Quando o passado não aceita permanecer enterrado
CAETANO SIQUEIRA GOUVEIA
Droga. A palavra ecoou na minha cabeça no mesmo instante em que peguei o celular e disquei o número do doutor Eduardo Antônini. Minha mão estava firme, mas por dentro tudo em mim se movia fora do lugar, como se algo tivesse sido deslocado e eu ainda não soubesse exatamente o quê.
— Antônini, preciso de você agora. A babá da minha filha desmaiou. Estamos sozinhos aqui.
Do outro lado da linha, a voz dele veio calma, como sempre, quase irritantemente controlada.
— Se acalme, Caetano. Estou em casa. Em dois minutos eu subo.
Antônini mora no condomínio ao lado, e naquele momento isso pareceu uma dádiva. Desliguei e voltei para a sala, onde Serena estava caída no chão, imóvel, o rosto pálido demais para alguém tão jovem. Sem pensar, eu a peguei no colo. Ela era mais leve do que eu imaginava, mais frágil, o corpo ainda quente, mas sem reação. Levei-a direto para o meu quarto. Não sei por quê. Talvez instinto. Talvez c