Luna
Depois do que aconteceu no corredor, a casa mudou.
Não fisicamente — as paredes continuavam no mesmo lugar, a luz entrava pelas janelas do mesmo jeito, Dona Teresa seguia com sua rotina silenciosa —, mas algo no ar parecia mais atento, como se tudo estivesse levemente em alerta.
E Marco também.
Ele não evitava minha presença, não se afastava de forma óbvia, mas havia uma contenção nova, quase palpável. Os olhares eram mais curtos, os silêncios mais longos, e cada frase parecia cuidadosamente medida antes de ser dita.
Era estranho.
Porque não havia hostilidade.
Nem frieza.
Havia cautela.
Passei a manhã inteira revisando detalhes técnicos do projeto, concentrada demais para pensar nele o tempo todo, mas consciente o suficiente para perceber quando Marco surgia em algum cômodo. A presença dele mudava o ritmo do espaço, como se a casa se organizasse ao redor da figura alta e controlada que ele representava.
— Precisa de algo? — ele perguntou em determinado momento, parado à porta da