Vendida pela madrasta

Vendida pela madrastaPT

Romance
Última atualização: 2026-07-03
Luana  Atualizado agora
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Índice

Algumas prisões são feitas de ferro e outras são feitas de mentira. Laura Montinegro descobriu isso da pior forma. Desde de 4 anos ela acreditou que sua mãe tinha morrido em um trágico acidente. Quando anos depois seu pai se casou novamente ela acreditou ele ter conhecido uma mulher boa que o faria feliz novamente e cuidaria dela como uma verdadeira mãe. Mas na verdade ele se casou com uma mulher que odiava ela,e carregava grandes segredos. Segredos que mais tarde mudaria a vida de Laura completamente. Mas um dos primeiro segredos que seria revelado era que o pai de Laura,Bernardo Montenegro não era somente um empresário,mas um dos líderes de uma grande organização da máfia. É aos poucos tudo que estava escondido foi se revelando. Isso aconteceu logo após sua madrasta vender Laura para um cruel mafioso.

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Capítulo 1

A nova esposa do meu pai

Eu tinha seis anos quando meu pai decidiu se casar novamente.

Na época, achei que aquilo era uma boa notícia.

Depois que minha mãe morreu, nossa casa nunca mais foi a mesma.

Mesmo sendo apenas uma criança, eu conseguia perceber a tristeza que meu pai carregava.

Às vezes eu o encontrava sozinho no escritório olhando fotografias antigas.

Outras vezes, ele simplesmente ficava sentado no jardim, em silêncio.

Eu sentia falta da minha mãe.

Mas sentia falta do sorriso dele também.

Por isso, quando ele me chamou para conversar naquela manhã, fiquei feliz ao vê-lo sorrindo.

— Princesa, venha cá.

Corri até ele e subi em seu colo.

— O que foi, papai?

— Tenho uma novidade.

— Boa ou ruim?

— Muito boa.

Eu sorri.

— Então conta!

Ele riu.

— Eu vou me casar.

Meus olhos se arregalaram.

— Casar?

— Sim.

— Com quem?

— Com a Paola.

— A moça bonita?

— A própria.

Eu fiquei alguns segundos pensando.

— Você gosta muito dela?

Ele sorriu daquele jeito que eu não via havia muito tempo.

— Muito.

— Ela faz você feliz?

O sorriso dele aumentou.

— Faz.

Então balancei a cabeça.

— Então eu gosto dela também.

Meu pai me abraçou forte.

— Você é a melhor filha do mundo.

Naquele momento, eu realmente acreditava que tudo daria certo.

O casamento aconteceu duas semanas depois.

A cerimônia foi realizada em uma propriedade enorme da família.

Flores brancas estavam espalhadas por todos os lados.

Havia músicos.

Convidados elegantes.

Fotógrafos.

Tudo parecia um conto de fadas.

Eu usava um vestido azul-claro cheio de rendas.

E meu pai não parava de dizer que eu parecia uma princesa.

— Você está linda.

— Mais linda que a noiva?

Ele levou a mão ao peito dramaticamente.

— Essa pergunta é uma armadilha.

Eu gargalhei.

— Então eu sou mais bonita.

— Claro que é.

— Eu sabia.

Meu pai me pegou pela mão.

— Venha. Quero que fique ao meu lado.

Enquanto caminhávamos entre os convidados, percebi que todos pareciam respeitá-lo.

Homens engravatados cumprimentavam meu pai com muito cuidado.

Alguns pareciam até nervosos.

Mas eu não entendia aquilo.

Para mim, ele era apenas meu pai.

O homem que me levava para tomar sorvete.

O homem que me ensinava a andar de bicicleta.

Nada mais.

A música começou.

Todos se levantaram.

E então Paola apareceu.

Ela estava usando um vestido branco brilhante.

Os cabelos loiros caíam sobre os ombros.

Seu sorriso parecia perfeito.

As pessoas suspiraram ao vê-la.

Meu pai também.

Ele não conseguia tirar os olhos dela.

Quando chegou ao altar, ela segurou as mãos dele.

— Você está lindo — ela disse.

— Não mais do que você.

Ela sorriu.

E naquele momento parecia realmente apaixonada.

A cerimônia seguiu normalmente.

Promessas.

Alianças.

Aplausos.

E então eles se beijaram.

Todos comemoraram.

Inclusive eu.

Eu queria ver meu pai feliz.

A festa começou logo depois.

Havia música por toda parte.

Pessoas dançando.

Garçons andando de um lado para o outro.

Crianças correndo pelo jardim.

Em determinado momento, meu pai foi conversar com alguns convidados.

Foi então que Paola se aproximou.

Ela se ajoelhou na minha frente.

— Está se divertindo?

— Sim.

— Que bom.

Ela sorriu.

— Sabe de uma coisa?

— O quê?

— Agora somos uma família.

Eu sorri.

— Você vai morar com a gente?

— Vou.

— Para sempre?

Ela passou a mão pelos meus cabelos.

— Para sempre.

Naquele instante, acreditei nela.

Completamente.

Algum tempo depois, fui para uma das mesas onde estavam meus lápis de cor.

Eu adorava desenhar.

Peguei uma folha e comecei a fazer um desenho da minha família.

Eu.

Meu pai.

E minha mãe.

A verdadeira.

A mulher que havia morrido.

Quando terminei, fiquei orgulhosa.

Então decidi mostrar para Paola.

Corri pela mansão procurando por ela.

Passei por um corredor.

Depois por outro.

Até encontrá-la sozinha perto de uma varanda.

— Paola!

Ela se virou.

— Sim, querida?

— Fiz um desenho!

Entreguei a folha para ela.

Seu sorriso desapareceu.

No desenho estava minha mãe.

No meio de nós.

Por alguns segundos, Paola ficou imóvel.

Observando o papel.

Seus olhos ficaram frios.

Gelados.

Diferentes.

Muito diferentes.

Eu nunca tinha visto aquele olhar.

— Quem é ela? — perguntou.

— Minha mãe.

O silêncio tomou conta do corredor.

— Eu sinto saudade dela.

Paola continuou olhando o desenho.

Depois amassou a folha lentamente.

Meu coração apertou.

— Por que você fez isso?

Ela me encarou.

— Algumas pessoas precisam ficar no passado.

— Mas ela é minha mãe.

— E eu sou sua nova mãe agora.

Seu tom de voz era duro.

Frio.

Assustador.

Meus olhos começaram a encher de lágrimas.

Naquele momento ouvi passos se aproximando.

Paola olhou para trás.

E tudo mudou.

Como se alguém tivesse apertado um botão.

O sorriso voltou imediatamente.

Ela desamassou o papel.

Tentando escondê-lo.

— Laura!

A voz do meu pai ecoou pelo corredor.

Ele apareceu sorrindo.

— Vocês duas estão aqui.

Paola passou o braço pelos meus ombros.

— Sua filha estava me mostrando um desenho lindo.

— Sério?

— Sim.

Meu pai sorriu.

— Eu disse que vocês duas se dariam bem.

Paola concordou.

— Ela é uma menina maravilhosa.

Meu pai beijou minha testa.

E continuou caminhando sem perceber nada.

Absolutamente nada.

Eu olhei para Paola.

Ela ainda sorria.

Mas seus olhos...

Seus olhos eram diferentes.

Pela primeira vez desde que a conheci, senti um arrepio.

Um medo estranho que não conseguia explicar.

Naquele dia, meu pai ganhou uma esposa.

E eu ganhei uma madrasta.

Mal sabia eu que aquele seria o início dos piores anos da minha vida.

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