Mundo de ficçãoIniciar sessãoUm acordo entre duas famílias sela o destino de Brent e Irina. A união em matrimônio não é por amor, mas por dever e regida por contrato. A data de vigência? O dia que Irina completa os seus vinte e cinco anos de vida. Brent Turner é um homem controlador e focado em seus objetivos. O casamento está longe de ser um de seus desejos, porém os benefícios obtidos a partir da assinatura da certidão foram os motivos para que ele não se opusesse ao seu fardo. Irina Collins tem uma natureza compreensiva e generosa, mas a ingenuidade e a submissão nunca fizeram parte de quem ela é. Apesar de aceitar o seu destino ao lado de Turner, a senhorita Collins planeja se impor e mostrar que assinar o contrato de casamento foi a sua última ação contra a própria vontade. Brent esconde um segredo e surpreendentemente encontra em Irina uma aliada para mantê-lo. Irina quer liberdade e descobre que com Brent isso pode ser possível. Assim, eles percebem que têm muito mais em comum do que a obrigação de manter um compromisso regulado por cláusulas.
Ler maisIRINA COLLINS
— Oh, você está tão linda! É a noiva mais linda que este mundo já viu! — O meu pai me recebeu de braços abertos em frente à igreja.
Eu tentava sorrir enquanto sentia o meu corpo inteiro estremecer. Estou com medo de tudo o que vem por aí. O casamento, o acordo, a nova vida, o noivo... Que Deus me proteja!
— Você está cumprindo o seu destino, minha menina! — Ele continuou. — E o seu destino é se casar com Brent Turner!
Engoli o choro e tentei me concentrar em um ponto específico para garantir que as lágrimas não iriam cair. Quando as portas da igreja se abriram, a marcha nupcial ecoou por todo o lugar. Prendi a respiração por um instante. Extremamente nervosa, segurei com firmeza o braço do meu pai e dei os primeiros passos ao seu lado rumo ao altar. Lá estava o noivo, de pé e com os dedos das mãos entrelaçados em frente ao corpo.
— Ela está linda! — As pessoas ao redor cochichavam.
Brent Turner estava a poucos metros de mim, mas, ao contrário do que imaginei, senti que havia algo familiar. E quanto mais a nossa distância encurtava, mais eu me dava conta do que estava acontecendo.
Estou caminhando até o homem grosseiro da joalheria. Brent Turner é aquele ogro. E eu vou me casar com ele.
NO DIA ANTERIOR
— Amanhã é o grande dia! — Despertei com os gritos e os pulos das minhas irmãs sobre o meu colchão. — Acorda! O dia está lindo!
A movimentação intensa fazia a minha cabeça chacoalhar e rapidamente me obrigou a retirar a máscara de olhos para observar o que de fato acontecia. As duas loucas, uma mais nova e a outra mais velha que eu, sorriram abertamente. Bufei e tentei recolocar o acessório para dormir outra vez, mas elas me impediram depressa.
— Nada disso! Hoje é um dia importante! — Margot, a minha irmã mais velha, puxou o meu lençol enquanto Claire, a mais nova, puxava os meus braços, forçando-me a levantar. — Vamos às compras! Você precisa de lingeries, robes, vestidos novos e reabastecer o seu estoque de produtinhos de beleza!
— Você só quer aproveitar o cartão que o papai vai liberar hoje — resmunguei. — Vai gastar o que pode e o que não pode.
— E por que não? — Margot riu. — Hoje é um dia especial, meu amor! A minha irmãzinha do meio vai se casar amanhã!
— Não me lembra disso agora, por favor! — Levei as mãos para a cabeça e fechei os olhos, exausta. — Estou há três dias dormindo com essa máscara porque não consigo me concentrar no sono.
— Pobrezinha... — Abri os olhos e encarei Margot ao notar o seu deboche. Ela gargalhou. — Anime-se! Vai ser um dia incrível!
— Eu posso comprar um castelo inflável para colocar no meu quarto? — A voz de criança de Claire rompeu o breve silêncio. Margot e eu a olhamos. — Tem espaço! — A garotinha abriu os braços para simular e nós rimos.
— A mamãe já disse que não é uma boa ideia, Claire! — Falei. — Não vamos insistir agora, ela está apreensiva com os assuntos do... Enfim... Do... Preciso tomar um banho. Me esperem na sala.
Eu ainda não conseguia falar com tanta naturalidade de um casamento que foi arranjado por duas famílias ricas em busca de mais poder. A união dos nossos sobrenomes e dos nossos negócios nos tornará inabaláveis por várias gerações.
— Irina, não demora — Margot me olhou com atenção. — Dessa vez eu sou capaz de derrubar essa porta com a ajuda do senhor Baker. Você não vai escapar.
— Você não precisará de tanto hoje.
Na última vez que ela tentou me convencer a ir às lojas de lingeries, eu simplesmente me tranquei no quarto e esperei o dia passar. Não queria comprar peças pensando em agradar um homem que sequer conheço.
Quando finalmente fiquei sozinha no meu quarto, observei o ambiente luxuoso que me rodeava.
— Tanto luxo e eu não tenho o direito de escolher o meu destino! — Ri soprado, inconformada. — De que vale tudo isso, então?
Após alguns minutos de reflexões críticas sobre a minha vida, respirei fundo e decidi agir. Ficar aqui tentando descobrir o porquê de não ter autonomia sobre o meu futuro é perda de tempo. O que está feito, está feito.
Fui prometida a Brent antes mesmo de ser concebida. John Turner, o meu futuro sogro, queria selar um acordo de união entre as nossas famílias para encerrar de uma vez por todas a competição entre ele e o meu pai e a solução foi um casamento entre os herdeiros.
— Vamos, Irina! — A minha irmã bateu na porta.
