Mundo de ficçãoIniciar sessãoSinopse para **A Protegida de Ghost - Renegados MC**: Aurora nunca quis pertencer ao mundo dos Renegados MC. Ela conhecia bem o preço da violência, da lealdade cega e dos homens que mandavam primeiro e explicavam depois. Mas quando sua vida cruza o caminho de Ghost, o presidente frio e temido do clube, fugir deixa de ser uma opção. Ghost não protege qualquer pessoa. Ele comanda os Renegados com punho firme, carrega cicatrizes que não mostra a ninguém e aprendeu cedo que sentimentos são fraquezas perigosas. Mas Aurora desafia cada uma de suas regras. Ela não se curva, não se cala e enxerga demais — inclusive as rachaduras escondidas dentro do próprio clube. Enquanto uma traição ameaça destruir os Renegados por dentro, Aurora se torna peça central de um jogo de poder, desejo e vingança. Entre segredos, alianças perigosas e inimigos cada vez mais próximos, Ghost decide mantê-la sob sua proteção. O que ele não esperava era que protegê-la também significasse desejá-la, temê-la e precisar dela. E quando uma gravidez inesperada começa a mudar tudo, Aurora e Ghost terão que escolher entre sobreviver ao caos ou se render ao vínculo sombrio, intenso e impossível que nasceu entre eles. No território dos Renegados MC, amor nunca é seguro. Mas com Ghost, Aurora descobrirá que algumas proteções são também prisões — e algumas prisões parecem perigosamente com lar.
Ler maisPOV: Aurora
O relógio da cozinha marcava onze e quarenta e sete quando Aurora Valente entendeu que o silêncio do pai não era distração nem atraso. Rafael podia esquecer aniversários, promessas e até o nome de um homem a quem devia dinheiro, mas nunca deixava o café esfriar na xícara de porcelana azul. Naquela noite, a xícara permanecia cheia sobre a mesa, o telefone dele estava desligado e a porta do escritório tinha sido arrombada por dentro.
Aurora caminhou entre papéis espalhados e gavetas vazias, tentando conter a respiração. Havia uma mancha escura no tapete, mas era vinho, não sangue. O cofre atrás do quadro estava aberto. Dentro dele, restavam um passaporte vencido, uma fotografia de sua mãe e um envelope com o nome dela.
O bilhete tinha apenas duas linhas: “Não confie em ninguém que use o corvo. Se Ghost vier, diga que eu tentei impedir.”
Ela releu até ouvir os motores.
Não foi o ruído disperso de motos cruzando a avenida. Era um trovão organizado, grave e crescente, que fez os vidros vibrarem. Aurora guardou o bilhete no bolso da calça, pegou o pequeno revólver que Rafael mantinha sob a escrivaninha e voltou para a sala.
Cinco motocicletas pararam diante da casa. Os homens desmontaram sem pressa. Usavam coletes pretos com um crânio coroado por chamas e, acima dele, as palavras Renegados MC. O primeiro homem era grande, de barba escura e olhar atento. O segundo tinha o sorriso perigoso de quem apreciava confusão. O terceiro, porém, apagou todos os outros.
Dante Moretti entrou quando ela abriu a porta, como se já soubesse que seria recebido. Tinha cabelos quase negros, fios prateados nas têmporas, uma cicatriz curta junto à sobrancelha e o colete marcado com a faixa “Presidente”. Os olhos cinzentos pousaram no revólver em sua mão e depois subiram para o rosto dela.
— Se pretende atirar, senhorita Valente, tire o dedo do guarda-mato apenas quando decidir — disse Ghost. A voz era baixa e controlada. — Caso contrário, pode matar alguém por medo, e o medo é um péssimo atirador.
— Entrar na minha casa sem convite também parece uma decisão ruim — respondeu Aurora. — Dê meia-volta e leve seus homens.
O homem barbudo soltou uma respiração que poderia ser riso. Ghost não desviou os olhos.
— Meu nome é Dante Moretti. Alguns me chamam de Ghost. Este é Marco, meu vice-presidente, e o sujeito com pouca paciência atrás dele é Caio, nosso sargento de armas. Seu pai desapareceu com oito milhões e quatrocentos mil reais que pertencem ao meu clube. Portanto, a cortesia desta conversa depende da sua capacidade de me dizer onde ele está.
