O CEO É MEU!

O CEO É MEU!PT

Romance
Última atualização: 2026-05-28
Jess  Atualizado agora
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Resumo
Índice

Uns acreditam que é você quem constrói o seu destino, outros dizem que você já nasce destinado a algo, a alguma coisa ou a alguém. Em quem acreditar, afinal? Bom, a resposta para mim é muito clara e inegável — assim como o meu destino. Nasci prometida a um homem que sequer conheço, tampouco o vi mesmo que de longe. Não sei como é a sua aparência, a sua voz, os seus modos, o seu cheiro... Nada. E isso me atormenta. As únicas informações que tenho é de que esse homem é o filho mais velho de uma família muito próxima à minha, que ele é o CEO da empresa que herdará e que poucas mulheres tiveram o privilégio de se deitarem em sua cama. Amanhã completarei vinte e cinco anos, data e idade que marcam a realização do nosso casamento, e eu estou em pânico. Conhecerei o meu noivo no dia da cerimônia e torço para que ele seja minimamente educado comigo.

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Capítulo 1

Grosseiro

— Amanhã é o grande dia! — Despertei com os gritos e os pulos das minhas irmãs sobre o meu colchão. — Acorda! O dia está lindo!

A movimentação intensa fazia a minha cabeça chacoalhar e rapidamente me obrigou a retirar a máscara de olhos para observar o que de fato acontecia. As duas loucas, uma mais nova e a outra mais velha que eu, sorriram abertamente. Bufei e tentei recolocar o acessório para dormir outra vez, mas elas me impediram depressa.

— Nada disso! Hoje é um dia importante! — Margot, a minha irmã mais velha, puxou o meu lençol enquanto Claire, a mais nova, puxava os meus braços, forçando-me a levantar. — Vamos às compras! Você precisa de lingeries, robes, vestidos novos e reabastecer o seu estoque de produtinhos de beleza!

— Você só quer aproveitar o cartão que o papai vai liberar hoje — resmunguei. — Vai gastar o que pode e o que não pode.

— E por que não? — Margot riu. — Hoje é um dia especial, meu amor! A minha irmãzinha do meio vai se casar amanhã!

— Não me lembra disso agora, por favor! — Levei as mãos para a cabeça e fechei os olhos, exausta. — Estou há três dias dormindo com essa máscara porque não consigo me concentrar no sono.

— Pobrezinha... — Abri os olhos e encarei Margot ao notar o seu deboche. Ela gargalhou. — Anime-se! Vai ser um dia incrível!

— Eu posso comprar um castelo inflável para colocar no meu quarto? — A voz de criança de Claire rompeu o breve silêncio. Margot e eu a olhamos. — Tem espaço! — A garotinha abriu os braços para simular e nós rimos.

— A mamãe já disse que não é uma boa ideia, Claire! — Falei. — Não vamos insistir agora, ela está apreensiva com os assuntos do... Enfim... Do... — Eu ainda não conseguia falar com tanta naturalidade de um casamento que foi arranjado por duas famílias ricas em busca de mais poder. A união dos nossos sobrenomes e dos nossos negócios nos tornará inabaláveis por várias gerações. — Preciso tomar um banho. Me esperem na sala.

— Irina, não demora — Margot me olhou com atenção. Na última vez que ela tentou me convencer a ir às lojas de lingeries, eu simplesmente me tranquei no quarto e esperei o dia passar. Não queria comprar peças pensando em agradar um homem que sequer conheço. — Dessa vez eu sou capaz de derrubar essa porta com a ajuda do senhor Baker. Você não vai escapar.

— Não precisará de tanto — empurrei as duas enxeridas para fora do quarto e fechei a porta. Apoiei as minhas costas na madeira de excelentíssima procedência e qualidade e observei o ambiente luxuoso que me rodeava. — Tanto luxo e eu não tenho o direito de escolher o meu destino — ri soprado. — De que vale tudo isso, então?

Após alguns minutos de reflexões críticas sobre a minha vida, respirei fundo e decidi agir. Ficar aqui tentando descobrir o porquê de não ter autonomia sobre o meu futuro é perda de tempo. O que está feito, está feito. Fui prometida a Brent antes mesmo de ser concebida. John Turner, o meu sogro, queria selar um acordo de união entre as nossas famílias para encerrar de uma vez por todas a competição entre ele e o meu pai e a solução foi um casamento entre os herdeiros.

