Mundo ficciónIniciar sesiónLaena só precisava de um emprego para sobreviver. Dante só precisava de alguém para proteger seu filho. Nenhum dos dois imaginava que se tornariam a ruína um do outro. Quando Laena chega à mansão Valverde, encontra um menino silencioso, uma família destruída e um patrão que esconde mais dor do que arrogância. Ainda assim, Dante exige apenas uma regra: “Não ultrapasse a porta do meu quarto. E nunca, jamais, tente se aproximar de mim.” Mas as noites longas, os encontros inesperados no corredor e as crises do garoto aproximam os dois. E quando Dante vê seu filho falar pela primeira vez — chamando Laena — tudo muda. O desejo se torna impossível de controlar. Os toques roubados viram necessidade. E o que era proibido se torna explosivo. Mas o passado de Dante está prestes a explodir. Sua esposa não morreu como todos acreditam. E agora, alguém quer Laena fora do caminho… custe o que custar.
Leer másO problema de um segredo não é quando ele nasce. É quando começa a exigir administração. Quando deixa de ser apenas algo vivido no escuro e passa a interferir na luz do dia. Dante e eu sentimos isso com clareza na manhã seguinte, como se o ar da casa tivesse ficado mais rarefeito, mais atento a qualquer deslize.Nada havia sido dito. E, ainda assim, tudo estava sendo observado.Helena circulava pelos cômodos com a mesma eficiência de sempre, mas havia algo diferente no ritmo. Não era curiosidade explícita, nem vigilância aberta. Era método. O tipo de atenção que não se manifesta em perguntas, mas em presença prolongada. Em pausas calculadas. Em olhos que registram e guardam.Dante manteve distância durante o café da manhã. Distância demais. Falava comigo apenas o necessário, a voz neutra, quase fria. Para qualquer outro, aquilo pareceria normal. Para mim, soava como contenção excessiva.Lorenzo, alheio a tudo, conversava animado sobre a escola, espalhando migalhas pela mesa. Helena ob
Helena não era o tipo de pessoa que fazia perguntas desnecessárias. Nunca fora. Trabalhava naquela casa havia anos, tempo suficiente para aprender que os segredos mais perigosos não são os gritados, mas os sussurrados nos gestos. Ela conhecia o ritmo da casa melhor do que qualquer um. Sabia quando algo mudava antes mesmo de conseguir explicar o porquê.E algo tinha mudado.Não era apenas a forma como Dante circulava pelos corredores, mais atento, mais presente, menos fechado em si mesmo. Nem apenas a maneira como eu parecia ocupar o espaço com uma confiança que não existia antes. Era a soma dos detalhes. Pequenos demais para serem acusatórios. Consistentes demais para serem ignorados.Helena começou a observar.O café da manhã se tornara mais silencioso. Dante chegava à mesa mais cedo do que o habitual e permanecia ali mesmo depois de Lorenzo sair, como se tivesse esquecido algum compromisso invisível. Eu, por minha vez, demorava mais para sair da cozinha, organizava coisas que já est
O perigo deixou de ser abstrato no momento em que ganhou olhos. Não olhos curiosos por acaso, mas atentos, presentes demais, como se alguém tivesse começado a perceber que certos silêncios se repetiam com frequência excessiva. O segredo, até então confortável, passou a exigir um nível novo de atenção.A manhã começou aparentemente comum. Lorenzo saiu para a escola com a tranquilidade de sempre, Dante seguiu para o escritório improvisado no andar de baixo, e eu me ocupei das tarefas rotineiras. Ainda assim, havia algo no ar que não se encaixava. Uma vigilância invisível. Um cuidado que não vinha apenas de nós dois.Helena circulava pela casa com mais presença do que o habitual. Não era intromissão; era observação. O tipo de observação que nasce da convivência longa, do instinto de quem percebe mudanças sutis no comportamento das pessoas.Eu estava no corredor quando Dante surgiu à minha frente, vindo do escritório. O encontro foi rápido demais para ser ensaiado, lento demais para ser c
O perigo do segredo não está apenas em ser descoberto. Está em se tornar necessário demais. Em deixar de ser exceção para virar hábito. Dante e eu atravessamos esse limiar sem perceber exatamente quando aconteceu. Não houve um acordo formal, nem uma conversa longa definindo regras claras. Houve repetição. E, quando algo se repete com prazer, cria raízes.As noites passaram a ter um ritmo próprio. Lorenzo dormia cedo, a casa se aquietava, e o silêncio deixava de ser apenas ausência de som para se tornar convite. Às vezes era o quarto dele. Outras vezes o meu. Às vezes um encontro rápido que se estendia mais do que deveria. O corpo parecia reconhecer aquele horário como um chamado inevitável.Não era só sexo. Era a forma como Dante me procurava com o olhar durante o dia, como se já estivesse antecipando a noite. Era o modo como eu sentia o corpo reagir ao simples som dos passos dele no corredor. Não havia mais a excitação do proibido puro; havia algo mais denso, mais envolvente. Uma nec
A casa já estava mergulhada no silêncio quando Dante apareceu à minha porta. Não houve batida. Apenas o som discreto da maçaneta girando devagar, como se ele soubesse que eu já o esperava. A luz no corredor estava baixa, criando sombras suaves que deixavam tudo mais íntimo, mais secreto, mais perigoso.— Ele dormiu — disse Dante, em voz baixa, quase um sussurro.— Eu sei — respondi, sentindo o coração acelerar. — Ouvi você fechar a porta do quarto dele.Ele assentiu, os olhos fixos em mim de um jeito que já não escondia nada. Não havia mais o cuidado exagerado do início, nem a tentativa de fingir neutralidade. O que havia ali era decisão. E fome.— Vem — disse ele, estendendo a mão.Segui Dante pelo corredor com a sensação de atravessar um limite invisível. Não era apenas o quarto dele que me aguardava, mas tudo o que vínhamos adiando desde a biblioteca. Cada passo parecia carregar um peso novo, como se o corpo soubesse que não haveria mais volta depois daquela noite.O quarto de Dant
O desejo tem uma forma curiosa de se transformar quando deixa de ser apenas impulso. Ele passa a se infiltrar nos gestos mais simples, na maneira como um olhar se prolonga além do necessário, no cuidado excessivo ao manter distância, na tensão silenciosa que se instala entre dois corpos que já se conhecem demais para fingir neutralidade.Nos dias que se seguiram, Dante e eu entramos em um ritmo perigoso. Não era apenas o segredo que nos unia, mas a constância dele. Não havia mais a excitação do acaso ou da surpresa; havia a expectativa. A certeza de que, em algum momento do dia, nossos caminhos se cruzariam de um jeito que faria o corpo despertar antes da razão.Lorenzo continuava sendo o centro visível da casa, e isso nos mantinha atentos. Tudo precisava acontecer fora do alcance do olhar infantil, fora do tempo dele, fora do espaço que ele ocupava. O que existia entre Dante e eu pertencia a outro plano — mais silencioso, mais noturno, mais íntimo.Naquela manhã, Dante estava diferen





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