Mundo ficciónIniciar sesiónEla só queria trabalhar.Ele é o herdeiro de um império.Aurora sempre soube que o mundo corporativo não era feito para pessoas sensíveis. Mas nunca imaginou que seu maior desafio seria Henrique Lancaster, arrogante, irresistível e o homem mais poderoso da empresa.Depois de enfrentá-lo em uma reunião, Aurora se torna sua assistente direta. Agora, precisa lidar diariamente com o olhar frio, as provocações constantes e uma tensão que nenhum dos dois consegue ignorar.Ele a testa.Ela o desafia.E entre contratos, reuniões e jogos de poder, nasce algo muito mais perigoso que o ódio: o desejo.Em um mundo onde hierarquia dita as regras, se apaixonar pelo próprio chefe pode custar tudo, carreira, reputação e o controle do próprio coração.
Leer másAurora sempre fez o possível para estar à altura do que esperavam dela.
Na cozinha pequena do apartamento, o cheiro de café recém-passado se misturava ao som baixo do rádio. João ajeitava a camisa já gasta diante do espelho da sala, enquanto Eda dobrava um pano de prato com o cuidado de quem sempre tentou manter tudo em ordem. — Não esquece o casaco. Vai esfriar mais tarde. Aurora prendeu o cabelo em um coque baixo e assentiu. No reflexo do espelho, viu a imagem que conhecia bem: postura firme, olhar atento, roupas simples demais para o endereço que pisaria dali a pouco. — Hoje você começa naquele escritório enorme, né? — perguntou o pai. —Se tudo der certo, após ser aprovada no Exame da Ordem, eles poderão me efetivar como advogada. O sorriso de João foi discreto, mas carregado de orgulho. — Sua avó ficaria muito feliz. Aurora engoliu em seco. Pegou a bolsa, beijou os dois no rosto e saiu antes que o peso daquela frase se tornasse visível. O elevador antigo demorou a descer. Tempo suficiente para ela lembrar que nada do que conquistara tinha sido fácil. O prédio da Lancaster Global Law, a maior empresa de advocacia do país, não precisava ostentar. O luxo estava nos detalhes silenciosos, no mármore claro, na recepção impecável, nas pessoas que se moviam com segurança, sem pressa aparente. A família Lancaster era conhecida exatamente por isso: nunca precisou provar nada em voz alta. O sobrenome atravessava gerações como um selo de autoridade, associado a decisões que moldaram leis, contratos e impérios inteiros. Feritz Lancaster construíra a reputação definitiva da empresa, transformando o escritório em uma potência internacional, respeitada não apenas pelo dinheiro, mas pela influência real que exercia nos bastidores do poder. Ser um Lancaster significava herdar mais do que fortuna. Significava carregar expectativas, disciplina e um tipo específico de frieza estratégica. Aurora passou o crachá na catraca e respirou fundo. — Bom dia. Recebeu um aceno automático da recepcionista e seguiu em frente. O setor jurídico funcionava em um ritmo próprio. Teclados discretos, passos firmes, conversas baixas. Ninguém parecia precisar se apresentar. Todos ali sabiam exatamente quem eram ou quem precisavam parecer ser. Ela se acomodou à mesa, ligou o computador e abriu a lista de tarefas. Organização de documentos, conferência de prazos, apoio jurídico. Nada era simples naquele lugar. Tudo era observado. — Você deve ser a nova assistente. A voz feminina era segura, sem ser dura. Aurora levantou o olhar. A mulher à sua frente vestia-se com elegância discreta. A postura impecável e o olhar atento denunciavam alguém acostumada a ser ouvida. Filha mais nova de Feritz, Júlia cuidava da contabilidade da empresa como quem entende que herdar um império também significa sustentá-lo. — Sou. Aurora. — Júlia. O aperto de mão foi firme, confiante. Havia autoridade ali, mas sem arrogância. — Seja bem-vinda. Se precisar de algo, me procure. — Obrigada. Júlia fez uma breve pausa, observando o ambiente ao redor antes de continuar. — Essa semana tende a ser intensa. Temos reuniões importantes. Aurora percebeu que aquilo significava mais do que parecia. — Algum motivo específico? — Mudanças — respondeu Júlia, de forma direta. — Sempre exigem adaptação. Antes que Aurora perguntasse mais, um homem passou apressado pelo