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Camila Zucconelli 006

Passei o dia inteiro trancada no meu quarto, chorando sem parar. Entre lágrimas e soluços, minha raiva e meu desespero se misturavam. Cada pensamento voltava àquilo que eu tinha ouvido — a reunião com homens importantes sobre meu futuro, sobre um casamento que eu nunca aceitei. Sentia o peito apertado, como se algo me arrancasse o ar, e minhas mãos tremiam de raiva e impotência.

Eu mal acreditava. Meu pai… meu próprio pai… que sempre foi tão amoroso comigo, de repente envolto em um ar frio e calculista, prometendo minha vida a estranhos. Eu não sabia quem eram, não conhecia nenhum deles. Eram apenas homens de terno, sérios, que se sentavam com expressão rígida e olhares firmes, como se estivessem decidindo sobre minha vida como se eu fosse nada além de uma peça.

Quando bati à porta, meu pai me chamou para entrar. A voz dele estava calma, mas firme, e eu podia sentir a seriedade por trás de cada palavra. A sala tinha uma luz suave, filtrada pelas persianas, mas nada suavizava a tensão que eu sentia. Eu entrei, mãos trêmulas, tentando organizar os pensamentos.

— Camila, precisamos conversar — disse ele, sentado à mesa, mãos apoiadas, postura ereta.

Meu coração disparou. Tentei controlar o choro, mas a raiva borbulhou na mesma hora:

— O que está acontecendo? — perguntei, a voz falhando — Eu ouvi as empregadas… disseram algo sobre… sobre um casamento? Com homens que eu nem conheço? Isso é loucura!

Ele suspirou, desviou o olhar por um instante, respirando fundo antes de falar:

— Camila, isso é para o seu futuro e para a família. Um contrato, uma aliança. Um dia você vai entender.

Eu senti meu corpo tremer. Quase não conseguia respirar.

— Entender? — gritei, quase surtando — Isso é coisa de velho! Eu não vou aceitar! Não vou me casar com alguém que nem conheço! Nunca!

— Camila… — ele começou, a voz firme — Eu sei que é difícil agora, mas um dia você verá que isso será melhor para todos.

A raiva queimava dentro de mim, mas havia também uma pontada de dor. Por que meu pai, que sempre cuidou de mim com tanto amor, me afastou desse jeito? O que aconteceu oito anos atrás? Eu nunca soube… mas aquilo agora parecia a prova de que ele não se importava mais.

— Eu não… não vou fazer isso! — disse, com lágrimas nos olhos — Por favor, pai, não faça isso comigo!

Ele desviou novamente o olhar, sem responder diretamente, e finalmente disse com calma:

— É o melhor a se fazer, Camila. Um contrato será benéfico para ambas as famílias. Você terá segurança, posição, futuro. É o seu destino.

Minha indignação cresceu, mas percebi que não adiantaria lutar contra ele agora. Ainda assim, precisava ganhar algo. Respirei fundo, tentando organizar a raiva:

— Tudo bem… — murmurei, a voz firme apesar do choro — Mas espere até eu ter 25 anos. Quero viver minha liberdade antes. Depois disso, farei o que for necessário.

Ele assentiu levemente, como se entendesse, e disse:

— Agora, saia, Camila. Depois teremos uma conversa mais completa.

Eu saí da sala, coração acelerado, lágrimas escorrendo. Sabia que a batalha havia apenas começado. Meu futuro já estava decidido por outros, mas ao menos teria alguns anos para ser eu mesma antes que se tornasse apenas uma peça, um contrato, uma moeda de troca. E era assim que eu me sentia — pequena, impotente, mas determinada a aproveitar cada instante que ainda era meu.

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