Mundo de ficçãoIniciar sessãoSelene Marlowe passou a vida fugindo do sangue que carrega — o sangue que todos querem. Agora, a cidade está manchada de mortes, cada uma marcada com o símbolo da lua. E ela é a única ligação entre os clãs que governam as sombras. Dorian Hale, o Alfa dos Exilados, diz que pode protegê-la. Ronan Blackwood, o guerreiro do Norte, promete poder e vingança. Elias Draven, o caçador humano, só queria vê-la morta… até desejar ser consumido por ela. E Caelan Quinn, o espião dos Filhos da Lua, a quer por razões que ele não ousa confessar. Entre segredos, traições e um desejo que queima mais do que qualquer maldição, Selene vai descobrir que não dá para fugir de quem você é — nem de quem você pertence. O destino não pede permissão. E a lua não perdoa corações divididos.
Ler mais(POV — A Lua) Faz tanto tempo que nem o tempo se lembra. Antes dos nomes, antes das espadas, antes dos lobos… eu já vigiava o mundo. Sou o espelho do que nasce e o túmulo do que morre. Sou o que resta quando até o amor se cala. E ainda assim, mesmo entre as ruínas, há um som que me desperta: o eco dos corações que não desistiram de uivar. Durante séculos, observei homens se destruírem em nome da luz. Vi cidades erguidas sobre ossos, reinos queimados por orgulho, deuses inventados e depois esquecidos. Mas nunca — nunca — vi alguém me olhar com tanta coragem quanto ela. Selene. Minha filha sem prece, minha bênção e minha ferida. Nascida da carne e da estrela, feita de um sopro que nem eu planejei. Enquanto outros me adoravam em silêncio, ela ousou me questionar. Enquanto outros se ajoelhavam, ela se ergueu. E é por isso que a observei com tanta ternura e temor. Lembro-me do dia em que seu selo despertou pela primeira vez. A terra se curvou, o mar recuou,
(POV Selene)O silêncio que veio depois da batalha não parecia paz.Era o tipo de silêncio que nasce quando o mundo fica sem forças pra continuar gritando.Nem o vento ousava se mover direito — ele apenas roçava as folhas queimadas, carregando o cheiro espesso de ferro e fumaça.A Lua havia se recolhido.O Eclipse se dissipara.Mas o céu ainda sangrava, manchado de vermelho nas bordas, como uma ferida que se recusa a cicatrizar.Eu me movia devagar entre corpos e brasas.A cada passo, o selo pulsava — não de poder, mas de luto.Cada vida perdida queimava dentro dele como uma lembrança gravada a fogo.Os Exilados tinham vencido, mas vitória nenhuma vem sem preço.Dorian estava a poucos metros, o ombro envolto em faixas e o rosto coberto de fuligem.Mesmo ferido, ainda mantinha o olhar de quem carrega um exército inteiro nas costas.Quando me viu, apenas assentiu.Não precisávamos de palavras — o peso era o mesmo em nós dois.Ronan caminhava atrás, arrastando o corpo de um caçador até a
(POV Dorian Hale)O som da guerra já não era som — era respiração.Um coração coletivo batendo junto ao chão, feito de gritos, uivos e aço.O Eclipse cobria tudo, e a luz vermelha fazia o sangue brilhar como metal vivo.A montanha tremia, e a fenda dos Exilados já não parecia abrigo — era o centro de um mundo em ruína.Eu via tudo.Cada golpe, cada perda, cada lobo caído.E, entre eles, Selene — a Lua encarnada, caminhando entre chamas e sombras.Ronan estava de joelhos, exausto, a lança cravada no solo.Elias lutava à distância, a flecha sempre no ponto onde o selo dela pulsava.Caelan movia-se nas sombras como um demônio da noite.E eu…Eu era o Alfa.E o Alfa não podia cair.— Mantenham a linha! — gritei. — Protejam o flanco!Os lobos responderam, uivos se misturando a ordens.Mas os caçadores vinham em ondas — intermináveis, implacáveis, com os olhos cheios de fé cega.Eles não vinham por glória.Vinham por purificação.E nada é mais perigoso do que um homem que acredita ser santo
(POV Ronan Blackwood)O vento do Norte tem um som próprio.Não é brisa, é lâmina.Corta o ar, arranca o calor e deixa só o instinto — o mesmo que sempre me guiou.Quando o Eclipse caiu sobre o campo, eu soube que a hora tinha chegado.O sangue congelava nas veias, mas a alma queimava.Anos de fuga, de exílio, de promessas sussurradas às estrelas — tudo convergia ali.A Lua chamava, e eu a ouvi.Dorian ainda gritava ordens atrás de mim.Selene brilhava no centro do caos, viva como um cometa.Elias, o caçador amaldiçoado, lutava contra os próprios demônios.Mas eu…eu só via os homens com o símbolo da Ordem avançando sobre os lobos do Norte.Homens que usavam o mesmo brasão dos que mataram meu pai, queimaram minha aldeia e chamaram o meu povo de feras.Pisei no chão encharcado de sangue e ergui a lança.O metal vibrava com o toque da Lua — uma arma feita para um só propósito: vingar.— Pelo Norte! — rugi.A voz ecoou pelas montanhas, seguida de um uivo coletivo.Meus irmãos responderam.
(POV Elias Drave)O céu não era mais azul.Era um abismo vermelho, e nele o sol morria devagar, engolido pela Lua.O Eclipse havia começado, e com ele, o fim daquilo que eu acreditava ser verdade.O campo de batalha era um pesadelo vivo.Corpos caíam, lobos e caçadores se misturavam, sangue virava barro.Mas eu não via nada disso com clareza.Tudo o que via era ela —Selene, no centro do caos, envolta em luz e sombra, lutando como se a Lua tivesse tomado forma de carne.Por um instante, lembrei de quando recebi minha primeira missão na Ordem.Eu era só um garoto.O mestre me disse: “O sangue da Lua é praga. Se o encontrares, destrói.”E por anos, obedeci.Matei sem questionar, acreditei que limpava o mundo.Mas agora, vendo-a ali — viva, divina e terrível —, percebi a ironia.Eu havia sido criado para destruir o que agora me mantinha vivo.O selo no meu peito pulsava no mesmo ritmo que o dela, mesmo à distância.Quando ela respirava, eu sentia.Quando sangrava, o gosto do sangue ardia
(POV Selene)O amanhecer veio tingido de vermelho.Não o vermelho do sol, mas o da Lua, que ainda teimava em permanecer no céu, pálida e ferida.Ela chorava — e suas lágrimas caíam em forma de neve.O frio era cortante, seco, o tipo de frio que cheira a sangue e ferro.Quando saí da tenda, o acampamento já estava desperto.Lobos corriam entre fogueiras acesas, afiando lâminas, distribuindo armas, preparando o que sabiam que viria.Ninguém precisava de palavras.A guerra estava no ar, e a Lua tinha chamado todos nós pelo nome.Dorian estava na linha da frente, os cabelos presos, a armadura leve sobre o corpo.Os olhos azuis dele brilhavam com uma mistura de determinação e exaustão.Quando me viu, apenas assentiu — como se dissesse: é hoje.E era.Ronan, de torso nu e pele marcada por cicatrizes, organizava grupos de ataque.A cada ordem dada, o lobo rugia sob a pele.A fúria do Norte parecia viva de novo, e as chamas da forja refletiam nos olhos dourados dele.Caelan permanecia mais af
Último capítulo