Mundo ficciónIniciar sesiónPrometida a Marco Mancini desde os 18 anos, Camila Zucconelli passou sua juventude planejando sua própria liberdade. Ele, frio, calculista e acostumado a controlar tudo ao seu redor, vê no casamento apenas um contrato: um sobrenome poderoso e um herdeiro para perpetuar seu legado. Ela, por outro lado, apenas esperou até os 25 anos para cumprir o papel que lhe foi imposto, mantendo sua pureza e preservando a própria vontade em silêncio. Quando seus caminhos finalmente se cruzam, a indiferença dá lugar à tensão, e segredos antigos ameaçam transformar um acordo de conveniência em algo muito mais perigoso — e irresistível. Entre olhares silenciosos, gestos sutis e desejos proibidos, o casamento de conveniência se transforma em um jogo de atração, onde cada movimento tem consequências e ninguém sai ileso. Entre alianças perigosas, vingança silenciosa e o peso de legados familiares, descobrir a verdade pode ser tão perigoso quanto se apaixonar. Marco e Camila terão que decidir se cumprem apenas suas obrigações… ou se rendem ao que não podem controlar.
Leer másO escritório ocupava o último andar do arranha-céu. A cidade se estendia aos meus pés, borrada pela chuva fina que caía lá fora, transformando o horizonte em um quadro enevoado. Cada luz, cada movimento parecia previsível, como se eu já soubesse o que aconteceria em cada esquina.
Ricardo estava ao meu lado, imóvel, observando cada gesto meu. Ele sabia interpretar sinais que outros nem perceberiam — um leve franzir de sobrancelha, a postura, a forma como apoiava as mãos na mesa. Não precisávamos de palavras. Alexandre entrou. Cada passo ecoou pelo chão de madeira polido, carregando a frustração e a expectativa de alguém que sempre precisou ser obedecido. O rosto dele mostrava impaciência, desaprovação, uma insistência silenciosa de quem ainda acredita que pode impor vontade. Passei a mão pelo queixo, sem me mover. Ele achava que poderia atravessar minha indiferença com a força do olhar. Não podia. — Marco, você está com 28 anos — disse ele, voz grave e medida. — No auge da sua força e disposição. É hora de pensar no futuro da família. Eu o ouvi. Respeito não significa submissão, e sabia que cada palavra dele carregava exigência, expectativa e o peso de gerações. Mantive os olhos na cidade, respiração constante. — Não preciso de esposa. Nem de herdeiro — disse, firme. — Minha vida não gira em torno de legados ou tradições familiares. Ele estreitou os olhos, cada linha no rosto uma tentativa de me pressionar, de lembrar quem ele era, de mostrar que podia exigir mais do que eu queria. — Isso não é escolha, Marco. É responsabilidade. Cada Mancini antes de você cumpriu o que era necessário. E você também terá que cumprir. Inclinei-me levemente sobre a mesa, apoiando as mãos. Uma pausa longa, quase desafiadora, mas com atenção. Eu ouvia. Sabia que ele tentava me dobrar, mas não precisava reagir com emoção. Cada gesto meu era calculado, cada silêncio, uma resposta. Escutar era tão importante quanto falar. — Se isso é o que você espera de mim, vou considerar. Alexandre respirou fundo, lábios pressionados. Ricardo permanecia ao lado, atento. Sabia que eu compreendia a exigência dele, respeitava o peso que carregava como pai e líder da família, mas isso não significava que eu me curvaria. Respeito e obediência não são a mesma coisa. — Você precisa de uma esposa. Um herdeiro. E não qualquer herdeiro — disse ele, avançando um passo — Alguém com sangue puro, de famílias poderosas, com dinheiro e influência. O nome Mancini não pode desaparecer com a sua indiferença. Soltei um suspiro contido, ombros relaxando apenas o suficiente. Nada mais. Os olhos continuaram fixos na cidade, frios, calculistas. Ele estava exigindo, eu ouvia, mas cada movimento meu mostrava que sabia medir o que aceitava e o que não aceitava. — Vou considerar. Alexandre recuou, resignado. Ricardo permaneceu imóvel. Eu voltei-me para a janela, e a chuva continuava caindo, cortinas balançando. Refleti sobre o peso do legado, a expectativa do meu pai, e a própria responsabilidade que vinha com meu sobrenome. Não precisava concordar com desejos alheios. Escutava, aprendia, e cumpriria à minha maneira. O silêncio se tornou quase sufocante. Por um instante, percebi que nada poderia me dobrar… exceto por aquilo que ainda não conhecia.Guardei o kart no galpão com as mãos ainda trêmulas. O motor já estava desligado, e o silêncio voltava devagar, pesado. Mas dentro de mim ainda existia um eco — da velocidade, do grito preso, da raiva que eu tinha deixado na pista. Respirei fundo. Pela primeira vez desde que saí daquela casa, senti um alívio de verdade. Pequeno. Frágil. Mas real. Peguei o celular. 3:45. Meu estômago apertou. Ver aquela hora me trouxe de volta para a realidade. Guardei tudo rápido demais, quase desajeitada, e pedi outro Uber. Demorou. Demorou mais do que eu aguentava ficar parada. Quando finalmente aceitaram a corrida, passei o endereço… e pedi para me deixar cinco quadras antes. — Prefiro ir andando — disse, simples. O motorista apenas assentiu pelo retrovisor. Ele não perguntou nada. Desci, agradeci, e assim que o carro virou a esquina, tirei os saltos. Fiquei com eles em uma mão. A máscara na outra. Meu coração parecia solto dentro do peito, batendo forte demais, como se também esti
