Mundo de ficçãoIniciar sessãoLaena só precisava de um emprego para sobreviver. Dante só precisava de alguém para proteger seu filho. Nenhum dos dois imaginava que se tornariam a ruína um do outro. Quando Laena chega à mansão Valverde, encontra um menino silencioso, uma família destruída e um patrão que esconde mais dor do que arrogância. Ainda assim, Dante exige apenas uma regra: “Não ultrapasse a porta do meu quarto. E nunca, jamais, tente se aproximar de mim.” Mas as noites longas, os encontros inesperados no corredor e as crises do garoto aproximam os dois. E quando Dante vê seu filho falar pela primeira vez — chamando Laena — tudo muda. O desejo se torna impossível de controlar. Os toques roubados viram necessidade. E o que era proibido se torna explosivo. Mas o passado de Dante está prestes a explodir. Sua esposa não morreu como todos acreditam. E agora, alguém quer Laena fora do caminho… custe o que custar.
Ler maisOs primeiros dias depois do casamento tiveram uma qualidade quase irreal.Não porque fossem perfeitos, mas porque pareciam suspensos de tudo o que os cercava antes. A casa estava mais leve. Até os silêncios pareciam diferentes, menos tensos, menos vigiados. Lorenzo atravessava os cômodos com uma tranquilidade nova, como se tivesse entendido, finalmente, que nada ali ameaçava arrancá-lo do centro da própria vida. Helena se permitia sorrir com mais facilidade. E Dante, que passara tanto tempo vivendo em estado de contenção, parecia experimentar uma forma mais rara de descanso sempre que olhava para a mulher que agora carregava oficialmente seu sobrenome.Laena, por sua vez, ainda se acostumava ao peso delicado da aliança e ao modo como a palavra esposa alterava a temperatura do próprio corpo quando Dante a dizia em voz baixa, quase como se a saboreasse. Havia momentos em que tudo aquilo ainda lhe parecia grande demais para caber na vida que tivera antes. E, justamente por isso, ela se a
A recepção foi exatamente como eles haviam escolhido: elegante sem ser excessiva, íntima sem ser tímida, bonita sem parecer construída para impressionar quem não importava. O jardim permaneceu iluminado até o anoitecer, e a luz ambarina das pequenas luminárias se misturou ao céu em tons de azul profundo quando a música tomou o espaço de forma mais leve.Houve risos.Houve abraços.Houve taças erguidas.Lorenzo correu entre os convidados com a gravata já torta e os olhos acesos por um orgulho silencioso que ele ainda não sabia nomear. Helena chorou discretamente durante o corte do bolo, e até o pai de Dante, sem demonstrar emoção explícita, permaneceu até o fim com uma postura menos rígida do que Laena imaginara possível.Mas nada disso sobreviveu na memória dela com tanta força quanto a sensação do corpo de Dante se aproximando sempre que alguém a afastava dele por mais de alguns minutos. Ele a procurava com o olhar. Tocava discretamente sua lombar ao cruzar por ela. Encostava os dedo
Quando chegou o momento dos votos, o jardim inteiro pareceu desacelerar.A música havia diminuído, o vento seguia percorrendo as árvores com um sussurro leve, e ainda assim tudo se recolheu ao espaço pequeno e absoluto entre eles. Havia convidados nas cadeiras, havia o celebrante diante do altar simples montado sob a árvore antiga, havia Lorenzo poucos passos atrás, observando com atenção séria demais para a idade. Mas, para Laena, o mundo naquele instante cabia apenas na forma como Dante a olhava.Não era o olhar de um homem emocionado por uma cerimônia bonita. Era o olhar de alguém que já havia atravessado luto, desejo, culpa, medo, proteção e escolha — e ainda assim estava ali, inteiro, oferecendo a ela o que tinha de mais definitivo.Dante recebeu do celebrante o papel dobrado onde havia escrito seus votos. Durante alguns segundos, porém, ele não o abriu. Permaneceu segurando as mãos de Laena, como se precisasse sentir a temperatura da pele dela antes de confiar nas próprias palav
A manhã do casamento nasceu com uma luz que parecia mais suave do que qualquer outra manhã que Laena já tinha vivido.Ela acordou antes do despertador, antes da casa ganhar vida, antes mesmo que os primeiros sons da cozinha chegassem ao quarto. Por alguns segundos permaneceu deitada, observando o teto enquanto tentava organizar a avalanche de emoções que se acumulavam dentro do peito.O dia finalmente havia chegado.Não era apenas o dia do casamento. Era o dia em que sua vida deixaria definitivamente de ser uma história provisória.Laena deslizou lentamente a mão sobre o próprio ventre, num gesto que vinha se tornando cada vez mais natural. A curva ainda era invisível, quase um segredo guardado apenas entre ela e Dante, mas a consciência daquela vida pulsava dentro dela com intensidade crescente.Ela respirou fundo.Casada.Grávida.Parte de uma família.Durante muitos anos ela não ousara sequer imaginar algo assim.Ao seu lado, Dante ainda dormia. A respiração dele era profunda e reg
Na manhã seguinte ao jantar na casa do pai de Dante, Laena acordou com a sensação de que havia atravessado uma tempestade silenciosa. O corpo ainda carregava o cansaço emocional da noite anterior, e por alguns minutos ela permaneceu deitada, observando a luz suave que entrava pelas cortinas do quarto.Dante ainda dormia.Era raro vê-lo assim, completamente relaxado. Durante o dia ele sempre parecia dominar o ambiente, controlar cada detalhe ao redor. Mas ali, naquele momento, com o rosto parcialmente enterrado no travesseiro e a respiração lenta, ele parecia apenas um homem que precisava descansar.Laena apoiou a mão sobre o ventre, num gesto que começava a se tornar automático.Grávida.A palavra ainda parecia nova dentro dela.Antes que pudesse continuar os próprios pensamentos, o celular sobre a mesa de cabeceira vibrou. O nome de Helena apareceu na tela.Laena atendeu.— Bom dia — disse, ainda com a voz baixa.Do outro lado da linha veio um silêncio curto, seguido de um suspiro qu
O jantar na casa do pai de Dante não era exatamente um convite. Era uma convocação elegante.Quando a mensagem chegou pela manhã, o tom já denunciava que não se tratava de um encontro casual. O pai de Dante raramente pedia a presença do filho sem motivo claro. Ele preferia resolver assuntos familiares com a mesma objetividade com que conduzia os negócios: direto ao ponto, sem rodeios.Laena percebeu a mudança em Dante no momento em que ele leu a mensagem.Ele não comentou imediatamente, mas o silêncio dele dizia mais do que qualquer explicação.— Seu pai? — perguntou ela, com calma.Dante levantou os olhos do telefone.— Jantar hoje à noite.Ela assentiu devagar. Não precisava perguntar mais nada para compreender o peso daquilo.Desde que o relacionamento deles começara a se tornar mais visível, a postura do pai de Dante era cordial, porém distante. Não havia hostilidade explícita, mas também não havia aprovação real. Era o tipo de silêncio que avaliava, calculava, esperava.E agora,





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