Mundo de ficçãoIniciar sessãoEla era a mente criativa por trás das campanhas mais brilhantes da agência. Loira, talentosa e dedicada, estava prestes a conquistar a promoção que tanto sonhou — até que seu namorado secreto, um dos donos da empresa, decide entregar o cargo à ex-namorada patricinha que acabou de chegar. A nova chefe, rica e sem talento, rouba um dos projetos da mocinha e se faz passar por genial. Quando a verdade vem à tona, ninguém acredita. Humilhada, rejeitada e desacreditada, ela decide virar o jogo. Mas o destino tem seus próprios planos: a patricinha se envolve em um escândalo de plágio, e a mocinha ressurge com mais força, beleza e poder do que nunca. Agora, quem vai implorar por atenção é ele — o homem que a descartou como se fosse nada. Ela foi rejeitada no escritório… mas será vingada no amor.
Ler maisIsabelle
Estou sentada à mesa de café da manhã em minha cobertura na Barra da Tijuca — “minha” com muitas aspas, já que divido o lar com Eduardo há pelo menos dois anos. Nossa rotina a dois parece perfeita: nos apoiamos, nos incentivamos, nos ajudamos. Na cama, somos amantes intensos. Qualquer um acreditaria que vivemos uma relação dos sonhos. Mas a verdade está longe disso. Quando estamos sozinhos, dentro da bolha que criamos, tudo parece incrível. Fora dela, me sinto apenas o segredo sujo do meu namorado e chefe. Na empresa, ninguém sabe da nossa relação. Para todos, somos apenas chefe e funcionária. Lembro da última vez que ousei chamá-lo de “Edu” em público, depois de uma campanha de sucesso: — Senhorita Araújo, gostaria de lembrá-la que sou seu chefe e quero ser tratado como tal. Meu nome é Eduardo Torres. Senhor Torres para você. Mais tarde, quando o confrontei, ele foi ainda mais cruel: — Belle, não confunda prazer com compromisso. — Você não sente nada por mim, Edu? — Isso não é relevante, Belle. Eu gosto da rotina que criamos, funcionamos bem juntos, mas eu sou um Torres. Você é uma órfã, com uma linda história de vida, mas nossos mundos não devem se misturar. Um dia eu me casarei, Belle, e farei isso com alguém que tenha o mesmo peso do meu sobrenome. As palavras frias do homem que eu amava me feriram profundamente. Eu deveria ter terminado tudo ali mesmo, antes que essa prisão que é o amor me sufocasse ainda mais. Mas fui fraca, e dois anos depois as coisas só pioraram. Sinto-me dependente dessa relação distorcida, talvez porque nunca tive uma família — e, de alguma forma, Edu é o mais próximo que já tive de uma. — Sonhando acordada, Belle? A voz de Eduardo me trouxe de volta ao presente. “Belle” — só ele me chamava assim. Para os outros, eu era Isa. — Só pensando em uma ideia para a campanha daquela marca de chinelos. Quando a criatividade chega, eu me desconecto do mundo. — Sorte a minha que sua criatividade trabalha para mim. A promoção para diretora criativa está chegando, e ouvi dizer que você tem grandes chances. Não consigo evitar o sorriso que se espalha pelo meu rosto. Trabalho na Torres Nunes Criativa desde a faculdade. Entrei como estagiária há seis anos e, com esforço, cheguei ao cargo de coordenadora de criação. Ser diretora aos 25 anos seria um sonho. — Edu, eu quero muito esse cargo, mas quero entrar por talento, não por nós dois. — Enlouqueceu? Você é nossa coordenadora de criação e tem assumido dois cargos nos últimos meses. As melhores campanhas são suas ideias. Se for promovida, Belle, é porque você merece. Acho que me conhece o suficiente para saber que nunca colocaria a Torres Nunes Criativa em risco por causa de uma mulher, Belle. Mais uma vez, as palavras de Edu me atravessam como lâminas. A lembrança diária de que, para ele, eu sou apenas “uma mulher” não deveria me afetar, mas dói mais do que gosto de admitir. --- Eduardo Chego ao escritório e corro para minha sala. Belle escolheu o maldito vestido vermelho hoje, e isso está tirando minha sanidade. — Senhor Torres, Liz Fagundes