Mundo de ficçãoIniciar sessãoValentina chegou a São Paulo atrás de um sonho e encontrou apenas traição. Traída da pior forma pelo namorado e pela melhor amiga, ela busca esquecer a dor em um bar e acaba nos braços de um estranho. Leon, um CEO poderoso e misterioso, nunca esperava se ver obcecado por uma mulher que desapareceu antes do amanhecer — deixando apenas um bilhete e uma marca que ele não consegue apagar. Meses depois, sem dinheiro, sem emprego e carregando um segredo que muda tudo, Valentina aceita um trabalho que pode salvar sua vida. O destino, porém, tem outros planos. Quando os caminhos dos dois se cruzam novamente, Leon sente que a reencontrou. E dessa vez, ele não pretende deixá-la escapar. Uma obsessão nasce. Um segredo perigoso. E um desejo que nenhum dos dois consegue controlar.
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O dia inteiro pareceu ter conspirado contra mim. Começou com o despertador que não tocou e por conta disso cheguei atrasada no trabalho e recebi uma advertência na frente de todos. Na hora de ir para a faculdade ja era muito tarde, corri tanto que quase fui atropelada. Cheguei ofegante, suada, pronta para encarar mais três horas de aula — e que aconteceu? A turma foi dispensada. O professor teve um acidente. Ninguém avisou no grupo. Preferiram esperar a gente chegar para “pedir desculpas”. Um verdadeiro dia de merda. A única coisa boa me esperando era o cinema que eu havia combinado com o Theo, meu namorado. Só de pensar nisso, meu peito ficava mais leve. Hoje completávamos três meses juntos. Ele era carinhoso, paciente, me tratava como se eu fosse especial. E hoje eu precisava daquele filme, daquele abraço, daquele sorriso dele para compensar toda essa merda de dia. Ana minha amiga apareceu ao meu lado no corredor da faculdade, com a mochila pendurada em um ombro só. — Podiam ter avisado pelo grupo, né? — Podiam — respondi, já andando em direção à saída. — Mas não avisaram. Preferem nos ver perder tempo e dinheiro. — Você vai voltar pra casa agora? — Não tenho dúvidas. Tô cansada pra caralho. Mas pelo menos vou encontrar o Theo mais tarde. Isso é a única coisa boa desse dia. Ana hesitou. — A Isabela não apareceu hoje, sabia? Tinha aula de Administração mais cedo, mas ela não veio. Parei no meio do saguão. Algo apertou meu peito. — Ela não me disse nada. — Estranho. Ela quase nunca falta. — É verdade… bem estranho mesmo, mas vou saber o que aconteceu quando chegar. Despedi-me dela e peguei o ônibus. Durante todo o trajeto, me agarrei à imagem do Theo: o rosto dele, o jeito que ele me olhava, o cinema escuro, a mão dele na minha. Era aquilo que me segurava. Eram 14h30 de uma terça-feira nublada em São Paulo. Desci no ponto de sempre. O prédio estava quieto demais. Subi as escadas devagar, o coração um pouco mais leve só de pensar que, em algumas horas, eu estaria com ele. Quando cheguei à porta, notei que estava entreaberta. Empurrei devagar. O apartamento estava completamente escuro. Mas um clarão vindo do meu quarto me chamou atenção. Quanto me aproximei. Meu corpo inteiro gelou ao ouvir os sons que vinha de dentro. Eram gemidos baixos, ofegantes e intensos. — Mais forte… — a voz de Isabela. Rouca. Entregue. — Você gosta assim, gostosa? — a voz grave de Theo. Ofegante. Acelerada. As chaves escorregaram da minha mão e caíram no chão com um tilintar metálico. Eles estavam tão ocupados que nem sequer ouviram. Caminhei até o quarto como se o chão fosse ceder a qualquer momento. Empurrei a porta. A imagem me acertou como um soco no estômago. Isabela montada em Theo. Nua. Cabelos loiros grudados na pele suada, olhos fechados, boca entreaberta. Theo debaixo dela, com as mãos apertando a cintura dela com força, o rosto contorcido de prazer. Na minha cama. Nos meus lençóis. Algo dentro de mim se partiu. — O que é isso? Minha voz saiu baixa, rouca, quase irreconhecível. Eles viraram o rosto ao mesmo tempo. O choque estampado nos olhos. Theo empurrou Isabela para o lado e se levantou depressa, nu. — Valentina… Não respondi. Meu olhar ia dele para ela, dela para ele. A humilhação subiu quente, sufocante. Três meses juntos. Três meses de carinho, de mãos dadas, de promessas. E nunca tínhamos chegado a isso. Isabela puxou o lençol para se cobrir. Não olhava para mim. O cheiro de sexo no quarto era forte, enjoativo. O ar parecia denso, parado. — Na minha cama… — murmurei, mais para mim mesma. Theo deu um passo à frente, estendendo a mão. — Não é o que você está pensando… — Cala a boca. Minha voz saiu firme, apesar do tremor nas mãos. Isabela continuava em silêncio, o rosto vermelho, sem coragem de dizer uma palavra. — Eu confiei em você — falei para ela, sentindo a garganta apertar. — Eu te contava tudo sobre nós dois. Ela não respondeu. Apenas segurou o lençol com mais força. O silêncio que veio em seguida foi pior que qualquer grito. Senti uma náusea subir, o peito pesado, um vazio se abrindo onde antes