Luna
Eu estava rindo quando aconteceu.
Rindo de verdade, daquela risada solta que só aparece quando o Davi decide fazer uma análise completa e absolutamente desnecessária da minha vida amorosa recente, com direito a gráficos imaginários, teorias não solicitadas e conclusões dramáticas.
— O problema — ele dizia, mexendo o café com intensidade exagerada — é que você tem um talento natural para homens emocionalmente indisponíveis. Se isso fosse esporte olímpico, você já teria medalha, patrocínio e documentário na Netflix.
— Eu discordo — respondi. — O último era só confuso.
— Confuso é o nome carinhoso que você dá para trauma com pernas — ele rebateu, sério demais para alguém falando besteira.
Revirei os olhos, ainda sorrindo.
A cafeteria era daquelas novas, modernas, escondidas em uma rua tranquila, com mesas pequenas demais para conversas longas, iluminação baixa, plantas penduradas e gente bonita fingindo que trabalhava enquanto observava todo mundo ao redor. O tipo de lugar onde você