O tempo não foi gentil com Raquel. Ele passou devagar, como se cada ano tivesse prazer em testar sua resistência. A adolescência chegou trazendo mudanças que, para muitas meninas, vinham acompanhadas de descobertas e liberdade. Para Raquel, vieram com mais peso — no corpo, nos olhares, nas palavras. O corpo mudou rápido demais. A barriga arredondou, os quadris alargaram, os seios surgiram antes das outras meninas. E com cada mudança, surgia também um novo comentário, uma nova risada abafada, um novo apelido sussurrado nos corredores. Raquel aprendeu a andar olhando para o chão. Aprendeu a sentar sempre nos cantos. Aprendeu a se encolher, mesmo quando não havia espaço suficiente para desaparecer. Marcelo continuava lá. Não sempre presente, mas sempre existente. Às vezes era uma palavra jogada no ar. Às vezes, apenas um olhar cheio de julgamento. E, estranhamente, isso doía quase mais do que os insultos diretos. Era como se ele não precisasse mais atacá-la. O mundo fazia i
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