havia confiança. — Acabou — disse, olhando para os dois. — Vou embora. E não quero ver nenhum de vocês nunca mais. — Valentina, espera… — Theo tentou, mas eu fui mais rápida em adverti. — Não chega perto de mim. Ele parou. Peguei minha bolsa caída perto da porta, enfiei algumas roupas que estavam na cadeira e saí do quarto sem olhar para trás. Bati a porta do apartamento com força. O som ecoou pelo corredor. Vários vizinhos estavam nas portas, observando. Não disse nada. Desci pela escada de emergência, degrau por degrau, as lágrimas vindo quentes e silenciosas. Quando cheguei na rua, o ar frio bateu no rosto. O céu estava escuro, carregado de chuva. Não tinha para onde ir. Nenhum parente próximo. Nenhum amigo de verdade — só Ana, e eu não queria que ela me visse assim. São Paulo, que um dia pareceu cheia de promessas, agora era só concreto frio e vazio. E eu estava completamente sozinha.VALENTINAOs primeiros dias depois da traição foram um borrão de sobrevivência.Consegui um quarto minúsculo num cortiço no Brás. O lugar era apertado, úmido, com paredes descascadas e um banheiro que eu dividia com mais três pessoas. O aluguel era barato, mas ainda assim eu mal conseguia pagar. Não contei nada pros meus pais. Eles já tinham se sacrificado tanto para me mandar pra São Paulo… não ia adicionar mais preocupação. Mandava mensagens curtas dizendo que estava tudo bem, que o trabalho e a faculdade iam bem. Mentiras que pesavam no peito toda vez que eu apertava “enviar”.Sobrevivia com a ajuda que eles mandavam todo mês e o salário da lanchonete. Um salário que, agora, eu sabia que devia à Isabela.Lembrei-me de como tudo começou.Eu tinha acabado de ganhar a bolsa de estudos na federal depois de meses estudando feita louca lá em Itapira, no interior de Minas. Mas a bolsa só cobria a mensalidade. Eu precisava vir pra São Paulo e não tinha onde morar. Foi uma vizinha que comen
LEONAcordei com a luz do sol invadindo o quarto. Estiquei o braço automaticamente para o lado, procurando o calor dela. A cama estava vazia.— Valentina?Só o silêncio respondeu.Sentei-me devagar, ainda nu, e vi o bilhete sobre o travesseiro. Peguei o papel com cuidado, como se pudesse se desfazer. Li cada palavra duas vezes.“Obrigada por tudo. Você foi incrível quando eu mais precisava esquecer. Foi a noite mais intensa da minha vida. Desculpa por ir embora assim. Valentina.”Senti um aperto forte no peito. Virei o lençol e vi a pequena mancha de sangue seco. Fiquei olhando para ela por longos segundos.— Caralho… — murmurei, passando a mão pelo rosto.Ela era realmente virgem. Tinha me dado sua primeira vez numa noite de dor e desespero, sem pedir nada em troca. Uma onda estranha de responsabilidade, desejo e algo mais profundo me acertou em cheio. Eu queria vê-la novamente. Precisava.Quando entrei naquele bar, jamais imaginei encontrar alguém como ela. Seu perfil era perfeito,
VALENTINAAcordei antes do sol nascer completamente. Leon ainda dormia profundamente ao meu lado, um braço pesado sobre minha cintura, o rosto sereno e absurdamente bonito. Fiquei alguns minutos observando-o: traços perfeitos, barba bem aparada, respiração calma. Nunca imaginei que dormiria com um homem tão atraente. Por um segundo, quase senti vontade de ficar.Mas a realidade voltou como um soco no estômago.Eu não podia ficar. Não estava pronta para explicar minha vida destruída para um estranho, por mais incrível que a noite tivesse sido. Levantei com cuidado, sentindo uma dor gostosa e latejante entre as pernas — lembrança viva de tudo que fizemos. Vesti minhas roupas em silêncio, tentando não fazer barulho.No banheiro, lavei o rosto e notei os leves hematomas no pescoço e na cintura. Sorri tristemente para o reflexo. Peguei uma caneta e um papel que encontrei na sala e escrevi:“Leon, Obrigada por tudo. Você foi incrível quando eu mais precisava esquecer. Foi a noite mais i
VALENTINA Ainda estava escuro quando me mexi na cama. Meu corpo doía de um jeito bom, sensível, vivo. Leon despertou no mesmo instante, como se estivesse esperando por mim. Sem dizer nada, ele me puxou para si e voltou a me beijar. O beijo era mais profundo agora, carregado de desejo renovado. E aquela madrugada tive a impressão que ele não queria mais sair de dentro de mim. — Não consegui parar de sonhar com você — murmurou contra minha boca, a voz rouca de sono e excitação. Em poucos minutos ele já estava dentro de mim novamente. Ele começou devagar, com cuidado, sabendo que eu ainda estava dolorida da primeira vez. Cada estocada lenta enviava ondas de sensações mistas pelo meu corpo: um leve incômodo que rapidamente se transformava em calor. Eu estava ficando molhada novamente. Leon percebeu e aumentou o ritmo, estocando mais fundo, mais firme. Arqueei o corpo contra o dele, querendo mais, mesmo que doesse um pouco. — Consegue aguentar mais, linda? — perguntou ele, mordis





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