O dia começou com um céu pesado, como se Curitiba tivesse puxado um cobertor cinza sobre os telhados. Eduardo chegou cedo ao gabinete, mas não conseguiu abrir o primeiro processo. Ficou parado diante da janela, lembrando do estacionamento, do vestido azul, dos cabelos ruivos cortando a noite como uma chama. “Chega de espreitar”, decidiu, enquanto a consciência lhe mordia a nuca. “Se eu não der um passo, ela vai desaparecer.”
Ligou para o investigador.
— Preciso entrar — disse sem rodeios. — Não