Margot, que é cinco anos mais velha que eu e três anos mais nova que o meu noivo, foi descartada na primeira tentativa de aproximação, pois empurrou o querido Brent Turner na piscina e quase o matou afogado. Ele tinha sete anos e ela, quatro.
O que esperar de duas crianças que não se deram bem desde o primeiro instante? Margot diz que não lembra de nada.
Diante de um problema importante como esse, Victor Collins, o meu pai, prometeu que se tivesse mais uma filha, ela se casaria com Brent e uniria de uma vez por todas as nossas famílias. Para sempre.
— Mas para sempre é tempo demais — murmurei enquanto me vestia.
Analisei o meu reflexo no espelho do meu banheiro e sorri minimamente. Estou apresentável.
— Belíssima! — O meu pai me recebeu no fim da escada quando o alcancei. — Estou tão orgulhoso de você, minha filha! Está cumprindo o seu dever trazendo tranquilidade eterna à nossa família! — Beijou a minha testa e me olhou sorridente. — O cartão está com Margot e eu quero que compre tudo o que deseja! Você precisa estar feliz!
A sua última frase ecoou na minha mente durante todo o trajeto até o complexo de lojas. Aquilo foi um pedido. Mais um pedido. Ele me pediu para estar feliz no dia de hoje e de amanhã. Ele sabe que eu não estou feliz e mesmo assim insiste nisso porque deu a sua palavra e precisa ir até o fim.
— O quê? Vocês não estão mais juntos?Eu sequer piscava os meus olhos. A surpresa era enorme.— Acabaram?— Sim.— Desde quando? O que aconteceu? — Disparei. — Como você está?— Eu estou muito bem, estou melhor sem ela — deu de ombros. — Percebi que passei cinco anos da minha vida amando uma pessoa egoísta e interesseira.Fiquei calada, sem saber o que dizer.E, sendo sensata, eu nem deveria falar nada.— Me acostumei com Morgana e fui levando o nosso relacionamento adiante por comodismo — suspirou. — Eu fui percebendo as atitudes infantis, egocêntricas e manipuladoras aos poucos até que chegou a um ponto insustentável.— Nossa...— No início, quando comecei a notar, eu pensei que todas as mulheres eram desse jeito, que isso fazia parte da natureza feminina.Nos encaramos.Brent riu da careta que eu fiz.— Por isso eu fui suportando. Acreditei que todas eram iguais e que por essa razão não havia nada de errado com Morgana.— Pensamento estranho, hein...Ele riu novamente.— A única mu
— Quantas horas se passaram desde a última vez que colocamos protetor solar? — Perguntei para Margot assim que senti a minha pele arder.— Meu Deus! — A minha irmã arregalou os olhos ao perceber. — Acho que umas duas horas!— O quê? — Espantei-me. — Temos que reforçar!Saímos do mar correndo, fomos até a varanda da casa e passamos o protetor novamente. Anne veio até nós e fez o mesmo. Levamos os produtos para a areia e chamamos os demais para que se protegessem também.— Faltou passar o spray nas costas — alertei.Brent me olhou assustado, não havia notado que eu o observava.Na verdade, eu estava aproveitando o momento para analisar as partes que nunca vi até aqui.O seu peitoral bem definido possuía alguns pelos espalhados pela região, o seu abdômen era perfeitamente esculpido, abaixo do umbigo se iniciava uma discreta e fina linha de pelos que terminava em uma área não visível e nas laterais da parte inferior do seu abdômen os seus músculos formavam um caminho perigoso para baixo.
— Obrigada, Brent — falei. — De verdade.Conversávamos em meio às risadas e ao falatório dos nossos irmãos e amigos.— Eu pareço um troglodita agora?O seu sorriso lateral, indicando que se divertia com a situação, me fez gargalhar.— Nadinha parecido. Você está no modo príncipe Turner.Agora quem gargalhou foi ele.— Não sabia que existia um príncipe, só conhecia o troglodita.— Às vezes você é um cara legal.Continuamos conversando por mais alguns minutos até que Nathan nos envolveu no assunto que eles estavam falando. O jantar foi divertido, um pouco barulhento e regado a comidas deliciosas com frutos do mar.— Amanhã você vai acordar, vestir o biquíni ou o maiô e descer correndo para a piscina, ouviu bem? — Margot disse para mim. — Nos reuniremos lá pela manhã.— Você tem o roteiro da inauguração, é? — Cruzei os braços.Anne e Margot riram.Nós três estávamos na varanda do piso superior, admirando a belíssima paisagem diante de nós. Os outros seguiram para os seus quartos.— Brent
O carro parou, Robert abriu a porta para mim e eu, bastante ansiosa, saí depressa. Brent se despediu do motorista e me convidou para acompanhá-lo até o helicóptero que nos aguardava.— Sairemos da cidade? — Perguntei, cada minuto mais curiosa.— Sim.— Mas por quê? Para quê?Tentei andar no seu ritmo.— Brent, eu nem tomei um banho! — Falei mais baixo. — Qual é o compromisso?Ele riu.— Só relaxa, Irina.Turner cumprimentou o piloto, apresentou-me a ele e me ajudou a embarcar. Já tendo os fones posicionados nas minhas orelhas, observei tudo ao nosso redor. O céu de Cliffston aos poucos escurecia e a cidade se iluminava.Brent parecia tranquilo, calmo.Só então lembrei de algo importante: o seu acidente envolvendo um helicóptero. Será que não ficou traumatizado? Os pesadelos envolviam apenas o seu primo que se jogou do carro e a sua mãe que o salvou do mar? Será que devo questioná-lo sobre isso em algum momento?— A cidade é linda, não é?Despertei dos meus pensamentos com a sua voz. E





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