A BABÁ E O FAZENDEIRO VIÚVO
Marja sempre foi diferente. Extremamente tímida, introvertida e silenciosa, cresceu carregando desde cedo o rótulo de “esquisita”.
Sua maior fortaleza era a relação com a mãe — uma amizade profunda, construída na cumplicidade, no afeto e na certeza de que, enquanto estivessem juntas, nada realmente poderia feri-la.
A morte repentina da mãe despedaça esse alicerce. No mesmo dia do enterro, quando o luto mal começou, ela vê sua vida se transformar mais uma vez quando precisa fugir para não ser violentada pelo padrasto. Pela primeira vez Marja está sozinha, cheia de medo e sem saber o que fazer, nem para onde ir.
É essa fuga que a conduz até uma fazenda distante, onde encontra trabalho e refúgio. Ali, Marja tenta se reconstruir, escondendo sua história e suas feridas atrás da discrição e do trabalho dedicado como babá.
A fazenda pertence a Adriano, um homem marcado pela própria tragédia. Viúvo e com uma filha ainda pequena, ele carrega as cicatrizes da morte inesperada e brutal da esposa, uma perda que o endureceu e o afastou de tudo e de todos. Reservado, melancólico e preso ao passado, Adriano vive cercado por lembranças e por uma dor que nunca aprendeu a dominar.
Entre uma jovem machucada pela vida e um homem consumido pela perda, nasce uma convivência cheia de conflitos, porque ambos tentam sobreviver aos próprios fantasmas. O que surge dali não é imediato nem simples, mas carrega a possibilidade de algo maior — um sentimento contido e perigoso, capaz de curar ou de abrir novas feridas.