Mundo de ficçãoIniciar sessãoÉ uma história sobre uma mulher gorda chamada Raquel que sofreu bullying na infância e cresceu e virou uma CEO de uma rede de restaurantes famososa bem sucedida. Um dia um grupo rival, cria uma rede de academia fitness que faz as vendas da empresa de Raquel caírem. Então Raquel descobre que o seu concorrente é o seu bully de infância Marcelo e ela vai tomar algumas providências. E nisso a competição entre eles fica mais séria, com golpes, vingança, espiões. E nesse processo eles lá pra frente começam a sentir atração um pelo outro.
Ler maisNota: O capítulo 6 pro 7 deve ter ficado confuso, foi um erro. Peço desculpa e apreciarem este e os capítulos a seguir. Marcelo observava a cidade através do vidro fumê do carro enquanto o trânsito avançava lentamente. O reflexo do próprio rosto devolvia uma expressão impassível, treinada ao longo dos anos. Aquilo não era pessoal. Pelo menos, era o que ele repetia para si mesmo. Raquel crescera rápido demais. Sua rede de restaurantes ocupava espaços que ele havia planejado dominar com a expansão da marca fitness. Não era aceitável. Ele desbloqueou o telefone. — Está tudo pronto? — perguntou, sem rodeios. Do outro lado da linha, uma voz hesitante respondeu afirmativamente. Marcelo encerrou a chamada sem despedidas. Dinheiro havia sido transferido. Instruções dadas. Nada diretamente rastreável. Era assim que se vencia guerras modernas. --- O restaurante principal da rede de Raquel estava cheio naquela noite. O som de pratos, conversas e risadas preenchia o salão com vida.
Marcelo observava a cidade do alto do prédio espelhado com um copo de café intocado na mão.Ele gostava daquela vista. Não pela beleza — mas pelo controle. Pessoas pareciam pequenas demais lá embaixo. Previsíveis. Substituíveis. O mundo fazia mais sentido quando visto de cima.— Os números estão reagindo — disse o assessor, atrás dele. — Do jeito que você previu.Marcelo sorriu de canto.— Claro que estão.Ele se virou lentamente, caminhando até a mesa onde vários relatórios estavam espalhados. Gráficos, projeções, tendências de consumo. Tudo organizado com precisão quase obsessiva.— Quando você ataca o comportamento, não precisa atacar a marca — continuou Marcelo. — As pessoas fazem o trabalho sozinhas.— Ainda assim — arriscou o assessor —, a rede de restaurantes dela continua forte. O público é fiel.Marcelo soltou uma risada baixa.— Fidelidade é frágil quando você planta vergonha suficiente.Ele sentou-se na cadeira de couro e cruzou os dedos, encarando a tela do notebook. O nom
Os números não mentem.Raquel encarava o painel projetado na parede da sala de reuniões enquanto os gráficos se atualizavam em tempo real. Linhas que antes subiam com segurança agora apresentavam pequenas oscilações descendentes. Nada catastrófico. Nada escandaloso. Mas suficiente para chamar atenção.— Isso começou há três semanas — disse Francine, em pé ao lado da tela. — Primeiro em duas unidades. Agora já são oito.Os diretores trocavam olhares discretos. Aquela não era uma reunião de crise, mas definitivamente não era rotineira.— Estamos falando de quanto? — perguntou um dos conselheiros.— Entre cinco e oito por cento de queda — respondeu Francine. — Variável por região. Coincide exatamente com a expansão de uma nova rede.Raquel manteve o olhar fixo nos dados.— Repete — pediu.Francine mudou o slide. O nome da rede apareceu em destaque, acompanhado por imagens de campanhas agressivas, cores fortes, slogans provocativos.— Uma rede de academias fitness — explicou. — Cresciment
O restaurante estava cheio, como quase sempre. O cheiro de comida quente se espalhava pelo salão, misturando-se às vozes animadas, talheres batendo nos pratos e música ambiente baixa, cuidadosamente escolhida para não invadir conversas. Raquel caminhava entre as mesas com passos tranquilos, observando detalhes que a maioria das pessoas ignorava: o tempo de espera, a postura dos garçons, o sorriso verdadeiro — ou forçado — dos clientes. Ela não precisava estar ali. Aquele restaurante era apenas um entre dezenas. Mas Raquel nunca deixou de visitar suas unidades. Não por controle excessivo, e sim por princípio. O império que construíra tinha raízes no chão, não apenas em relatórios. — **Mesa sete pediu para elogiar o molho novo**, — disse uma voz familiar ao seu lado. Raquel sorriu antes mesmo de virar o rosto. Francine caminhava ao seu lado com um tablet na mão, cabelo perfeitamente alinhado, maquiagem discreta e elegante. Usava o uniforme da gerência com naturalidade absoluta, co
O elevador subia em silêncio absoluto. Raquel observava os números luminosos avançarem lentamente: 12… 13… 14… Cada andar vencido trazia uma estranha sensação de pertencimento. Não ansiedade. Não medo. Apenas consciência. Aquela era a vida que ela construíra — andar por andar, decisão por decisão. Quando o elevador parou no último piso, as portas se abriram revelando um corredor amplo, envidraçado, com vista para a cidade. O sol da manhã invadia o espaço com autoridade, refletindo nos detalhes metálicos e no piso impecável. Tudo ali respirava poder. Raquel saiu do elevador com passos firmes. Ela usava um blazer escuro, perfeitamente ajustado ao corpo grande que nunca tentou esconder. Não havia esforço para parecer menor. Pelo contrário. O salto ecoava no chão como um aviso silencioso: ela estava ali, inteira. Alguns funcionários a cumprimentaram com respeito imediato. — Bom dia, doutora Raquel. — Bom dia, CEO. Ela respondia com um leve aceno de cabeça, expressão neutra, olhar
O tempo não foi gentil com Raquel. Ele passou devagar, como se cada ano tivesse prazer em testar sua resistência. A adolescência chegou trazendo mudanças que, para muitas meninas, vinham acompanhadas de descobertas e liberdade. Para Raquel, vieram com mais peso — no corpo, nos olhares, nas palavras. O corpo mudou rápido demais. A barriga arredondou, os quadris alargaram, os seios surgiram antes das outras meninas. E com cada mudança, surgia também um novo comentário, uma nova risada abafada, um novo apelido sussurrado nos corredores. Raquel aprendeu a andar olhando para o chão. Aprendeu a sentar sempre nos cantos. Aprendeu a se encolher, mesmo quando não havia espaço suficiente para desaparecer. Marcelo continuava lá. Não sempre presente, mas sempre existente. Às vezes era uma palavra jogada no ar. Às vezes, apenas um olhar cheio de julgamento. E, estranhamente, isso doía quase mais do que os insultos diretos. Era como se ele não precisasse mais atacá-la. O mundo fazia i










Último capítulo