Mundo ficciónIniciar sesiónElisa River perdeu tudo em uma única semana: o emprego que amava, a casa onde cresceu e qualquer ilusão de justiça. Em uma noite de raiva e álcool, decide esquecer o mundo em uma festa onde ninguém faz perguntas — e acaba na cama de um homem perigoso, dominante e inesquecível. O que ela não sabia é que ele não era somente um desconhecido gostoso. Victor Baltimor é o primeiro-ministro do Canadá. Poderoso, arrogante e acostumado a mandar em tudo — inclusive nas pessoas. Quando descobre que a mulher que o enlouqueceu é a nova babá de sua filha, o choque se transforma em obsessão. Entre acusações, humilhações, desejo proibido e uma atração impossível de ignorar, Elisa se recusa a se curvar. Insolente, ferida e determinada, ela enfrenta o homem que pode destruir sua vida… ou implorar para tê-la de volta. Porque quando o poder encontra a insolência, ninguém sai ileso. E algumas obsessões não aceitam rejeição. Será que Elisa vai resistir a essa tentação? E Victor, até onde vai para ter o fruto da sua obsessão?
Leer másELISA RIVER
Cinco dias sem o emprego que eu amava com cada pedaço de mim.
E ontem… bateram na porta da casa onde nasci, onde guardei cada lembrança de infância, e me expulsaram como se eu fosse uma estranha. Tudo por corrigir o filho mimado de um banqueiro, e a esposa dele decidiu que uma simples professora não tinha esse direito.
Agora estou aqui, afundada no sofá da Cecília, olhos ardendo de tanto chorar, chá frio esquecido na mão, uma raiva tão grande que parece que vai me rasgar por dentro. Vinte e cinco anos e de volta à estaca zero. Dependendo da piedade da única pessoa que ainda não virou as costas para mim.
Cecília entra na sala com uma bandeja, café fumegante, biscoitos, aquele sorriso forçado de quem está tentando salvar uma amiga do abismo.
— Eli, pelo amor de Deus, você não pode ficar assim o dia todo. Vamos sair. E fazer qualquer coisa. Você não pode ficar assim, amiga. Reaja. — Tenta me animar. Balanço a cabeça.
— Só quero ficar aqui, remoendo minha raiva. — Murmuro. Ela senta ao meu lado, pega minha mão gelada.
— Tá, eu entendo. Mas escuta: meus pais estão dando uma festa na casa de campo hoje. Para receber meu tio Victor, aquele que eu te contei mil vezes, o primeiro-ministro do Canadá. E meus pais me obrigaram a ir. Vai estar lotado de gente poderosa, segurança pesada, zero celular permitido na área da festa. O lema dessas festas na família Baltimor é: acontecendo lá dentro, perece lá dentro. Ninguém julga, ninguém grava, ninguém lembra. Uma noite inteira para você ser quem quiser. — Comenta empolgada. Levanto os olhos, ainda sem acreditar direito.
— Festa? Fui demitida e despejada ontem, Ceci. Não estou com a menor vontade de ter gente rica me olhando como se eu fosse uma intrusa. — Menciono. Ela dá aquele sorriso torto que sempre me desarma e convence.
— Exatamente por isso, sua teimosa. Você precisa esquecer essa injustiça toda. Beber até o cérebro apagar, dançar até as pernas tremerem, transar com quem aparecer na sua frente se tiver vontade. Alguém que te faça gozar tão forte que você esqueça o nome daquele banqueiro filho da puta e da esposa venenosa dele. Juro que não te abandono… exceto se você peça para eu sumir porque arrumou um cara que valha a pena.
Fico quieta. A raiva ainda lateja no peito, mas a ideia de não passar mais uma noite chorando de raiva naquele sofá começa a ganhar força. Suspiro fundo.
— Está bem. Eu vou. Mas só porque você não ia me deixar em paz mesmo. — Concordo, me animando. Ela solta um gritinho de vitória e me esmaga num abraço. Dou um sorriso com sua alegria.
— Essa é a minha garota! Você vai ver, vai ser a melhor noite da sua vida. Agora vai tomar banho que escolho a arma letal que você vai vestir hoje. A professorinha boazinha morreu. Hoje nasce a Elisa perigosa.
Estremeço, só em imaginar o que ela tem em mente para mim. Minutos depois, saio do banho enrolada na toalha e dou de cara com o vestido em cima da cama. Preto, minúsculo, decote até o umbigo, barra que mal cobre o começo das coxas. Arregalo meus olhos, não vou vestir isso.
— Cecília, você enlouqueceu? Isso não é vestido, é um crime! Minha bunda vai aparecer inteira se eu respirar fundo! — Declaro horrorizada. Ela ri, safada.
— Perfeito. O objetivo é exatamente esse. Hoje todo mundo vai virar o pescoço quando você passar e ele combina com esses saltos aqui. Confia em mim.
Suspiro derrotada. Quando ela decide, não tem discussão. Visto o retalho de tecido, puxo para baixo umas cinquenta vezes, olho no espelho e… meu Deus, não é que ela tinha razão, na escolha. Eu estou irresistível, perigosa, irreconhecível. Exatamente o que eu precisava para enterrar a Elisa de ontem.
— Se amanhã minha bunda estiver na internet, eu te mato — resmungo enquanto ela me empurra para o automóvel.
— Relaxa, ninguém é louco de filmar. Lá dentro celular é artigo proibido. Hoje ninguém é de ninguém.
