Mundo de ficçãoIniciar sessão(POV: Sophie)
O táxi me deixou diante da casa funerária, um casarão antigo de pedra escura que parecia absorver o frio daquela tarde. Respirei fundo, o estômago embrulhado. Não era apenas o luto que me apertava, mas a presença iminente da sra. Lúcia Drummond, minha sogra, cuja antipatia por mim era um fardo constante. Então, mandei uma mensagem para Caleb. “Amor, eu cheguei. Estou aqui na frente” Digitei, enquanto tentava me fazer invisível, encostada a um pilar de mármore. Foi então que um carro preto, de luxo, parou à minha frente. A porta traseira abriu, e dele saiu o homem mais imponente que já vi. Alto, forte, com um rosto austero e olhos cinza-ferro que pareciam não apenas me olhar, mas decidir se eu merecia estar ali. Seu olhar parou fixo em mim, me deixando desconfortável. Instintivamente, dei um passo para o lado, mas ele veio em minha direção. Parou bem na minha frente, sua sombra me cobrindo por completo. O cheiro de seu perfume amadeirado invadiu meus sentidos e, por um segundo, meu coração falhou uma batida. Era o mesmo perfume da noite anterior. O mesmo perfume que Caleb usou ontem. — O que faz aqui? — perguntou ele. A voz era baixa, fria, mas carregada de uma autoridade que me fez estremecer. — Eu... eu vim para o velório do senhor Rodrigo Drummond — respondi, tentando manter a voz firme, apesar da confusão que nublava minha mente. Aqueles olhos... eu os conhecia, só não lembrava de onde. — Quem é você? — ele insistiu, dando um passo à frente, invadindo meu espaço pessoal de uma forma que deveria me assustar, mas que me deixava estranhamente hipnotizada. — S-Sophie. Sophie Bergamin. Seus olhos percorreram meu rosto com uma lentidão deliberada. Por uma fração de segundo, a frieza analítica deu lugar a algo mais... pessoal. Uma curiosidade intensa, quase predatória. — Bergamin — ele repetiu meu sobrenome, como se testasse o som do nome em sua boca, saboreando cada sílaba. — Não me lembro de nenhuma família Bergamin associada aos Drummonds. O que exatamente você é do meu irmão? A pergunta me pegou de surpresa. Irmão? Ele era o irmão do Rodrigo? O tio de quem Caleb falava com tanto rancor? Pensei. A aura de intimidação era palpável, mas havia um brilho de interesse genuíno em seu olhar que me deixava sem fôlego. — Eu sou a nora do senhor Rodrigo — esclareci, sentindo minhas bochechas queimarem. — Sou a noiva do Caleb. O efeito das minhas palavras foi imediato. O brilho de curiosidade em seus olhos foi substituído por algo rápido e difícil de decifrar. Desprezo? Choque? Foi como se um balde de água gelada tivesse sido jogado sobre a tensão que crescia entre nós. — Entendo — murmurou ele, a voz tornando-se subitamente mais distante, embora o olhar ainda estivesse fixo em mim, agora com uma nova camada de frieza. O silêncio pesou, denso e desconfortável, até que a voz de Caleb cortou a tensão. — Tio Alexandre? — Caleb apareceu na entrada, e o homem à minha frente virou-se. A rigidez em seu rosto desapareceu, dando lugar a uma máscara sociável que não existia quando ele falava comigo. — Caleb — disse ele, o tom agora polido e controlado. Caleb me puxou para perto, beijando meu rosto com uma possessividade que, pela primeira vez, me incomodou. — Vejo que já conheceu a Soph. Tio, esta é minha noiva, Sophie Bergamin. Ele estendeu a mão, quando Caleb nos apresentou formalmente, e o aperto de mão de Alexandre, foi firme e quente. — Foi um prazer conhecê-la, Sophie — ele disse, e por um instante, o sorriso que ele me deu foi encantador e absolutamente hipnotizante, antes de ele se virar e desaparecer para dentro do casarão. Joguei-me nos braços de Caleb, sentindo minhas pernas fracas. — Caleb… ele… ele é muito pior do que você descreveu. Ele me abraçou, mas meus olhos ainda buscavam a sombra de Alexandre no corredor escuro. — Eu sei. Mas ele não vai ficar por muito tempo — Caleb sussurrou. As palavras deveriam me acalmar, mas o olhar de Alexandre ainda queimavam em minha memória, deixando claro que nada seria simples a partir de agora.






