaso.

Pouco depois das quatro da manhã, quando a rua estava completamente vazia, eu estive ao lado daquele carro.

O corte foi pequeno.

Quase invisível.

Nada que chamasse atenção antes que o ar começasse a escapar.

Eu não queria assustá-la.

Não queria causar um acidente.

Queria apenas interromper a rotina.

Uma pequena alteração.

O suficiente para fazer Aléxia precisar de alguém.

E, naquela manhã, esse alguém seria eu.

Passei a mão pelo bolso do casaco.

O canivete ainda estava ali.

Fechado.

Limpo.

Eu o carregara por hábito.

Ou talvez por segurança.

Era difícil explicar a diferença.

Algumas pessoas poderiam chamar aquilo de obsessão.

Eu preferia chamar de cuidado.

Aléxia não sabia o quanto eu já havia evitado problemas que ela sequer percebeu que poderiam acontecer.

Dias antes, por exemplo, eu havia notado o desgaste dos pneus.

Também percebi que as pastilhas de freio precisavam ser trocadas.

Ela dirigia todos os dias.

Pegava avenidas movimentadas.

Confiava demais no próprio carro.

Confiava demais nas pessoas.

E eu não confiava em nenhuma dessas coisas.

Se alguém precisava prestar atenção nela, seria eu.

Meu celular vibrou.

Olhei para a tela.

7h47.

Aléxia ainda estava ao lado do carro.

Exatamente como previsto.

Liguei o motor.

Saí da vaga.

Parei lentamente junto à calçada.

Ela levantou os olhos.

Por um instante, nossos olhares se encontraram.

Foi a primeira vez que ela me viu.

Pelo menos era o que ela acreditava.

Baixei o vidro.

Eu havia pensado naquele momento muitas vezes.

Mas pensar era diferente de viver.

Ela parecia ainda mais bonita pessoalmente.

Não apenas bonita.

Real.

Cansada.

Irritada.

Um pouco perdida.

Era exatamente a expressão que eu esperava.

Mantive as mãos visíveis sobre o volante.

Não queria parecer ameaçador.

Nem interessado demais.

Um homem qualquer.

Uma pessoa gentil passando pelo lugar certo na hora certa.

Era assim que ela precisava me enxergar.

— Parece que seu dia começou complicado.

Ela soltou uma risada curta.

Nervosa.

Olhou para o pneu e depois para mim.

— Nem me fale.

A voz dela era mais suave do que eu imaginava.

Precisei controlar a vontade de sorrir.

Não era o momento.

Ainda não.

— Problema no pneu?

Ela olhou novamente para a roda.

— Acho que sim.

— Você precisa chegar a algum lugar?

Ela mostrou o celular.

— No trabalho. Tenho uma reunião em poucos minutos.

Claro que tinha.

Eu sabia.

Mas fingi surpresa.

— Nesse caso, talvez seja melhor deixar o carro aí e pedir ajuda depois.

Ela fez uma careta.

— Estou tentando conseguir um carro por aplicativo, mas ninguém aceita.

Olhou para a tela novamente.

O relógio corria.

Eu podia praticamente ouvir a ansiedade aumentando.

Era curioso como uma pessoa podia ficar tão vulnerável por causa de uma coisa tão pequena.

Um pneu vazio.

Alguns minutos de atraso.

Um estranho parado ao lado.

Inclinei levemente a cabeça.

— Se você quiser, posso deixar você no caminho.

Ela me encarou.

A dúvida apareceu imediatamente.

Era bom.

Eu precisava daquela dúvida.

Se aceitasse sem hesitar, seria estranho.

Se recusasse, eu teria que improvisar.

E eu não gostava de improvisar.

— Estou indo para o centro — continuei. — Meu escritório fica por lá.

Ela permaneceu em silêncio.

Eu não insisti.

A melhor maneira de convencer alguém era permitir que acreditasse que a decisão tinha sido dela.

Aléxia olhou para o celular.

Depois para o relógio.

Depois para o pneu.

Por fim, voltou a me encarar.

— Você sempre oferece carona para estranhos?

Sorri discretamente.

— Não.

Ela arqueou uma sobrancelha.

— Então por que está oferecendo agora?

Eu poderia ter dado várias respostas.

Nenhuma seria verdadeira.

