Mundo de ficçãoIniciar sessãoDepois de perder tudo em uma traição cruel — o namorado, a confiança na família e um filho — Isabel jurou nunca mais depender de ninguém. Determinada a reconstruir a própria vida, ela decide enfrentar a maternidade sozinha, acreditando que assim manteria o controle do próprio destino. Dante Montenegro cresceu cercado por poder, manipulação e cobranças para gerar um herdeiro. Para escapar do controle do pai, ele tomou suas próprias decisões sobre o futuro… até que um erro em uma clínica de fertilização une seu destino ao de Isabel de forma irreversível. Uma gravidez inesperada. Um segredo perigoso. Dois desconhecidos forçados a construir uma família. Enquanto tentam transformar obrigação em parceria, sentimentos começam a nascer onde não deveriam existir. Mas quando o passado volta a ameaçá-los — com jogos de poder, manipulações familiares e pessoas dispostas a destruir tudo — Isabel e Dante precisarão provar que o amor que surgiu do acaso pode sobreviver à desconfiança, à dor e às batalhas que ainda estão por vir. Porque algumas histórias não começam com amor… começam com sobrevivência.
Ler maisPOV Dante O som das risadas infantis ecoava pelo jardim, misturado com música suave e o tilintar de taças sendo erguidas em comemoração. O final da tarde trazia uma luz dourada que parecia ter sido feita sob medida para aquele dia. Um ano. Olhei para a mesa principal decorada com tons delicados de rosa e dourado. O bolo tinha pequenos detalhes em formato de estrelas e luas — escolha de Isabel. Segundo ela, Luiza tinha chegado na nossa vida como algo improvável… mas iluminou tudo. E ela estava certa. Observei minha filha no colo da Lúcia, batendo palminhas desajeitadas enquanto Marina tentava ensinar uma coreografia completamente improvisada. As duas riam como se o mundo fosse leve outra vez. Talvez… finalmente fosse. A Montenegro & Goulart Construções não tinha se tornado um império. Não ainda. Mas respirava. Crescia devagar, com contrato
POV Isabel O som do relógio na parede parecia alto demais. Cada segundo batia como se estivesse marcando uma contagem regressiva que ninguém ali tinha coragem de admitir em voz alta. Eu não conseguia parar de olhar para a porta por onde o juiz ainda entraria. Era como se, enquanto ela permanecesse fechada, ainda existisse a possibilidade de fugir daquela decisão. De congelar o tempo antes que alguém dissesse, oficialmente, o destino da minha filha. Passei a mão na calça pela terceira vez, tentando secar o suor que insistia em se formar nas palmas. Ao meu lado, Dante estava imóvel demais. Rígido demais. O tipo de silêncio que só existe quando alguém está segurando o próprio mundo com força para ele não desmoronar. Eu conhecia aquele silêncio. Do outro lado da sala, Augusto conversava algo baixo com o advogado, inclinando levemente o corpo como fazia em reuniões empresariais. O tom parecia calmo. Confiante. Como se
POV Dante Eu estava revisando o cronograma da obra do galpão quando o celular vibrou sobre a mesa. Mensagem de Enzo. "Liga a TV. Agora." Franzi a testa. Enzo não era dramático. Muito menos urgente sem motivo. Peguei o controle remoto da pequena televisão instalada no escritório e liguei no canal indicado na mensagem seguinte. Era um programa empresarial. Aqueles que misturam entrevistas, mercado e histórias de sucesso. E lá estava ele. Augusto Montenegro. Sentado com a postura impecável, terno escuro, olhar sereno e o sorriso controlado que ele sempre usava quando queria parecer um exemplo de autoridade e equilíbrio. Meu estômago revirou imediatamente. — Hoje recebemos um dos maiores nomes do setor industrial do país — dizia a apresentadora. — Um empresário conhecido pela disciplina e visão estratégica.
POV Isabel O som do ar-condicionado era constante… frio… mecânico… impessoal. Assim como aquela sala. O fórum tinha cheiro de papel antigo e ansiedade acumulada. Eu apertava os dedos contra o tecido do vestido tentando controlar o tremor nas mãos. Ao meu lado, Dante estava imóvel, mas o maxilar travado denunciava o esforço que ele fazia para manter a postura. Luiza tinha ficado com minha mãe. Pela primeira vez, eu agradecia profundamente por ela ainda ser pequena demais para entender o que estava em jogo. Porque ali… naquela sala… parecia que nossa vida inteira estava sendo colocada sobre uma balança invisível. Helena organizava documentos sobre a mesa com a mesma precisão que sempre teve. Profissional. Firme. Mas eu já conhecia minha cunhada o suficiente para perceber o leve tensionar dos ombros. Isso significava que ela também estava nervosa. Do outro lado da sala, Augusto Montenegro conversava com o
POV Dante Luiza ficou com Lúcia e Marina na recepção do escritório. O escritório da Helena tinha o mesmo cheiro de sempre: café forte e papel recém-impresso. Mas, naquele dia, o ambiente parecia mais pesado. Como se até o ar tivesse dificuldade para circular. Isabel estava sentada ao meu lado, as mãos entrelaçadas no colo. Ela não falava nada desde que entramos. Apenas observava Helena organizar os documentos sobre a mesa com uma calma que eu sabia que era estratégica. Minha irmã só ficava tão silenciosa quando as notícias eram realmente ruins. Muito ruins. — Eu recebi a contestação da defesa do Augusto ontem à noite — Helena começou, apoiando os cotovelos sobre a mesa. — E preciso que vocês estejam preparados para o que vem pela frente. Senti os ombros da Isabel enrijecerem. — Ele juntou novas provas? — perguntei.
POV Dante Eu já tinha aprendido a desconfiar de visitas sem aviso. Principalmente depois de tudo o que havia acontecido nos últimos meses. Quando minha secretária avisou pelo interfone que havia um homem insistindo em falar comigo pessoalmente, meu primeiro instinto foi recusar. Minha agenda estava cheia, os contratos novos exigiam atenção e qualquer erro naquele momento poderia nos empurrar de volta para o caos financeiro. — Ele disse o nome? — perguntei. — Disse sim… Rafael Andrade. Meu corpo enrijeceu automaticamente. Fiquei alguns segundos em silêncio, absorvendo o impacto daquele nome que eu só conhecia através de Isabel… e de histórias que carregavam dor, traição e consequências profundas demais. — Pode pedir para ele subir — respondi, finalmente. Desliguei o interfone e me levantei, caminha





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