corredor, falando ao telefone em tom baixo, mas incisivo. — O doutor Henrique ainda não chegou — comentou alguém próximo, quase em sussurro. O nome atravessou o ambiente com peso imediato. Não houve comentários extras, apenas expectativa contida. Aurora voltou a atenção para a tela, mas o pensamento já não estava ali. Henrique Lancaster. O herdeiro. O nome que parecia ocupar espaço mesmo na ausência. Ela não o conhecia. Ainda. Mas já entendia o efeito que causava. Ao longo da manhã, revisou contratos, identificou inconsistências que passariam despercebidas por olhos menos atentos. Anotou tudo com cuidado, consciente de que cada detalhe importava. Sentiu olhares se voltarem para ela em mais de um momento. Avaliação silenciosa. Curiosidade contida. Aurora manteve a postura. Não havia chegado até ali para parecer menor do que era. Durante a tarde, enquanto organizava os documentos, ouviu novamente o nome sendo mencionado. Agora acompanhado de impaciência. — O senhor Feritz não gosta de atrasos. E o filho dele tem esse péssimo hábito. Aurora respirou fundo. Se aquele homem acreditava que pontualidade era opcional, cedo ou tarde aprenderia o custo disso.O salão do evento anual da Lancaster reluzia em dourado e prata, refletindo o poder e a tradição da família. Aurora sentiu o coração acelerar ao atravessar a entrada de braços dados com Henrique. O gesto, simples, era uma declaração pública: estavam juntos, e não havia mais espaço para dúvidas ou segredos.Os olhares vieram de todos os lados: curiosos, enviesados, carregados de julgamento. Sorrisos forçados, cochichos abafados, cumprimentos que pareciam mais testes do que gentilezas. Aurora manteve a postura, mas sentia o peso de cada olhar. Henrique, ao seu lado, apertou levemente sua mão, como se dissesse sem palavras: “Estou aqui”.— Pronta para enfrentar o tribunal social? — Henrique sussurrou, tentando aliviar o clima com humor.— Desde que você seja meu advogado — respondeu Aurora, forçando um sorriso.Henrique a conduziu pelo salão, cumprimentando colegas, sócios e familiares. A cada apresentação, fazia questão de incluir Aurora, olhando nos olhos dela, tornando-a protagoni
O cheiro de comida caseira invadia o apartamento de Aurora antes mesmo de Henrique cruzar a porta. Eda estava inquieta, mexendo a panela com mais força do que o necessário, enquanto João arrumava a mesa com um capricho exagerado, como se cada talher pudesse decidir o futuro da filha. Malu, sempre animada, já estava sentada no sofá, rindo de alguma piada interna e observando o movimento com olhos de quem não perde nada.Henrique entrou, elegante, mas visivelmente deslocado. O blazer caro parecia destoar do ambiente simples, e o olhar atento buscava referências que não encontrava. Aurora o recebeu com um sorriso nervoso, tentando equilibrar o próprio orgulho com o medo de que tudo saísse do controle.— Boa noite, senhor João, dona Eda, Malu — cumprimentou, tentando soar natural.João não perdeu tempo. Malu mal conseguiu conter o riso ao ver o pai de Aurora puxar uma cadeira para Henrique, já preparando o terreno para o interrogatório.— Então, Henrique, me diga: você sempre foi dess
A confirmação chegou no início da tarde: a Receita havia aceitado o acordo. Bastava o pagamento de uma multa de cem mil reais para que as contas da Vargas & Co. fossem liberadas. Diante do que estava em jogo, o valor parecia quase simbólico.Aurora terminou de ler a mensagem e levantou os olhos, ainda absorvendo a informação.Nicolas já a observava.Por um segundo, o silêncio entre os dois se transformou em compreensão, cansaço, tensão e, finalmente, alívio.— Conseguimos — disse ele.Aurora sorriu, sem conseguir conter a emoção.— Conseguimos.Nicolas abriu os braços em um gesto espontâneo, ela hesitou apenas um instante antes de aceitar o abraço. Foi rápido. Profissional. Mas carregado de vitória compartilhada.— Você segurou a estratégia quando tudo estava desmoronando — disse ele, ainda próximo. — Isso foi mérito seu.Aurora riu, leve pela primeira vez em dias.— Foi trabalho em equipe. Mas obrigada… eu precisava ouvir isso.A porta se abriu. Henrique parou na entrada.