Uma hora de estrada depois, dobramos na entrada particular e meu queixo cai. A mansão parece um palácio de filme, toda iluminada, luzes brancas refletindo na pedra e no vidro, fila de automóveis que custam mais que a minha vida inteira. Seguranças de terno preto, discretos, mas com aquele olhar que diz “aqui ninguém passa sem ser convidado”. A música já pulsa abafada lá de dentro, misturada com risadas, copos batendo, um cheiro distante de sexo, dinheiro e liberdade absoluta.
— Bem-vinda à loucura dos Baltimor — Cecília pisca, entregando a chave ao manobrista. — Respira fundo, endireita essa coluna e lembra: ninguém aqui sabe quem você foi ontem e nem dá a mínima. Hoje você pode ser qualquer pessoa.
— Tomara que eu não me arrependa amanhã — murmuro.
Ela entrelaça o braço no meu e atravessamos a porta. O cheiro de perfume caro, uísque, e poder, me engole no segundo em que entramos, definitivamente, não estava mais no meu mundo. Puxo a barra do vestido mais uma vez, mas o tecido teimoso sobe de volta quase imediatamente.
Que seja! Hoje eu não ligo para nada.
Hoje o mundo lá fora e meus problemas, não existe mais. Hoje eu vou aproveitar.
VICTOR BALTIMOR.Meire arregalou os olhos com o que ouviu.— O senhor não me odeia?Fiquei alguns segundos em silêncio.— Não. Porque eu odiaria a mulher de quem estou apaixonado.Ela pareceu surpresa.— O que disse?— Que estou apaixonado.Ela respirou fundo.— Então… — Sua voz saiu quase esperançosa. — Está dizendo que me ama? E espera que eu acredite nisso, assim, do nada?Olhei diretamente para ela.— Sim, porque é a pura verdade. Sabe a raiva e ciúme que senti quando soube que você estava com aquele inútil do Henrique? Você é minha Meire e não vou permitir que fique com mais ninguém.Aproximei-me e toquei seu rosto com carinho e sorri. Mas meu estômago se revirou com nojo de ter que tocar nessa maldita.Vi seus olhos brilharem. Era exatamente a reação que eu esperava.Inclinei-me levemente em sua direção e lhe dei um selinho, que quase me fez vomitar. Espero que Elisa entenda e não me deixe por isso.— Então você me ama?— Sim, mas preciso que você me ajude.Ela não respondeu. C
VICTOR BALTIMOR.— O que está acontecendo? Me solta, por favor.— É melhor não resistir. — Falei friamente e fiz sinal para um dos seguranças.Ele se aproximou, segurou Meire e a arrastou em direção ao carro.— Me solte, seu desgraçado. Victor por favor, me ajude. Eu não fiz nada.Me virei e o carro que nos trouxe parou na nossa frente. Eu e Pablo entramos. Suspirei.— Conseguimos capturar Meire. — comentou Pablo, sério.— Sim. Agora precisamos que ela fale.— Como pretende fazer, Meire, falar? Vai utilizar tortura ou pressão psicológica?— Nenhum dos dois. Pretendo utilizar a meu favor a paixão que ela tem por mim.— O que está pensando, Victor?— Digamos que vou fingir que estou apaixonado por ela.— E você acha que ela vai acreditar nessa história? Ainda mais depois que você a capturou no meio da rua.— Relaxa, eu saberei como lidar com ela. Meire está obcecada por mim, assim como Charlotte. Vou usar isso a meu favor. Tenho um plano e tenho certeza de que Meire vai me entregar Char
VICTOR BALTIMOR.Algumas horas mais tarde… Entrei no centro de monitoramento. Pablo e Damon já me aguardavam. Cumprimentei ambos rapidamente.— Alguma novidade?Damon apontou para uma das telas.— Henrique já enviou a mensagem.Olhei para o monitor. Ele ampliou a conversa. Henrique informava haver sido escalado para a festa de Melissa e que tinha a data, horário e local da festa.Logo abaixo aparece a resposta de Meire.“Quero saber pessoalmente.”Sorri discretamente.— Ela caiu.Damon assentiu.— Ela disse que enviará o endereço do encontro.Pablo cruzou seus braços e eu sabia que iria questionar algo.— Ainda não entendo por que não capturamos essa mulher agora. — Olhou para Damon e depois para mim. — Já temos o número do celular dela.Damon balançou a cabeça.— O problema é que só o número não adianta, nesse caso.Digitou rapidamente. Um mapa apareceu e apontou para a tela.— Ela está em uma região onde a localização oscila demais. Apontou para vários círculos sobre a tela. — Se
VICTOR BALTIMOR.Passei boa parte da manhã esperando a ligação de Pablo. Sabia que hoje colocaríamos a segunda fase do plano em prática.Depois que Meire mordeu a primeira isca, era apenas questão de tempo até cair na segunda. Meu celular vibrou sobre a mesa. Sorri discretamente quando vi o nome de Pablo na tela. Atendi imediatamente.— Diga.— Já passei a informação para os funcionários da mansão.Endireitei a postura na cadeira.— Como foi?— Exatamente como planejamos. Informei a falsa data da festa da Melissa e passei a escala dos funcionários que trabalharão no evento. Henrique ficou feliz que será um deles.Assenti satisfeito.— Ótimo.— Agora é só esperá-los se comunicarem. — Comentou Pablo, animado.Olhei pela janela do escritório.— Não. Quero acompanhar tudo de perto, não vou ficar aqui sentado esperando o desenrolar.— Achei que diria isso.Sorri de lado.— Quero você e Damon no centro de monitoramento.— Já estou indo e avisarei Damon. — Disse, descontente. Eles ainda não
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