Mundo de ficçãoIniciar sessãoValentina chegou a São Paulo atrás de um sonho e encontrou apenas traição. Traída da pior forma pelo namorado e pela melhor amiga, ela busca esquecer a dor em um bar e acaba nos braços de um estranho. Leon, um CEO poderoso e misterioso, nunca esperava se ver obcecado por uma mulher que desapareceu antes do amanhecer — deixando apenas um bilhete e uma marca que ele não consegue apagar. Meses depois, sem dinheiro, sem emprego e carregando um segredo que muda tudo, Valentina aceita um trabalho que pode salvar sua vida. O destino, porém, tem outros planos. Quando os caminhos dos dois se cruzam novamente, Leon sente que a reencontrou. E dessa vez, ele não pretende deixá-la escapar. Uma obsessão nasce. Um segredo perigoso. E um desejo que nenhum dos dois consegue controlar.
Ler maisVALENTINA
Tinha acabado de entrar no apartamento que dividia com a minha amiga Isabela quando ouvi sua voz: — Mais forte… por… favor… meu amor! Estava rouca, entregue. E, com ela, gemidos baixos masculinos, ofegantes e intensos. O apartamento estava completamente escuro, mas um clarão vindo do meu quarto — e não do dela — foi o que me chamou atenção. Quando me aproximei, meu corpo inteiro gelou ao ouvir a voz da pessoa que estava com ela. — Você sempre gostou assim, não é, sua safada? — a voz grave, ofegante, acelerada, era de... Theo, o meu namorado. As chaves escorregaram da minha mão e caíram no chão com um tilintar metálico. Eles estavam tão ocupados que nem sequer ouviram. Apressada empurrei a porta. A imagem me acertou como um soco no estômago. Isabela montada em Theo. Nua. Cabelos loiros grudados na pele suada, olhos fechados, boca entreaberta. Theo debaixo dela, com as mãos apertando a cintura dela com força, o rosto contorcido de prazer. Na minha cama. Nos meus lençóis. Algo dentro de mim se partiu. — O que é isso? Minha voz saiu baixa, rouca, quase irreconhecível. Eles viraram o rosto ao mesmo tempo. O choque estampado nos olhos. Theo empurrou Isabela para o lado e se levantou depressa, nu. — Valentina… Não respondi. Meu olhar ia dele para ela, dela para ele. A humilhação subiu quente, sufocante. Três meses juntos. Três meses de carinho, de mãos dadas, de promessas. E nunca tínhamos chegado a isso. Isabela puxou o lençol para se cobrir. O cheiro de sexo no quarto era forte, enjoativo. O ar parecia denso, parado. — Na minha cama… — murmurei, mais para mim mesma. Theo deu um passo à frente, estendendo a mão. — Não é o que você está pensando… — Cala a boca. Minha voz saiu firme, apesar do tremor nas mãos. Isabela me encarava em silêncio. — Eu confiei em você — falei para ela, sentindo a garganta apertar. — Eu te contava tudo sobre nós dois. Ela não respondeu de imediato. Apenas segurou o lençol com mais força enquanto continuava a me encarar. Mas dessa vez, percebi um ar de deboche. Senti uma náusea subir, o peito pesado, um vazio se abrindo onde antes havia confiança. — Esperem que ambos entendam que isso acabou aqui! — disse, olhando para os dois. — Vou embora. E não quero ver nenhum de vocês nunca mais. — Valentina, espera… — Theo tentou, mas eu fui mais rápida em adverti-lo: — Não chega perto de mim. Ele parou. Peguei minha bolsa caída perto da porta e também meus projetos da faculdade. Mas quando olhei para o lado, vi o meu notebook sobre a escrivaninha, aberto. Me assustei. Afinal, dentro dele estavam todas as minhas ideias. — Por que meu notebook está assim, aberto? O que você fez? Confesso que não estava preparada para o que viria. — Valentina, eu… — Theo começou. — Não fala meu nome. Apenas responda a maldita pergunta! — cortei, a voz tremendo de raiva. Isabela deu um passo à frente. Então notei um sorriso frio surgir em seu rosto. — Sabe de uma coisa? Chega de teatro, Theo. Fala logo a verdade para ela de uma vez. — Como assim, que verdade? — perguntei, olhando para ele. Não foi preciso ele responder. Isabela fez questão de fazer isso da pior forma possível. — Acorda, garota! O Theo nunca gostou de você. O que ele queria, ele já conseguiu: o seu bendito projeto, aquele que estava aí. As palavras dela caíram como veneno. Senti o chão sumir. — O quê?! — Qual é, Valentina? Não me diga que nunca notou? — O quê, sua idiota? — Desde o começo. Você era só… útil enquanto terminava o bendito projeto. Olhei para ele, incrédula. Theo simplesmente cruzou os braços e sorriu com sarcasmo, dizendo: — Você realmente achou mesmo que um cara como eu ia querer algo sério com uma garota do interior, virgem, sem graça como você, Valentina? Eu só precisei aguentar três meses de mãozinhas dadas e beijinhos com uma nerd porque você tinha uma ideia boa pra caralho. E adivinha? Eu já patenteei. Lancei ontem como meu. Tá bombando nas redes. “Meu” novo aplicativo. Ele riu. Um riso baixo, cruel. — Olha pra você. Feia, simples, cheirando a pobreza. Achou mesmo que eu ia querer transar com você? Eu tinha a Isabela o tempo todo. Você serviu só pra isso. A humilhação queimou meu peito como ácido. Tudo o que eu havia construído, todas as noites acordada trabalhando na ideia, os sonhos que contei pra ele… roubados. Por ele. Pela minha “melhor amiga”. Perdi o controle. Avancei contra Theo, comecei a bater no