Ele sentiu tudo de uma vez: a leveza quase frágil do ombro dela, a temperatura mais fria da pele em contraste com o calor que irradiava do seu próprio corpo, a ausência total de tensão muscular — como se ela não tivesse percebido o contato ou, pior, como se ele não representasse nenhuma ameaça. O perfume dela chegou logo depois, suave, quase medicinal, com um fundo limpo que não tinha nada de artificial.Nyana se recompôs no mesmo instante, sem pressa, sem sobressalto, sem o menor sinal de desconforto. Endireitou a postura com precisão automática, como se o toque tivesse sido apenas uma interferência física qualquer, nada mais.— Desculpe — disse ela, voz serena, sem baixeza, sem culpa. — A manobra foi inesperada.Ela não corou. Não gaguejou. Não desviou o olhar.Apenas voltou ao ponto neutro.E foi exatamente isso que atingiu Araziel em cheio.Ele não respondeu de imediato. A voz dela ainda ecoava baixa dentro do carro blindado, calma demais, controlada demais. O braço dele ainda for
Ler mais