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Capítulo 6 — Não Toque

Luna

Eu não percebi quando cheguei tão perto.

Foi só quando meus dedos se ergueram, quase por reflexo, que me dei conta de que estava a poucos centímetros da maçaneta. Não por curiosidade banal, não por desafio, mas por uma sensação estranha, quase hipnótica, como se aquela porta tivesse puxado minha atenção aos poucos, sem pedir permissão.

Branca.

Lisa.

Fria demais para um corredor que recebia sol quase o dia inteiro.

A pintura estava impecável, sem marcas, sem desgaste, como se ninguém jamais tivesse tocado ali, o que, de alguma forma, tornava tudo ainda mais inquietante. A maçaneta refletia a luz de um jeito discreto, e por um segundo absurdo pensei em como seria o som ao girá-la, metálico, comum demais para algo que parecia carregar tanto peso.

Era só uma porta.

E, ainda assim, meu corpo não reagia como se fosse.

Meu dedo indicador avançou, lento, quase curioso, como se eu estivesse sendo conduzida por algo que não sabia explicar.

— Não toque.

A voz surgiu atrás de mim.

Não houve aviso.

Não houve passos.

Só a frase, baixa e firme, cortando o ar do corredor como uma lâmina.

Meu corpo reagiu antes da mente. Afastei a mão no mesmo instante, o coração disparando, o susto subindo pela garganta de um jeito quase físico, quente, imediato. Senti o sangue pulsar nos ouvidos enquanto virava bruscamente.

Marco estava ali.

Tão perto que eu pude sentir o calor do corpo dele, alto demais, imóvel demais, ocupando o espaço como se sempre tivesse pertencido àquele corredor. Os olhos escuros estavam fixos em mim com uma intensidade que eu nunca tinha visto antes. Não havia gritos. Não havia explosão.

Havia algo pior.

Frieza absoluta.

— Eu… — comecei, mas minha voz falhou antes da segunda palavra.

Ele deu um passo à frente, e o corredor pareceu encolher, como se as paredes também tivessem decidido se aproximar.

— Nunca — ele disse, cada sílaba medida com uma precisão assustadora — chegue perto dessa porta de novo.

Engoli em seco.

— Eu não ia abrir — falei rápido demais, sentindo a necessidade urgente de explicar. — Eu só estava…

— Não importa — ele interrompeu, sem elevar a voz. — O que você ia fazer não importa. O que importa é que você estava perto o suficiente.

O silêncio se espalhou entre nós, pesado, sufocante, carregado de algo que não era apenas autoridade. Havia medo ali. Contido. Controlado. Mas real.

— Se alguém atravessar essa porta — continuou, agora mais calmo, o que tornou tudo ainda mais perturbador —, não há volta. Não para mim. Não para você.

Um arrepio atravessou meu corpo inteiro, da nuca até a base da coluna, como um aviso tardio de que eu tinha tocado um território vivo demais para ser ignorado.

— Marco — tentei, com cuidado, modulando cada palavra

— eu preciso saber se isso interfere no meu trabalho.

Ele inclinou levemente a cabeça, como se estivesse considerando a pergunta sob uma ótica diferente da minha.

— Nada do que está ali dentro diz respeito ao seu trabalho.

— Então diz respeito ao quê? — perguntei, antes que pudesse me impedir.

O olhar dele escureceu ainda mais.

— Às coisas que eu faço questão de manter fechadas — respondeu. — E você precisa decidir agora se consegue respeitar isso.

Não hesitei.

— Consigo.

A palavra saiu firme, sincera, talvez mais do que eu mesma esperava.

Ele me observou por alguns segundos longos demais, como se estivesse avaliando algo que ia além da minha resposta, além da minha postura profissional, além da arquiteta parada à sua frente.

— Ótimo — disse, por fim, dando um passo para trás. — Porque se isso acontecer outra vez, o trabalho acaba. Não é uma ameaça. É um limite.

Assenti, sentindo o peso daquela frase se acomodar no peito.

— Entendido.

Ele se virou e se afastou pelo corredor sem olhar para trás, os passos finalmente audíveis, firmes, controlados, como se cada um deles servisse para reafirmar algo que ele vinha sustentando há muito tempo.

Fiquei ali parada por alguns segundos depois que ele desapareceu de vista, o coração batendo alto demais, a mão ainda formigando como se tivesse tocado algo proibido, mesmo sem ter encostado.

Respirei fundo, tentando recuperar o ritmo, tentando convencer meu corpo de que estava tudo bem.

Eu não girei a maçaneta.

Não abri a porta.

Ainda assim, eu sabia.

Aquilo não era apenas um quarto trancado.

Era uma fronteira.

E, sem querer, eu tinha chegado perto demais.

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