Mundo ficciónIniciar sesiónPrometida a Marco Mancini desde os 18 anos, Camila Zucconelli passou sua juventude planejando sua própria liberdade. Ele, frio, calculista e acostumado a controlar tudo ao seu redor, vê no casamento apenas um contrato: um sobrenome poderoso e um herdeiro para perpetuar seu legado. Ela, por outro lado, apenas esperou até os 25 anos para cumprir o papel que lhe foi imposto, mantendo sua pureza e preservando a própria vontade em silêncio. Quando seus caminhos finalmente se cruzam, a indiferença dá lugar à tensão, e segredos antigos ameaçam transformar um acordo de conveniência em algo muito mais perigoso — e irresistível. Entre olhares silenciosos, gestos sutis e desejos proibidos, o casamento de conveniência se transforma em um jogo de atração, onde cada movimento tem consequências e ninguém sai ileso. Entre alianças perigosas, vingança silenciosa e o peso de legados familiares, descobrir a verdade pode ser tão perigoso quanto se apaixonar. Marco e Camila terão que decidir se cumprem apenas suas obrigações… ou se rendem ao que não podem controlar.
Leer másO bar estava cheio naquela noite, mas não de um jeito sufocante. O som das conversas misturado à música baixa criava aquele tipo de ambiente confortável, conhecido, onde ninguém precisava medir palavras o tempo todo. A iluminação amarelada refletia nos copos de uísque espalhados sobre a mesa, enquanto a fumaça discreta dos charutos de alguns homens próximos deixava o ar mais pesado. Já fazia alguns dias desde toda a confusão envolvendo Patrícia, Matteo, e a sensação constante de que minha cabeça nunca mais tinha silenciado de verdade. Mesmo assim, ali, sentado com eles, era uma das poucas vezes em que eu conseguia sentir algo próximo de normalidade. Bruno foi o primeiro a quebrar o assunto sobre negócios, encostando as costas no sofá enquanto girava o copo entre os dedos. — Acho que eu tô cansando dessa vida. Dante soltou uma risada curta na mesma hora. — Você bêbado assim já falou isso umas cinquenta vezes. — Não tô brincando agora — Bruno rebateu, apontando o dedo na
Quando cheguei em casa, a sensação era de que meu corpo estava funcionando sozinho, no automático, enquanto minha mente ainda permanecia presa naquele corredor frio do hospital. No som dos aparelhos. Na imagem do Vicenzo imóvel naquela cama. E, principalmente, naquela frase do médico. “Só um milagre.” Aquilo não saía da minha cabeça. Tomei um banho demorado, deixando a água quente cair sobre meus ombros numa tentativa inútil de aliviar a tensão que parecia presa na minha pele desde a noite anterior. Fechei os olhos por alguns segundos, respirando fundo, mas toda vez que tentava me acalmar, a imagem do acidente voltava. Saí do banho sentindo o corpo pesado, vesti um moletom largo sem me importar muito com a aparência e prendi o cabelo de qualquer jeito antes do celular tocar sobre a cama. Amanda. Atendi quase imediatamente. — Meu Deus, Camila… eu vi as notícias. O que aconteceu? A preocupação dela atravessou a ligação tão rápido que por um instante eu quase desabe
Patrícia apareceu no meu escritório no fim da manhã do dia seguinte como se absolutamente nada tivesse acontecido entre nós. Elegante como sempre. O salto fino ecoava baixo pelo chão enquanto ela caminhava sem pressa até a minha mesa, usando um vestido claro que marcava o corpo na medida certa, perfume forte o bastante para chegar antes dela, mas suave o suficiente para não parecer exagerado. Ela sabia exatamente o efeito que causava. Sempre soube. Levantou os óculos escuros devagar, apoiando-os sobre a cabeça enquanto me observava com um pequeno sorriso nos lábios, daqueles treinados para desmontar qualquer resistência. — Você trabalha demais. Ignorei o comentário, mantendo os olhos nos documentos à minha frente. — O que você quer, Patrícia? Ela fingiu não perceber o tom frio. Deu a volta na mesa lentamente, os dedos deslizando pelo vidro até parar ao meu lado. Então se inclinou um pouco, aproximando o rosto do meu enquanto a mão repousava leve sobre o meu ombro. — Você ai
O tempo dentro daquele hospital parecia diferente do lado de fora. Mais lento. Como se cada minuto carregasse um peso impossível de ignorar. Eu permaneci ao lado da mãe do Vicenzo por horas, tentando manter alguma calma mesmo quando tudo dentro de mim parecia desmoronar aos poucos. Ela chorava em silêncio na maior parte do tempo, às vezes segurando minha mão com força, como se precisasse se prender a alguma coisa para não cair completamente. E eu deixava. Porque, naquele momento, não existia nada que eu pudesse dizer que realmente ajudasse. Já estava tarde quando percebi o quanto ela parecia exausta. O rosto abatido, os olhos inchados, o corpo cansado de um jeito que não era só físico. — A senhora devia ir descansar um pouco — falei baixo, tentando soar firme mesmo com a garganta apertada — eu fico aqui. Ela negou quase imediatamente. — Eu não consigo ir embora e deixar meu filho aqui sozinho… A voz saiu quebrada. Aproximei minha cadeira da dela e segurei suas mã










Último capítulo