peito dele com os punhos cerrados, com toda a força que me restava. — SEU LIXO! LADRÃO! DESGRAÇADO! Ele segurou meus pulsos, rindo ainda mais. — Olha pra você, garota. Você é simplesmente patética! Isabela assistia tudo com um sorrisinho satisfeito no canto da boca. A cobra finalmente mostrava as presas. — Você sempre foi ingênua demais, Valentina. Achou mesmo que alguém como você merecia ele? Acorda. As lágrimas escorriam pelo meu rosto, mas eu não sentia mais vergonha. Só ódio puro, cru. Peguei o vaso que estava na mesa e joguei na direção dos dois. Eles se afastaram. Enfiei minhas roupas, o notebook e os projetos em uma mala e sai daquele maldito quarto às pressas. — Vocês dois se merecem — cuspi, parando na porta. — Dois vermes. Um dia vocês vão cair. E eu vou estar bem perto pra rir de vocês. Eu juro! Saí batendo a porta com tanta força que o barulho ecoou pelo corredor inteiro. Desci pela escada de emergência, degrau por degrau, as lágrimas vindo quentes e silenciosas. Eu tinha perdido quase tudo. Mas ainda tinha três coisas que eles não conseguiram roubar: minha dignidade, minha raiva e minha vontade de vencer. E elas iam me fazer forte.LAURA Há vinte anos trabalho nesta casa. Primeiro para os pais de Leon, que agora estão aposentados e moram em Paris, e depois para ele. Conheço cada canto dessa mansão, cada segredo guardado em suas paredes. E sei reconhecer quando algo está fora do lugar. Estava passando o pano na sala quando vi Veronica saindo do quarto de Valentina com uma expressão suspeita. Ela fechou a porta devagar, olhou para os lados e desceu as escadas rapidamente, como quem não quer ser vista. Algo não estava certo. Fui até a cozinha, onde ela estava guardando algo na bolsa. Seus olhos se arregalaram quando me viu. — Veronica, o que você estava fazendo no quarto da babá? Ela empalideceu. — Nada. Só… arrumando. — Esse trabalho não é da tua incumbência. Afinal a Valentina é uma funcionária igual a nós e ela mesma arruma o próprio quarto. Veronica engoliu em seco. Eu me aproximei, sentindo o peso dos meus anos de experiência naquela casa. — Se você está escondendo algo, é melhor contar agora. Ela h
RAFAEL Confesso que fiquei intrigado com a tal babá. Antes de vir sonda ouvi falar dela — 24 horas por dia, depois que Isadora ligou para os meus pais. Eles já tinham pintado a pobre garota de bruxa, coitados. Mal sabiam eles quem era a verdadeira bruxa da história. E minha nossa! Minha mente entrou em parafuso depois que a vi na tela do computador de Leon. E confesso que até fiquei assustado com a intensidade dos ciúmes dele. Ele quase arrancou minha cabeça quando comentei sobre a beldade. Tudo que sei é que a garota estava mexendo com todos ali — até o pequeno Benjamin mencionou seu nome com um brilho nos olhos. Mas ainda não a tinha visto pessoalmente. Quando cheguei, ela tinha saído para levar o menino ao colégio. Depois, fiquei trancado no quarto arrumando minhas coisas e, quando finalmente desci, ela já estava na sala de estudos com Benjamin, longe do meu alcance. Resolvi então sondar Laura, que estava na cozinha organizando a despensa. Apoiei-me na porta com meu sorriso mais
ISADORA Senti o peso daquelas palavras. Não era só sobre amor. Era sobre sobrevivência. Eu era apaixonada por Leon sim, mas naquele momento tinha que pensar com a razão e não com a emoção. Minha família estava à beira da falência, e Leon era a única salvação. Sem ele, perderíamos tudo. A casa, a empresa, a posição social que minha mãe lutou tanto para construir. Eu não podia deixar aquilo acontecer. — E como vou seduzi-lo se ele só tem olhos para ela? — perguntei, a voz trêmula, sentindo o desespero crescer dentro de mim. — Você vai usar o que tem de melhor: a memória. Lembre-o de tudo o que vocês viveram. Dos momentos difíceis que ele passou depois que Anya morreu. Você esteve lá, Isadora. Você segurou a mão dele quando ele mais precisou. Ela não estava lá. Você estava. Use isso. — E se isso não funcionar? — Então você usa o garoto. Benjamin. Ele é a chave. Faça com que Leon acredite que Valentina é uma ameaça para o filho dele. Plante dúvidas. Invente mentiras. As pessoas sempre
ISADORA Ontem, Verônica me ligou no meio da noite. A voz dela vinha baixa, como se estivesse escondida em algum canto escuro da mansão. — Senhora, ouvi uma coisa. O senhor Leon mandou um detetive investigar o tal do Theo Mendes e a ex-amiga da babá. Eu ouvi ele dizendo que vai destruir a vida dos dois, aparentemente para proteger a Valentina dos ataques. — E ela, como está reagindo a tudo isso? Ela sabe? — Não, senhora, não sabe. Na verdade, embora ela finja não querer o senhor Leon, ela está cada vez mais próxima dele, e ele sempre a procura. Hoje mesmo, ele a puxou novamente para o escritório. Eles discutiram, mas não pude ouvir o que disseram. Porém, vi pela fechadura eles se beijarem, até que ela saiu às pressas para o seu quarto. E logo em seguida, ele... bem, ele estava bem "animado", se é que a senhora entende o que eu digo — ela falou com um risinho disfarçado. Apertei o celular com força. Meu corpo tremia de raiva meu, mal saí e a desgraçada já estava agindo. — Mal





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