Luna Casas falam. Não com palavras, não de forma direta, mas com escolhas, com ausências, com o que foi deixado exatamente onde estava e nunca mais tocado. Aprendi isso cedo demais, talvez por passar mais tempo observando paredes do que pessoas, e aquela casa falava baixo, quase em sussurros, mas falava o tempo todo. Cheguei mais cedo naquela manhã, como Marco havia pedido, e o silêncio parecia ainda mais denso, como se o dia não tivesse sido autorizado a começar direito. Dona Teresa me recebeu com um sorriso contido, postura impecável, o tipo de presença que não se impõe, mas se faz notar. — O senhor Moretti ainda não desceu — informou. — Fique à vontade. À vontade era um conceito relativo ali dentro, mas agradeci e segui em direção à área onde trabalharia, tablet em mãos, mente focada, tentando ignorar a sensação de que aquela casa era grande demais para uma única pessoa. Trabalhei por quase uma hora, medindo, anotando, confirmando hipóteses, até perceber algo simples e profun
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