— Se eu soubesse, não estaria apontando uma arma para cinco desconhecidos à meia-noite.
A resposta de Ghost veio controlada:
— Poderia estar encenando. Rafael vivia de encenações.
Aurora ergueu o queixo.
— Meu pai emprestava dinheiro para homens que não conseguiam entrar em bancos. Isso não o tornava bom, mas também não transforma vocês em juízes.
— Não somos juízes. Juízes chegam depois do crime e fingem que a lei estava presente. Nós somos os homens que ficaram com quarenta famílias sem pagamento porque Rafael esvaziou o caixa de uma operação do clube.
A afirmação a atingiu de modo diferente. Aurora esperava ouvir sobre armas ou drogas, não salários.
— Que operação?
Marco respondeu, com a voz mais branda:
— Oficinas, transportadoras e segurança de carga. Negócios legais também têm folha de pagamento. O dinheiro sumiu três horas antes de seu pai abandonar o carro no aeroporto.
Ghost observou a surpresa dela como quem catalogava uma prova.
— O escritório está revirado? — perguntou Ghost.
— Isso não é da sua conta.
Ghost mediu as palavras antes de responder:
— A partir do momento em que alguém roubou o meu clube e deixou você aqui como a única ponta solta, passou a ser.
Ele avançou um passo. Aurora manteve a arma levantada, mas percebeu que Ghost não a temia. Não havia imprudência nele; havia cálculo. Ele notava o tremor mínimo no pulso dela, a posição dos móveis, a janela aberta atrás da cortina.
— Você não veio apenas cobrar — disse Aurora. — Acredita que alguém possa voltar para me procurar.
— Finalmente chegamos a uma pergunta útil.
Um estampido cortou a rua. O vidro da sala explodiu. Ghost atingiu Aurora antes que ela entendesse, envolvendo-a com o corpo e derrubando-a atrás do sofá. Marco e Caio sacaram armas. Mais dois disparos atingiram a parede.
— Fundos! — gritou Caio. — Carro escuro seguindo para o leste.
Ghost permaneceu sobre Aurora por um segundo, o antebraço apoiado ao lado da cabeça dela. O cheiro de couro, chuva e fumaça a envolveu. Não havia pânico em seu rosto, apenas uma fúria glacial.
— Ainda acha que somos o maior perigo nesta casa? — perguntou Ghost.
— Ainda não decidi.
O canto da boca dele se moveu, sem chegar a ser sorriso.
Ghost se levantou e ofereceu a mão. Aurora ignorou-a e ficou de pé sozinha.
— Você vem conosco — declarou Ghost. — Até eu descobrir quem atirou e onde está Rafael.
— Isso se chama sequestro.
Ghost mediu as palavras antes de responder:
— Chame de custódia hostil, se preferir precisão. Marco vai lacrar a casa. Você pode levar uma mala, seu telefone e qualquer remédio de que precise.
— E se eu recusar?
Ghost deixou a voz endurecer:
— Então Caio ficará na varanda discutindo maneiras criativas de convencê-la, enquanto o atirador dá a volta no quarteirão. Eu não recomendo nenhuma das duas experiências.
Aurora olhou a janela destruída, depois os homens. O bilhete pesava no bolso. “Se Ghost vier, diga que eu tentei impedir.” Rafael sabia que aquilo aconteceria e a deixara no centro da explosão.
— Eu vou — disse Aurora. — Mas não como prisioneira. Quero respostas, acesso ao que vocês têm contra meu pai e liberdade para falar com minha advogada.
Ghost aproximou-se o bastante para que só ela o ouvisse.
— Você pode negociar os detalhes quando estivermos vivos ao amanhecer. Por enquanto, Aurora, a única promessa que faço é que ninguém toca em você sem passar por mim.
Era uma proteção e uma ameaça na mesma frase. Ela odiou o arrepio que sentiu.
Quando saiu de casa entre os Renegados, Aurora viu um pequeno desenho pintado no poste diante do portão: um corvo preto de asas abertas. O símbolo do bilhete de Rafael.
Alguém estivera esperando por eles.