Margot, que é cinco anos mais velha que eu e três anos mais nova que o meu noivo, foi descartada na primeira tentativa de aproximação, pois empurrou o querido Brent Turner na piscina e quase o matou afogado. Ele tinha sete anos e ela, quatro. O que esperar de duas crianças que não se deram bem desde o primeiro instante? Margot diz que não lembra de nada. Sendo assim, Victor Collins, o meu pai, prometeu que se tivesse mais uma filha, ela se casaria com Brent e uniria de uma vez por todas as nossas famílias. Para sempre.

— Mas para sempre é tempo demais — murmurei enquanto me vestia. Analisei o meu reflexo no espelho do meu banheiro e sorri minimamente. Estou apresentável.

— Belíssima! — O meu pai me recebeu no fim da escada quando o alcancei. — Estou tão orgulhoso de você, minha filha! Está cumprindo o seu dever trazendo paz eterna à nossa família! — Beijou a minha testa e me olhou sorridente. — O cartão está com Margot e eu quero que compre tudo o que deseja! Você precisa estar feliz!

A sua última frase ecoou na minha mente durante todo o trajeto até o complexo de lojas. Aquilo foi um pedido. Mais um pedido. Ele me pediu para estar feliz no dia de hoje e de amanhã. Ele sabe que eu não estou feliz e mesmo assim insiste nisso porque deu a sua palavra e precisa ir até o fim. Chegamos no local combinado e a nossa mãe já nos esperava ansiosamente. Ela veio primeiro para comprar itens de decoração para a casa de Brent, que passaria a ser minha também a partir de amanhã. Pensar nisso me dá calafrios.

— Comprei vasos lindos! — A minha mãe me abraçava de lado, empolgadíssima. — Um quadro belíssimo para a sala de jantar! Brent vai adorar!

— Como sabe que ele vai adorar? — Encarei-a. — Não tivemos momento algum na sua companhia — dei de ombros. — A última vez que você o viu foi quando o querido senhor Brent Turner tinha quinze anos.

— Sarah me fala sobre ele.

— Você não acha estranho o fato de Brent não se interessar em nos conhecer? — Paramos de andar e nos olhamos. — Marcamos um encontro há dois meses, o único encontro em vinte e cinco anos, e ele mandou avisar que precisaria viajar.

— Filha, ele é muito atarefado — a loira suspirou. — Não se chateie.

— Não estou chateada! — Retruquei. — Embora não pareça, eu tenho dignidade, mãe! Se Brent não quer me ver, eu também não quero vê-lo! Não faço questão alguma, aliás! Se pudesse, só assinaria os papéis e iria para o covil dele depois! — Falei depressa, agitada. Margot e a minha mãe riram. — Não estou brincando!

— Tudo bem, vamos parar com tanto drama! — Margot me abraçou por trás. — O que acha de começar com os robes?

— Você comprou robes quando se casou com o Michael? — Indaguei-a.

— Naturalmente — ela riu. — E ele amou desamarrá-lo na nossa primeira noite de casados.

— Há uma criança aqui, Margot — a nossa mãe a repreendeu. — Claire só tem seis anos e entende o que dizemos.

— Posso comprar um castelo inflável? — A menina se pronunciou e aliviou a breve tensão, fazendo-nos rir.

Iniciamos as compras e eu tentei me esforçar para avaliar as peças e gostar delas. Não tenho cabeça para isso, não quero ter que decidir nada, não quero assumir um compromisso eterno sem amor, mas cresci com a sombra de Brent bem atrás de mim e não tenho como fugir dele. Só me resta aceitá-lo. Quando compramos todas as peças íntimas necessárias e desnecessárias, adquirimos vestidos, itens de beleza e, na nossa última parada, fomos para uma joalheria. Lá, escolhemos brincos, pulseiras e colares. A minha mãe precisou sair com Claire para comprar um sorvete e Margot e eu ficamos na loja aguardando-as.

— O que acha de uma despedida de solteira?

— Na companhia de uma mulher casada? — Ri.

— Michael não se importa.

— Vocês têm mesmo um relacionamento aberto?

— Melhor do que trair — encolheu os ombros. — Contamos as nossas aventuras um ao outro.

— Isso é loucura para mim — neguei com a cabeça. — Eu não conseguiria.

— E se Brent te pedir?

— Ele pode fazer o que quiser, o nosso casamento será de fachada. Não haverá um compromisso real.

— E se você se apaixonar?

— Impossível.

— Mesmo? — Margot cerrou os olhos.

— Mesmo.

— Você pode embalar com um laço branco — a ordem entonada por uma voz grave e melódica atraiu a nossa atenção. Margot e eu olhamos rapidamente para o seu dono. Um homem alto, com cabelos ondulados e escuros e vestindo um terno elegantemente bem acomodado em seu corpo atlético estava de pé em frente ao balcão. O seu celular tocou. — Estou indo, não demoro.

