Quando tudo que o amor sabe fazer é ferir
Serena colocou a criança no berço com mãos cuidadosas, mas a bebê, como se sentisse a tensão no ar, começou a chorar. Um choro agudo, insistente, que atravessou Serena como lâmina.
— Shh… calma… Ela sussurrou, passando os dedos com carinho pelo rostinho da menina.
O choro aumentou.
Serena respirou fundo, mas as lágrimas vieram mesmo assim. Não era só por Caetano. Era por tudo. Pela vida que tinha desmoronado, pela filha que ela acreditava ter perdido, pelo vazio dentro da própria casa, pela vergonha de estar ali, tão exposta, tão frágil, diante do homem que nunca tinha esquecido.
Ela tentou pegar a mala, mas as mãos tremiam tanto que mal conseguia segurá-la. A bebê chorava mais alto. Serena chorou também, silenciosa, de costas para a porta, tentando não fazer barulho, como se ainda estivesse pedindo desculpa por existir.
A porta se abriu.
Caetano entrou, e o ar do quarto mudou.
— Eu não quero escândalo nesta casa. A voz dele soava dura, como s