está aqui e gostaria de falar com o senhor. A voz da minha secretária, Elisângela, me arranca do devaneio. Liz e eu namoramos na adolescência, nada sério. Terminou quando ela foi morar em Paris. Autorizo sua entrada. Vamos ver o que ela quer. — Edu, não acredito que já faz tanto tempo! — diz Liz, me abraçando. — Não sabia que você estava de volta ao Brasil — respondo, retribuindo o abraço. Ela continua linda e elegante. No auge dos seus 27 anos, ruiva, alta e magra, com cerca de 1,75m — ainda baixa perto dos meus 1,85m. — Estou, e formada em marketing. Soube que você e André têm uma agência incrível e queria fazer parte da equipe. Tenho mestrado em marketing criativo. Também soube que o cargo de diretora criativa está aberto e pensei em me candidatar. O que acha? Meu pai amou a ideia. Com meu conhecimento e a influência dele, a Torres Nunes vai voar. Imagina nós dois pilotando essa nave? — Liz, nós tínhamos alguém escolhido para o cargo, iríamos anunciar hoje. Não sei se será possível. Mas o cargo de coordenadora criativa vai ficar vago. — Não é um cargo para mim, Edu. Pensa: os dois herdeiros das famílias mais tradicionais do Rio de Janeiro sendo vistos juntos. Você sabe as portas que isso abrirá. A tal coordenadora que você pretende promover é de família influente? — Não, ela é uma coitada, órfã, foi criada em um orfanato. Mas é excelente no que faz. — Edu — Liz diz sorridente — perder uma aliança como a nossa por conta de uma órfã qualquer? Ela nunca teve nada. O cargo de coordenadora é mais que suficiente. Vamos ser sinceros? Ela já teve até demais. Esse tipo de gente costuma acabar no crime. Embora tenha prometido o cargo para Belle, sei que ter alguém como Liz na agência seria estratégico. A família Fagundes é influente, poderia abrir portas. Ser visto com ela causaria impacto. — Liz, embora dividido, não posso negar que seu sobrenome será um ganho para a Torres. O cargo é todo seu. Vamos anunciar? Sei que Belle vai se chatear com a mudança de planos, mas ela é fácil de enrolar. Umas migalhas de atenção vão dar conta. Quando Liz cansar de brincar de CLT, ela vai sair e o cargo vai direto para Belle. Todos ganhamos. Não é como se ela fosse me abandonar de qualquer jeito. Ela é minha, e nada do que eu faço vai mudar isso. Preciso ser estratégico, e é isso que farei agora. --- Isabelle Edu chama todos nós para a sala de reuniões. O momento de anunciar minha promoção chegou. — Estou tão feliz por você, Isa — Gustavo, meu melhor amigo e integrante mais experiente da equipe, diz animado. Não consigo esconder minha animação. Lutei tanto por isso e agora estou sendo recompensada. André, sócio da Torres Nunes, acena para mim com entusiasmo. Ele parece tão feliz quanto eu. Edu entra e meu coração salta de alegria. Ao lado dele, uma mulher deslumbrante. Será que ela ficará no cargo que agora eu ocupo? — Bom, agradeço a presença de todos aqui — Edu começa a discursar. — Todos vocês sabem que estamos sem uma diretoria de criação. Isabelle nos ajudou brilhantemente neste processo. Obrigado, Isabelle. Aceno sorridente. Hoje é o dia mais feliz da minha vida, o dia em que todos os meus sonhos vão se realizar. — Quero anunciar então nossa nova diretora de criação. Vamos dar boas-vindas a Liz Fagundes. Quando o nome de outra pessoa sai da boca de Eduardo, sinto o chão desabar. Minha vista embaça, e tudo começa a girar. Fui traída no escritório que jurei ser meu lar, pelo homem que sempre amei. Junto com a dor, um sentimento novo nasce em mim. Eu posso ser o segredinho sujo do meu chefe, a piada que ele gosta de contar, mas sei que em breve serei eu a sorrir e ele a sangrar por dentro. Logo, Eduardo Torres, eu te verei ajoelhado, chorando e implorando pelo meu perdão. E nesse dia, serei eu a pisar em você, como você está pisando no meu coração agora.IsabelleEu não consigo tirar da minha cabeça a informação de que Helena e André sejam primos. Isso nunca foi mencionado por ela antes. André nunca falou de uma tia muito doente, e isso me deixa confusa. Então chamo os dois na minha sala para conversar.