Mundo de ficçãoIniciar sessãoLaena só precisava de um emprego para sobreviver. Dante só precisava de alguém para proteger seu filho. Nenhum dos dois imaginava que se tornariam a ruína um do outro. Quando Laena chega à mansão Valverde, encontra um menino silencioso, uma família destruída e um patrão que esconde mais dor do que arrogância. Ainda assim, Dante exige apenas uma regra: “Não ultrapasse a porta do meu quarto. E nunca, jamais, tente se aproximar de mim.” Mas as noites longas, os encontros inesperados no corredor e as crises do garoto aproximam os dois. E quando Dante vê seu filho falar pela primeira vez — chamando Laena — tudo muda. O desejo se torna impossível de controlar. Os toques roubados viram necessidade. E o que era proibido se torna explosivo. Mas o passado de Dante está prestes a explodir. Sua esposa não morreu como todos acreditam. E agora, alguém quer Laena fora do caminho… custe o que custar.
Ler maisA casa estava mais silenciosa do que o habitual naquela tarde.Depois da intensidade dos últimos dias, havia algo diferente no ar — uma calma que não vinha da ausência de acontecimentos, mas da sensação de que, finalmente, tudo havia encontrado um lugar.Laena estava na varanda, apoiada na grade de madeira clara, observando o jardim com atenção tranquila. A luz do fim de tarde se espalhava entre as árvores, desenhando sombras suaves sobre a grama, onde Lorenzo corria sem nenhuma preocupação com o tempo.Ele inventava jogos que só ele entendia, mudava as regras no meio da brincadeira e ria como se aquilo fosse a coisa mais importante do mundo.E, naquele momento, talvez fosse mesmo.Laena sorriu.Havia algo profundamente reconfortante em assistir aquilo.Durante muito tempo, ela acreditou que a vida era feita de ausências — de espaços vazios, de histórias interrompidas, de perguntas que não teriam resposta. Aprendeu a viver com o mínimo, a não esperar demais, a não criar raízes profund
O evento havia sido anunciado como um encontro corporativo, e nada, à primeira vista, fugia ao padrão esperado para a família Valverde. O salão estava impecavelmente preparado, com iluminação cuidadosamente posicionada, mesas distribuídas com equilíbrio e convidados que representavam exatamente o tipo de presença que Dante sempre selecionava com precisão.Para quem observava de fora, era apenas mais uma noite dentro do universo controlado e sofisticado que ele dominava com naturalidade. No entanto, para Dante, aquele encontro carregava um propósito que não aparecia nos convites nem nos discursos habituais.Laena percebeu isso antes mesmo que qualquer palavra fosse dita.Não foi algo explícito, nem algo que ele tenha compartilhado com antecedência, mas havia uma intenção silenciosa na forma como ele conduzia cada detalhe, no modo como observava o ambiente e no cuidado quase imperceptível com que organizava o próprio espaço dentro do salão. Era o comportamento de alguém que não estava a
A primeira vez que Laena voltou à casa principal depois da reunião não foi anunciada, mas ainda assim sua presença não passou despercebida.Não houve silêncio imediato nem interrupção abrupta das conversas, porém algo no ambiente se reorganizou no instante em que ela cruzou o hall. Era uma mudança sutil, quase imperceptível para quem não estivesse atento, mas suficiente para que os olhares começassem a se voltar, um a um, na direção dela.Laena percebeu.Não com desconforto, mas com consciência.Durante muito tempo, aprendera a entrar nos lugares medindo cada gesto, ajustando a própria presença, como se precisasse sempre calcular o espaço que podia ocupar. Era um instinto antigo, moldado por anos em que pertencimento nunca fora garantido e em que permanecer dependia mais de silêncio do que de afirmação.Mas aquela mulher que agora atravessava o piso de mármore não carregava mais aquele cuidado excessivo.Havia serenidade na forma como caminhava, uma tranquilidade firme que não vinha d
A casa estava silenciosa naquela manhã.Depois da reunião da noite anterior, o ambiente parecia ter absorvido tudo o que foi dito, como se as paredes ainda estivessem tentando reorganizar o peso das palavras que ecoaram ali. Nada havia sido dito em excesso, mas o suficiente para mudar a posição de Laena dentro daquela família de forma definitiva.E, ainda assim, dentro dela, algo permanecia em movimento.Laena estava sentada na varanda lateral, com uma xícara de café esquecida entre as mãos. O líquido já não estava quente, mas ela não havia percebido o momento em que deixou de beber. O olhar permanecia perdido no jardim, acompanhando o movimento leve das folhas ao vento, enquanto a mente insistia em revisitar tudo o que acontecera.Durante anos, ela aprendera a não esperar pertencimento.Aprendera a entrar em lugares com cuidado, a não ocupar espaço demais, a não criar raízes profundas onde não havia garantia de permanência. Era uma forma de proteção. Um jeito de existir sem depender















Último capítulo