Mundo de ficçãoIniciar sessãoApós a morte trágica de sua esposa no parto, Eduardo Ferraz, um CEO poderoso e implacável, se vê diante do maior desafio de sua vida: criar sozinho o filho recém-nascido que ele acredita ser o responsável por sua perda. Enterrado em trabalho, ele não consegue se conectar com o bebê, nem lidar com a dor. Desesperado, Eduardo contrata uma babá para ajudá-lo temporariamente, sem imaginar que Sofia Carvalho, uma mulher doce, forte e determinada, será muito mais do que uma cuidadora. Sofia entra na mansão silenciosa carregando suas próprias feridas, mas aos poucos conquista o bebê... e começa a derreter as defesas do pai. Em meio a noites insones, mamadeiras e emoções represadas, nasce um laço proibido e irresistível. Mas o luto, os segredos e uma sombra do passado ameaçam esse novo começo. Será que o amor tem espaço onde antes só havia dor?
Ler maisSOFIA Quinze anos depois. A vida passou... não com pressa, mas com propósito. Os filhos cresceram. As manhãs bagunçadas deram lugar a despedidas nos portões da escola, depois às noites em claro esperando eles voltarem das festas — e, agora, a silêncios confortáveis à mesa de jantar, cheios de lembranças e orgulho. As rugas chegaram devagar. Primeiro nos olhos, de tanto rir. Depois na testa, marcadas pelas noites difíceis, pelas preocupações que só quem ama de verdade sente. Mas não me importava. Cada marca era uma história vivida, uma vitória íntima, um capítulo do que a gente construiu. Mesmo assim, quando Eduardo me olhava... meu coração ainda tropeçava. Era o mesmo olhar de quando ele me viu pela primeira vez naquele cassino de Las Vegas. Só que agora era mais. Era olhar de quem sabe. De quem ficou. De quem escolheu. Luna, com seus dezessete, era a tempestade mais linda que já conheci. Cheia de ideias, intensidade e uma rebeldia poética que me fazia sorrir mesmo quando me pr
SOFIAEu sempre tive um espaço guardado. Um silêncio bonito, manso, que morava dentro de mim como uma canção sem letra, esperando o momento certo pra ser cantada. Não era ausência. Não era falta. Era amor demais, pedindo um novo destino. E, durante anos, eu mantive esse espaço com carinho — como quem cuida de um quarto à espera de um hóspede que ainda não sabe que vai chegar.Adotar uma criança nunca foi sobre preencher um vazio. Pelo contrário. Era sobre transbordar. Era sobre oferecer o que a vida me deu de mais bonito: a chance de recomeçar, de amar sem limites, de dizer com gestos o que palavras jamais alcançariam.A decisão não veio de repente, mas também não pediu licença. Chegou como a primavera: suave, mas impossível de ignorar. Um domingo de céu limpo e riso solto. Estávamos no parque, como tantas vezes antes. Eduardo jogava bola com Enzo e Gael. Luna estava deitada na grama, desenhando nuvens no caderno. E eu... eu observava o mundo como quem espera um sinal sem saber.Foi q
EDUARDOA notícia chegou numa tarde sem cor. O céu estava encoberto, e o silêncio da casa parecia prenunciar o que estava por vir. O telefone vibrou em cima da mesa. Olhei o visor, respirei fundo antes de atender.— Eduardo… — a voz do médico do outro lado da linha vacilava. — Isabella faleceu hoje. Dormiu e não acordou mais.Por um momento, o tempo parou. Não ouvi mais nada. Só o som do meu próprio coração martelando dentro do peito. Forte. Doloroso. Incrédulo. Eu sabia que esse momento chegaria, mas quando a morte chega, nunca parece a hora certa.Ela estava doente. O câncer no ovário tinha avançado depressa demais, com a violência silenciosa de algo que só se revela quando é tarde demais. Ela resistiu aos tratamentos até não poder mais. Quando finalmente aceitou ajuda, já era como tentar conter o mar com as mãos.— Obrigado por me avisar — foi tudo o que consegui dizer. Minhas mãos tremiam quando desliguei.Sofia estava na sala, sentada no sofá com Enzo no colo. Ela lia uma históri
2 anos depoisSOFIAO tempo passou. Não com pressa, nem em explosões repentinas. Passou como quem entende o valor de cada segundo. Como uma brisa morna que vai mudando as estações sem alarde, mas deixando marcas em cada folha que cai, em cada flor que desabrocha.Quando percebi, Luna já caminhava pela casa com passinhos decididos, desajeitados e lindamente teimosos. Seus pezinhos batiam no chão com ritmo de liberdade, como se o mundo fosse pequeno demais pra tanta vontade de viver. Gael, com aqueles olhinhos de ternura e a voz em construção, balbuciava mamãe com um som que parecia música. Cada sílaba, um poema. Cada risada, um hino silencioso de que vencemos.E Enzo… meu primeiro amor. Meu menino que já não era tão menino. Oito anos e um coração que parecia ter vivido mil. Era ele quem ajudava nos banhos, buscava fraldas, contava histórias improvisadas quando os gêmeos choravam, como se fosse o irmão mais velho mais importante do universo. E era.— Quando eu crescer, vou construir uma
SOFIAO sol da manhã atravessava a cortina com delicadeza, banhando o quarto da maternidade numa luz dourada e quase sagrada. O silêncio ali dentro não era vazio — era cheio de significado. Era o som da vida se ajeitando, do amor se materializando em forma de dois pequenos milagres.Mesmo exausta, com o corpo doído e o coração acelerado, eu não conseguia parar de sorrir. Luna e Gael dormiam tranquilamente em seus bercinhos ao lado da cama, tão pequenos que pareciam saídos de um sonho. Eu os observava como quem olha o pôr do sol pela primeira vez. Enzo, com os olhos marejados e o coração batendo fora do peito, estava sentado na poltrona, quase sem piscar.— Eles são tão pequenos… — ele sussurrou, como quem fala de algo sagrado.— E tão nossos… — respondi, sentindo a voz embargar de emoção.Eduardo se aproximou com aquele olhar que só ele tinha — uma mistura de fascínio, medo e uma entrega absoluta. Ele passou o braço por trás dos meus ombros, me puxando pra perto como se quisesse colar
Alguns Meses Depois EDUARDOO dia amanheceu com um silêncio quase sagrado. Havia algo no ar — não só o cheiro de chuva, mas uma sensação inexplicável de que o mundo estava prestes a mudar. A brisa entrava suave pela fresta da janela, acariciando as cortinas como mãos invisíveis preparando o cenário para o momento mais importante da minha vida.Sofia dormia profundamente, o rosto sereno, a pele iluminada pela luz cinza do amanhecer. Seus cabelos caíam em ondas no travesseiro e uma das mãos repousava sobre a barriga, protetora, instintiva, como se já estivesse embalando nossos filhos mesmo antes de conhecê-los. Aquele ventre que por meses foi abrigo agora parecia vibrar com uma urgência silenciosa.Eu estava ali, encostado na moldura da janela, respirando fundo, tentando conter o turbilhão dentro do peito, quando ouvi.Um som baixo. Um suspiro diferente. Denso. Sofrido.Virei num instante.— Sofi?Ela abriu os olhos, úmidos, como se despertasse de um sonho intenso. A dor estava ali, no





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