Marcelo estava encostado na janela do escritório, observando a cidade ainda acordada apesar da hora. As luzes dos prédios pareciam pequenas constelações artificiais, organizadas em linhas frias, previsíveis. Era assim que ele gostava de ver o mundo: ordenado, funcional, pronto para ser usado.
Atrás dele, Eduardo hesitava.
— Marcelo… — chamou, finalmente, quebrando o silêncio denso.
Marcelo não se virou de imediato. Girou lentamente o copo de uísque na mão, observando o líquido dourado deslizar