O bloqueio das contas da Vargas & Co. já durava dias.Desde então, Aurora e Nicolas praticamente não haviam parado. Planilhas abertas até tarde da noite, relatórios revisados linha por linha, cruzamento de dados fiscais, ligações com contadores, reanálise de cada lançamento e de cada documento que pudesse justificar a movimentação da empresa. O problema não estava na falta de regularidade, mas na forma como algumas operações haviam sido interpretadas pelo sistema da Receita.Naquela manhã, porém, não havia mais espaço para análise.Era dia de agir.Antônio Vargas chegou à Lancaster antes mesmo do início do expediente. Caminhava com a postura ereta de quem estava acostumado a ocupar lugares de decisão, a expressão controlada e o olhar duro, atento a cada detalhe ao redor. Atravessou a recepção sem cumprimentar ninguém, como quem entra em um ambiente familiar, mas não em um território neutro.Seguiu direto para a sala de Feritz e entrou sem bater.— Feritz, precisamos conversar.
O dia mal tinha começado e Aurora já sentia o celular vibrar sem parar. Notificações, mensagens, emojis piscando como se o mundo inteiro tivesse decidido falar com ela ao mesmo tempo. Bastou abrir a mensagem da Malu para entender: alguém da empresa tinha gravado Henrique defendendo Aurora no escritório e o vídeo simplesmente viralizou na internet.Não era mais só o pessoal do trabalho comentando.Agora, até desconhecidos tinham opinião sobre o casal.Aurora soltou o ar devagar, passando a mão pelos cabelos enquanto assistia ao vídeo mais uma vez. A postura firme de Henrique, a forma direta como ele encerrava qualquer insinuação… tudo ali tinha peso demais para passar despercebido.O celular vibrou de novo.Malu, claro, estava em êxtase.— Amiga, você tá famosa! Já vi três versões editadas com música de novela! — escreveu, enviando uma sequência caótica de prints e memes. — Se sair no Fantástico eu vou exigir cachê de melhor amiga!Aurora deixou escapar uma risada curta, apesar
O fim do dia trouxe um gosto novo. Pela primeira vez, Aurora e Henrique não precisavam mais se esconder. O escritório inteiro sabia. Os olhares curiosos ainda existiam, mas, depois de ver Henrique defendê la diante de todos, ela sentia uma força diferente. Era como se um peso tivesse sido tirado dos ombros, um peso que ela nem percebia carregar até aquele momento. O apoio dele era o que realmente importava.A caminho do prédio, Aurora mal percebeu o trajeto. A mente dela oscilava entre o alívio e a adrenalina do que havia acontecido naquele dia. Henrique dirigia com uma mão só; a outra repousava firme sobre a perna dela, transmitindo uma segurança tranquila, como se quisesse lembrá la, a cada segundo, que ela não estava passando por nada daquilo sozinha.Quando estacionaram, ele desligou o motor e os dois deixaram o carro, caminhando lado a lado. O ar da noite parecia mais leve, quase cúmplice.— Agora que todo mundo já sabe, acho que está na hora de contar para seus pais — disse H
Último capítulo