Nas últimas semanas, eu vinha fazendo sempre a mesma coisa.
Ia até a pista, ficava encostada na grade, observava. Decorava curvas, tempos, erros. Via quem freava cedo demais, quem acelerava antes da hora, quem perdia posições por ansiedade. Não participava. Apenas assistia. Era o meu jeito de estar ali sem chamar atenção, sem quebrar regras invisíveis que eu mesma ainda respeitava.
Mas, naquela noite, algo estava diferente.
Não bastava mais olhar.
Era hora de testar a pista por conta própria.
Não disse a ninguém em casa para onde ia. Nem precisei. Ultimamente, minha ausência passava despercebida — desde que eu cumprisse horários, regras e silêncio.
O lugar estava diferente daquela primeira vez. Ou talvez fosse eu.
O som dos motores já não me assustava. O cheiro de borracha queimada não parecia agressivo. Havia algo familiar ali, quase reconfortante, como se aquele espaço não exigisse nada além de presença.
Vincenzo estava encostado na grade da pista quando me viu chegar