POV — Dante
O nome estava ali.
Preto no branco. Frio. Objetivo. Oficial demais para algo que já havia deixado de ser apenas administrativo.
Isabel Duarte.
Trinta e dois anos.
Arquiteta de interiores.
Procedimento realizado há cinco semanas.
Gravidez confirmada.
Dante leu o documento mais de uma vez, não porque não tivesse entendido, mas porque precisava ter certeza de que aquilo era real. Que não se tratava de mais uma tentativa da clínica de minimizar o impacto com dados incompletos.
— Essa é a paciente — disse a doutora Beatriz, em tom contido. — E, antes que o senhor pergunte, ela não tem qualquer conhecimento do ocorrido.
Dante manteve o olhar fixo no papel.
— Ainda — respondeu.
A médica se enrijeceu.
— Nós avaliamos que o melhor caminho é cautela. Comunicação mediada. Jurídica.
— Vocês já falharam em cautela — ele disse, levantando finalmente os olhos. — Não falhem em humanidade.
Fechou a pasta com firmeza e levantou-se.
— Eu não vou procurá-la ago