Marcelo estava encostado na janela do escritório, observando a cidade ainda acordada apesar da hora. As luzes dos prédios pareciam pequenas constelações artificiais, organizadas em linhas frias, previsíveis. Era assim que ele gostava de ver o mundo: ordenado, funcional, pronto para ser usado.
Atrás dele, Eduardo hesitava.
— Marcelo… — chamou, finalmente, quebrando o silêncio denso.
Marcelo não se virou de imediato. Girou lentamente o copo de uísque na mão, observando o líquido dourado deslizar pelas paredes de vidro.
— Fala — respondeu, com a voz calma demais para alguém que sabia estar sendo questionado.
Eduardo deu dois passos à frente. Era jovem, eficiente, ambicioso — e até aquele momento, leal. Mas havia coisas que começavam a não fazer sentido.
— Eu preciso entender uma coisa — disse ele, escolhendo as palavras com cuidado. — Essa parceria que você sugeriu para a Raquel… você sabia desde o início que ela não ia aceitar.
Marcelo sorriu de lado.
— E…?
— Então por que sugerir? — in