— Que gato... — Margot sussurrou e eu sorri antes de morder os lábios ao focar nos ombros marcados do deus grego à nossa frente. — Se não for casado, faz um estrago bom por aí.

— Eu facilmente passaria a minha última noite de solteira com ele — confessei e ri baixinho quando a minha irmã me encarou com os olhos arregalados.

— É disso que estou falando! — Ficou de pé, assustando-me. — E se tentássemos contato com o gatão?

— Não, jamais! — Segurei o seu braço. — Não se atreva!

— Este aqui é com diamante rosa e uma pedra chamada água-marinha — a atendente mostrou a peça ao homem charmoso. Margot passou a circular pela loja e eu me perdi na contemplação daquela vista. Derreti no sofá ao observar as pontas dos seus cabelos castanhos roçando no colarinho da sua camisa branca. — Uma peça mais do que exclusiva, senhor.

— Pode embalar também com um laço branco — suspirei ao ouvir a sua voz grave mais uma vez. Ouvi-la na cama deve ser afrodisíaco.

— Sim, senhor — a moça que o atendia sorriu. — E a pulseira com rubis e diamantes? Como quer a embalagem?

— Qualquer uma — ele deu de ombros. — O padrão da loja está bom.

— Um minuto, já retorno — a funcionária se afastou depressa. Nesse instante, por alguma razão desconhecida, levantei-me e caminhei até um expositor logo atrás do homem imponente. Ele estava imóvel, absorto em seus pensamentos. — Aqui, senhor. Os seus... — A fala da moça foi interrompida por um acidente bem à sua frente.

Eu caí sobre o homem. Fui empurrada sobre ele. O seu corpo foi projetado para frente, porém rapidamente se voltou para mim e os seus braços me ampararam antes que eu pudesse cair. A sua carranca pareceu ter se suavizado ao focar em meus olhos, mas, na verdade, foi uma ilusão minha. A sua expressão de indignação era clara ao me colocar totalmente de pé e a sua sobrancelha levantada me desafiava a falar algo.

— Des... Desculpa... — Murmurei envergonhada. — Eu... Eu tropecei.

— Preste mais atenção por onde anda — ele disse em tom ríspido. Os seus olhos verdes se voltaram para a atendente. — As sacolas — estendeu os braços e as pegou. — Obrigado.

— Perdão pelo incômodo, senhor — ela falou. — Isso não vai se repetir.

— Acho bom — assim que disse isso, o homem grosseiro foi embora sem sequer olhar para os lados. A sua mandíbula marcada, tensionada, indicava o nível da sua irritação.

Envergonhada, peguei a minha bolsa no sofá e saí da loja às pressas. O meu rosto ardia de tanta vergonha. Margot vinha atrás de mim e pedia para que eu a esperasse. Estou me sentindo ainda pior do que quando cheguei aqui. Que dia terrível! Fui tratada e repreendida como uma criança malcomportada. Quem aquele idiota pensa que é? O que tem de lindo tem de babaca!

— Fui eu! A culpa foi minha! — Margot segurou os meus braços e me virou para si. — Me desculpa! Eu não imaginei que isso iria acontecer! Aquele cara é um ogro!

— Ele é, mas você não tinha o direito de me empurrar! — Reclamei. — Agora me solta! Chega dessa merda por hoje!

                                                                                    [...]

— Oh, você está tão linda! É a noiva mais linda que este mundo já viu! — O meu pai me recebeu de braços abertos em frente à igreja. Eu tentava sorrir enquanto sentia o meu corpo inteiro estremecer. Estou com medo de tudo o que vem por aí. O casamento, o acordo, a nova vida, o noivo... Que Deus me proteja! — Você está cumprindo o seu destino, minha menina! O seu destino é se casar com Brent Turner!

Engoli o choro e tentei me concentrar em um ponto específico para garantir que as lágrimas não iriam cair. Quando as portas da igreja se abriram, a marcha nupcial ecoou por todo o lugar. Prendi a respiração por um instante. Extremamente nervosa, segurei com firmeza o braço do meu pai e dei os primeiros passos ao seu lado rumo ao altar. Lá estava o noivo, de pé e com os dedos das mãos entrelaçados em frente ao corpo. Brent Turner estava a poucos metros de mim, mas, ao contrário do que imaginei, senti que havia algo familiar. E quanto mais a distância se encurtava, mais eu me dava conta do que estava acontecendo.

Estou caminhando até o homem grosseiro da joalheria. Brent Turner é aquele ogro. E eu vou me casar com ele.

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