O silêncio também é uma forma de gritar
A casa acordou antes do sol, como sempre. O Condomínio Iporanga ainda dormia sob a névoa fina do mar, e o som das ondas, lá fora, parecia uma respiração constante, paciente, indiferente às guerras humanas.
Serena já estava de pé havia alguns minutos, com a bebê no colo, andando de um lado para o outro do quarto infantil, tentando manter o ritmo da calma. O cheiro de leite, de sabonete neutro e de lençol limpo preenchia o ar. Sophie fungava, inquieta, a boquinha procurando, o corpo pequeno já sabendo o caminho do conforto.
Serena olhava para ela e sentia uma dor antiga, funda, do tipo que não tem nome.
Ela ajustou o pijama, prendeu o cabelo num coque rápido e respirou fundo.
A casa era grande demais para alguém que estava tentando sobreviver a si mesma.
Do lado de fora, passos firmes no corredor.
Serena congelou por um segundo. O corpo reconheceu antes do cérebro permitir. Era como se a casa inteira ficasse menor quando ele se aproximava.
A port