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Capítulo 8 - Quando o controle começa a ruir

Dante Montenegro não dormiu naquela noite.

Desde a conversa com a clínica, sua mente operava em estado de alerta constante, revisitando cada detalhe, cada decisão tomada nos últimos anos. Ele odiava lacunas. Odiava suposições. E, acima de tudo, odiava a sensação de que algo havia sido decidido sem seu consentimento.

Na manhã seguinte, chegou à clínica sem aviso prévio.

Não pediu para ser anunciado.

A recepcionista levantou-se imediatamente ao vê-lo atravessar a sala de espera com passos firmes, o olhar fixo, a postura de quem não aceita ser contido.

— Senhor Montenegro… — começou, nervosa.

— Avise a doutora Beatriz que eu cheguei — disse ele. — Agora.

Foi conduzido à mesma sala da diretora. Desta vez, Dante não se sentou.

— Eu dei vinte e quatro horas — começou, sem rodeios. — Quero respostas.

A médica respirou fundo antes de falar.

— A auditoria confirmou a troca de códigos — disse, enfim. — Seu material genético foi, de fato, utilizado em um procedimento de inseminação artificial realizado há cinco semanas.

As palavras pairaram no ar como um golpe direto.

Dante sentiu algo se deslocar dentro dele. Não era choque. Era fúria fria.

— Nome — disse. — Quem foi a paciente?

— Isso envolve sigilo médico — respondeu a médica, rapidamente.

— Envolve crime — Dante retrucou. — E violação de contrato.

A médica desviou o olhar por um instante, reunindo coragem.

— A paciente está grávida.

O silêncio que se seguiu foi absoluto.

Dante fechou os olhos lentamente. Não porque precisasse se acalmar, mas porque precisava conter algo mais primitivo que ameaçava emergir.

— Vocês erraram — disse, por fim. — E agora estão tentando controlar o dano com formalidades.

— Estamos tentando proteger todas as partes — respondeu a médica.

Dante riu, curto e sem humor.

— Não ouse usar essa palavra comigo.

Aproximou-se da mesa, apoiando as mãos na superfície de vidro.

— Vocês não tinham autorização. Não tinham direito. E agora existe uma criança… — a voz falhou por uma fração de segundo, recuperando-se logo depois — uma criança ligada a mim por algo que vocês decidiram trocar como se fosse um arquivo qualquer.

— Estamos preparados para discutir compensações — a médica disse, cautelosa.

Foi aí que Dante perdeu a última camada de contenção.

— Dinheiro não apaga paternidade — disse, com voz baixa e perigosa. — Nem compra silêncio quando a verdade vem à tona.

Endireitou-se, ajeitando o paletó com movimentos precisos.

— Vocês vão me dar todas as informações que eu exigir. Nome. Histórico. Situação médica. — O olhar dele era glacial. — Ou eu torno isso público. Processo criminal. Conselho médico. Imprensa.

A médica empalideceu.

— Isso destruiria a clínica.

— Vocês começaram essa destruição há cinco semanas — respondeu Dante. — Eu apenas decido como ela termina.

Houve um longo silêncio.

— Eu quero saber tudo — concluiu. — Porque, se existe um filho meu no mundo… eu não vou ser o último a descobrir.

Ao sair da clínica, Dante sentiu algo que jamais planejara sentir: a possibilidade real de ser pai.

Não nos termos que escolheu.

Não com o controle que exigia.

Mas de uma forma irreversível.

E, pela primeira vez em anos, Dante Montenegro percebeu que havia entrado em um território onde dinheiro, poder e estratégia talvez não fossem suficientes.

O destino havia deixado de pedir permissão.

E agora…

exigia resposta.

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