O som da festa continuava alto demais para o quanto eu estava ali de verdade. — Eu juro — Giovanni dizia, girando o copo entre os dedos — administrar três holdings ao mesmo tempo é um saco. Só reunião, advogado, imposto… parece que quanto mais dinheiro entra, menos liberdade a gente tem. — Liberdade morreu quando a gente nasceu com sobrenome — Enrico riu, encostando no balcão. — O resto é ilusão bem paga. — Fala isso pro meu contador — Bruno soltou uma gargalhada torta, já claramente passado do ponto. — O cara me liga mais que minha mãe. Eu não disse nada. Só bebi. O uísque desceu queimando, mas nem isso trouxe minha cabeça de volta. Em uma mão, o copo pesado. Na outra, a pulseira vermelha. O plástico fino pressionado entre meus dedos como se fosse a única coisa sólida naquela noite. — Marco? — Giovanni me olhou de lado. — Você tá quieto demais. Dei de ombros. — Tô ouvindo. Mentira. Minha mente estava em outro lugar. Em outro cheiro. Em outro corpo. — Falando
As batidas na porta cortaram tudo. Foi como se alguém tivesse jogado água fria em mim. O som veio seco, direto, e a primeira coisa que senti não foi medo — foi lucidez. Uma lucidez brusca, quase cruel. Meu corpo ainda estava quente, reagindo, pedindo mais, mas a mente voltou rápido demais, lembrando exatamente onde eu estava… e o que estava prestes a fazer. Aquilo não podia continuar. Não daquele jeito. Não ali. Não com ele. O pior era admitir o quanto eu queria ficar. O quanto cada parte de mim implorava para ignorar a razão, para fingir que o mundo lá fora não existia. Nunca tinha sentido aquilo antes. Nunca. O calor entre as pernas, intenso, vivo, impossível de disfarçar. Meu corpo inteiro reagia a ele de um jeito novo, assustador e viciante. Era demais. Bom demais. E exatamente por isso, perigoso demais. Se eu ficasse mais um segundo, eu não sairia. Eu sabia. Então me movi rápido. Arrumei o vestido com mãos que tremiam, tentando parecer no controle qu
A voz era clara. Inconfundível. Dante. O sangue subiu na minha cabeça na mesma hora. Senti o calor subir pelo peito, a irritação vindo rápido demais. — Porra… — rosnei baixo, passando a mão pelo rosto, tentando me recompor. Ela me olhou como se tivesse levado um choque. Os olhos se arregalaram. O corpo inteiro ficou rígido, como se tivesse sido puxada de volta à realidade. A respiração, que antes estava quente e fora de controle, ficou curta e presa no peito. Consciência. Medo. A realidade voltando de uma vez. Ela se afastou rápido demais, quase se atrapalhando no movimento. — Espera — falei, dando um passo à frente, a voz mais firme do que eu queria. Ela já ajeitava o vestido, puxando o tecido para o lugar. Os dedos tremiam um pouco enquanto tentava parecer normal. O gesto foi rápido, apressado. Parecia pronta para fugir. — Você não precisa ir — eu disse, firme. — A gente pode continuar. Ela balançou a cabeça, nervosa, mordendo o lábio por um instante antes de respon
Quando ela olhou para a minha boca, algo em mim cedeu. Um arrepio subiu sem aviso, tenso, quente. O controle que eu vinha mantendo desde que entrei naquele banheiro apertou demais. Precisei de esforço para manter a respiração estável. Ela ainda estava de máscara. Inteira escondida. E, ainda assim, exposta demais. Tudo fazia sentido. Mesmo com metade do rosto coberto, a presença dela era forte. O corpo tenso, alerta. A tentativa visível de se manter firme enquanto o corpo gritava de desejo. O perfume dela invadiu minhas narinas — uma mistura perigosa de inocência e perdição absoluta. Ela era uma tentação. Uma tentação que eu não conseguia controlar. Vi os ombros dela se tensionarem. A respiração sair curta, irregular. O espaço entre nós diminuiu sem que eu desse um passo consciente. O ar ficou denso, quente, pesado demais para aquele banheiro pequeno. Eu sentia a respiração dela misturada à minha, rápida demais para ser controlada. Aquilo me atin
Tudo havia ficado claro naquele momento. O entendimento não veio como um pensamento, mas como um choque silencioso que percorreu o corpo inteiro, rápido demais para ser evitado. O arrepio que havia percorrido minha pele antes voltou, mais forte. A lembrança física veio primeiro, fazendo meus ombros se tensionarem sem que eu percebesse. Minha respiração saiu do ritmo. Curta demais. Rápida demais. Como se o corpo tivesse esquecido o compasso normal. O incômodo constante de ser observada. Agora fazia sentido. Sempre fez. Era ele. O reconhecimento não trouxe alívio — trouxe impacto. Agora, sem máscara, o rosto dele estava nítido demais para ser ignorado. Forte. Marcado. Os traços firmes, quase duros, contrastavam com o controle evidente que ele exercia sobre si mesmo. As tatuagens não eram um detalhe — eram parte da presença. Subiam pelo pescoço, desciam pelas mãos, como se o corpo inteiro carregasse histórias que não pediam permissão para existir. Meus olh
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