— Aconteceu algo, Isa? — André me pergunta, um pouco incomodado.— Outro dia fui até sua sala, André, e acabei ouvindo vocês dois dizendo que eram primos. Eu não fazia ideia desse parentesco.— O que mais você ouviu, Isa? — André pergunta sobressaltado, olhos arregalados e assustado. Me apresso em responder:— Só ouvi isso. Vi que era uma conversa particular e fui embora.Helena, que até então estava em silêncio, me responde:— Somos sim, Isa, mas nunca falamos disso. Não quero que achem que estou aqui por nepotismo. Trabalho muito e me esforço demais para estar aqui. Não quero, de forma alguma, ser vista de forma diferente por conta disso.Ouvindo os motivos dela, consigo entender. Realmente, a situação é delicada e ela não teria a me
Isabelle Eu não consigo tirar da minha cabeça a informação de que Helena e André sejam primos. Isso nunca foi mencionado por ela antes. André nunca falou de uma tia muito doente, e isso me deixa confusa. Então chamo os dois na minha sala para conversar. — Aconteceu algo, Isa? — André me pergunta, um pouco incomodado. — Outro dia fui até sua sala, André, e acabei ouvindo vocês dois dizendo que eram primos. Eu não fazia ideia desse parentesco. — O que mais você ouviu, Isa? — André pergunta sobressaltado, olhos arregalados e assustado. Me apresso em responder: — Só ouvi isso. Vi que era uma conversa particular e fui embora. Helena, que até então estava em silêncio, me responde: — Somos sim, Isa, mas nunca falamos disso. Não quero que achem que estou aqui por nepotismo. Trabalho muito e me esforço demais para estar aqui. Não quero, de forma alguma, ser vista de forma diferente por conta disso. Ouvindo os motivos dela, consigo entender. Realmente, a situação é delicada e ela
Isabelle Assim que entro na empresa encontro Helena. Corro até ela, quero saber como sua tia está e se posso ou não ser doadora. Vou amar poder ajudar. — Helenaaaa! — a chamo exasperada. Ela para e eu me aproximo. — Sua tia está bem? — pergunto e sinto meu coração entristecer. Que situação difícil. — Está sim, por que não estaria? — A doação de sangue… — digo, e agora estou confusa. Helena me olha de uma forma estranha, depois parece se lembrar do que estou falando e então responde: — Claro, estou passando por tanta coisa que estou mais distraída que o normal. Mas minha tia melhorou. Infelizmente você não é compatível, mas achamos alguém que é. Obrigada por tudo, Isa. Seu discurso é otimista, mas sinto que algo não se encaixa nessa história. … Na hora do almoço resolvo fazer uma surpresa e fui até o escritório de Caio. Sempre é ele quem dá o primeiro passo, hoje quero ser eu a pessoa que vai fazer isso. — Meu amor — Caio me diz assim que me vê — Não acredito que voc
Isabelle O encontro com Caio está saindo melhor do que eu esperava. Ele me trouxe a um restaurante muito chique e badalado, o melhor da cidade. Confesso que estou feliz e animada com o convite. — Caio, obrigada pelo convite. Eu realmente não esperava que você me trouxesse aqui. Estou muito feliz. — Só o melhor para você. Sei que a noite está sendo agradável, eu tinha certeza que seria. Quero que saiba o quanto falei sério quando disse que queria uma chance. — Eu sei que está, Caio, e realmente resolvi me permitir viver isso. — Namorados então? — ele pergunta ansioso, e acho que as coisas estão indo rápido demais. — Caio, acho que podemos ir vivendo o momento e ver onde isso vai nos levar. O que acha? — Acho que posso lidar com isso por você. — Olha só quem está aqui… — somos interrompidos pela voz enjoada de Liz. Ela está acompanhada por Edu, que nos olha com raiva. — Me diga, Edu, se os pombinhos não formam um lindo casal? — Eu não acho, Liz. Não acho que combinem. B





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