POV: CaioBeatriz Leme correu como mãe.Foi isso que a tornou fácil de prever e difícil de odiar naquele momento específico.Caio a viu pela primeira vez na estrada de serviço atrás do mercado, dirigindo um carro roubado com uma imprudência que não combinava com a mulher fria da casa de vidro. Ela cortou uma curva, quase bateu em um caminhão de entrega e continuou sem reduzir. Quem olhasse de longe veria fuga. Caio via desespero.Tainá, no banco ao lado dele, também via.— Álvaro sabe que ela viria por aqui — disse.— Então onde está a armadilha?Sofia respondeu pelo rádio:— Tenho dois veículos sem placa parados perto da entrada de serviço do condomínio. E uma van da Fundação Recomeçar saindo pelos fundos.— Clara está na van — Tainá falou.Caio acelerou.— Beatriz ainda não viu.— Vai ver.Como se a estrada obedecesse à frase, o carro de Beatriz freou bruscamente ao avistar a van. Ela abriu a porta antes mesmo de estacionar direito e correu para o meio da rua.— Clara!A van não par
POV: TaináO beijo aconteceu onde não deveria.Não houve música, silêncio perfeito, chuva delicada ou tempo suspenso. Houve fumaça, vidro quebrado, gente ferida, rádio chiando e dona Lúcia gritando que alguém precisava tirar entulho da porta antes que ela mesma fizesse “com a coluna ruim e ódio suficiente”.Tainá estava no corredor lateral da sede, lavando fuligem das mãos em uma torneira externa. A água escorria preta pelos dedos. Caio apareceu com uma toalha limpa, ficou ao lado e não falou nada por quase um minuto.O silêncio dele já não parecia ausência.Parecia cuidado tentando não invadir.— Você está me olhando como se eu fosse quebrar — ela disse.— Estou te olhando como se você tivesse quase explodido.— Tecnicamente, foi o muro.— Não ajuda.Tainá pegou a toalha. Os dedos deles se tocaram. Um toque pequeno, comum, ridículo para tudo que já tinham enfrentado. Ainda assim, a pele dela pareceu lembrar antes da cabeça.Caio percebeu e retirou a mão devagar.Ela não deixou.Segur
POV: CaioCaio ouviu a explosão pelo rádio antes de ver a fumaça.O som atravessou o canal e rasgou tudo que ele tinha acabado de conseguir segurar. Núcleo São Pedro estava salvo. As crianças respiravam no banco de trás da van de Lobo. As mulheres choravam, vivas, sendo encaminhadas para a rota de Marisa. Por dois minutos, ele achou que o pior tinha passado.Então a sede da Rede Helena explodiu na tela de Sofia.E Tainá estava lá.O velho Caio assumiu o volante dentro dele.Gritou para correr, derrubar porta, arrancar Tainá do lugar, colocá-la em qualquer quarto trancado e matar o mundo do lado de fora. O velho Caio tinha respostas rápidas, brutais, confortáveis. Quase sempre erradas.Ele apertou o rádio.— Tainá, relatório.A voz dela veio com estática, tosse e firmeza.— Explosão externa. Provável carro-bomba pequeno ou cilindro no muro. Sem queda estrutural. Aurora comigo. Sofia ferida leve no braço. Marisa bem. Dona Lúcia xingando, então viva.O ar voltou, mas não inteiro.— Onde
POV: TaináA Rede Helena não queimou de uma vez.Queimou em pontos.Uma denúncia falsa no abrigo antigo. Um princípio de incêndio na Casa Três. Um carro suspeito parado perto da escola de uma criança protegida. Uma viatura que não devia saber endereço nenhum. Mensagens anônimas chegando a mulheres que haviam trocado de nome. O Argos não atacava como gangue. Atacava como doença espalhada pelo sangue.Tainá ficou na central da sede com três telefones, dois mapas e a sensação de que cada segundo perdido podia custar uma vida.Aurora estava ao lado dela, comandando com uma calma que parecia impossível. Sofia rastreava acessos. Marisa ligava para padarias, vizinhas, entregadores e mulheres que sabiam mais da rua do que qualquer câmera. Isadora gritava com autoridades no viva-voz. Ghost distribuía Renegados. Caio estava na rua, seguindo o plano dela.Aquilo ainda parecia errado e certo ao mesmo tempo.Ele seguir.Ela comandar.— Casa Três evacuada — Sofia informou. — Incêndio controlado. Se










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