Porque a verdade era simples demais.

Eu estava ali porque queria estar.

Eu sabia que ela sairia naquele horário.

Sabia que encontraria o pneu vazio.

Sabia que ficaria sem transporte.

Sabia que precisaria chegar ao trabalho.

E sabia que, naquele momento, a minha presença pareceria uma coincidência.

Mas ela não precisava saber disso.

Ainda.

— Porque, se eu estivesse no seu lugar, gostaria que alguém fizesse o mesmo.

Ela me observou por alguns segundos.

Então respirou fundo.

— Tudo bem.

O sorriso veio antes que eu pudesse impedir.

— Prometo que não vou sequestrar você no caminho.

Ela soltou uma risada.

— Isso era para me tranquilizar?

— Espero que sim.

Ela balançou a cabeça, divertida.

Pegou a bolsa no carro.

Trancou as portas.

Depois caminhou na minha direção.

Eu permaneci onde estava.

Não fui encontrá-la.

Não queria apressá-la.

Ela precisava sentir que estava se aproximando porque havia escolhido fazer isso.

Quando abriu a porta do passageiro, hesitou por um instante.

Olhou para mim.

— Obrigada.

— Não precisa agradecer.

Ela entrou.

Fechou a porta.

O som abafado da rua desapareceu.

Por alguns segundos, nenhum de nós falou.

Ela colocou o cinto.

Eu liguei a seta.

Tudo estava exatamente onde deveria estar.

O café continuava no banco do passageiro.

O relógio marcava 7h51.

Aléxia olhou para o copo térmico.

O cheiro de canela se espalhou pelo interior do carro.

Ela franziu levemente a testa.

Eu mantive os olhos na rua.

— Esse café é seu? — perguntou.

Olhei rapidamente para o copo.

Depois para ela.

— Não exatamente.

Estendi a mão e entreguei o recipiente.

— Pode ficar.

Ela segurou o copo.

Sentiu o aroma.

— O que tem aqui?

Sorri.

— Café.

Ela riu.

— Eu percebi.

Dessa vez, deixei escapar uma risada baixa.

— Espresso duplo.

Fiz uma pequena pausa.

— Pouco açúcar.

Os olhos dela se levantaram lentamente para os meus.

Eu não desviei.

— E canela.

O silêncio que veio depois foi diferente.

Ela olhou para o copo.

Depois novamente para mim.

— Como você sabe que eu gosto assim?

A pergunta finalmente chegou.

Eu já sabia que chegaria.

Sorri.

Calmo.

Tranquilo.

Como se não houvesse absolutamente nada de estranho naquela situação.

— Sorte.

Ela continuou me olhando.

Por alguns segundos, parecia tentar decidir se acreditava em mim.

Então desviou os olhos.

Olhou pela janela.

E levou o copo aos lábios.

Dei partida.

O carro entrou novamente no trânsito da manhã.

Aléxia ainda acreditava que tinha tido sorte.

Que um estranho apareceu no momento certo.

Que o pneu furado era apenas um azar.

Que o café era apenas uma coincidência.

Eu não corrigi nenhuma dessas ideias.

Porque, naquele momento, ela ainda precisava acreditar que nosso encontro tinha sido obra do destino.

E eu precisava que ela jamais imaginasse quanto tempo eu havia passado preparando aquele momento.

Dois meses.

Cada horário.

Cada caminho.

Cada detalhe.

Tudo havia levado até aquela manhã.

E agora ela estava sentada ao meu lado.

Exatamente onde eu queria.

O primeiro passo estava dado.

O resto seria muito mais fácil...

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VESPA
estou amando o livro
2026-08-12 04:48:43
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CAPÍTULO 1 - Café Duplo, Pouco Açúcar
CAPÍTULO 2 - Coincidências Não Existem?
CAPÍTULO 3 — O Gosto de Uma Primeira Impressão.
CAPÍTULO 4 - Café, Vinho e Coincidências
CAPÍTULO 5 - Pequenos Acasos
CAPÍTULO 6 - Preparação
CAPÍTULO 7 - Um Café e Algumas Verdades
CAPÍTULO 8 - O Próximo Movimento
CAPÍTULO 9 - Mais Uma Coincidência
CAPÍTULO 10 - Chocolate Quente
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