A casa amanheceu com um silêncio morno, desses que não assustam mais. A chuva havia partido na madrugada, deixando o ar com cheiro de folhas lavadas e ferro frio. Vivian acordou primeiro. Ainda deitada, ficou olhando o teto como quem testa a nova pele que veste. A mão deslizou pelo próprio cabelo e parou nas pontas: ruivo, longo, uma história inteira. Levantou-se, andou descalça até o banheiro e acendeu a luz suave. O espelho devolveu uma mulher que não devia nada a ninguém.
Abriu a gaveta, peg