Foi a Amanda quem me chamou para sair naquela noite.
Aceitei sem pensar muito. Qualquer convite que me tirasse de casa parecia uma pequena vitória. Vesti-me sem cuidado excessivo, prendi o cabelo de qualquer jeito e saí com a sensação de que precisava respirar longe das paredes que, nos últimos dias, pareciam se fechar cada vez mais sobre mim.
Nos encontramos em um café simples. Nós três sentados ao redor da mesa: Amanda falando demais, como sempre, tentando manter o clima leve; Vincenzo mais quieto, observando tudo, os cotovelos apoiados na mesa, o olhar atento a cada reação minha.
Era inevitável. O assunto que todos tentavam evitar acabou surgindo.
— Ainda acho isso um absurdo — Amanda disse, visivelmente indignada. — Parece coisa de outro século.
Fiquei girando a colher dentro da xícara, sem beber.
— Eu também acho — respondi. — Mas ninguém parece se importar com o que eu penso.
Vi Vincenzo apertar a mandíbula. O olhar dele escureceu por um instante.
— Ninguém tem o