A promessa que Virou traição

Isabelle

— Liz, esta é sua equipe. Seja bem-vinda.

No final do discurso, mal consigo sentir minhas pernas. Não ouço nada. Só consigo me concentrar na dor dilacerante no peito. Nunca pensei que Edu faria algo assim comigo. Nunca imaginei que meu sonho seria arrancado pelo homem que eu amo.

— Belle — sussurra Edu quando se aproxima de mim, apenas para que eu ouça — eu sei que você está decepcionada. Vamos conversar em casa, eu prometo. Você vai entender tudo. Só, por favor, espera eu explicar.

Antes que eu pudesse responder, Liz se aproxima com um sorriso vitorioso. Sei que não tenho direito de odiá-la, mas neste momento eu a odeio um pouco.

— Isabelle, Eduardo, estou muito feliz de fazer parte da equipe. Acho que vocês precisam me passar algumas coisas. Poderia ser agora?

— Claro, Liz. Vamos para minha sala — responde Eduardo, já se retirando. Eu os sigo, porque isso é tudo que me resta.

— Então, Liz, temos uma campanha muito importante para uma marca de fast food enorme. É um contrato gigantesco e precisamos de uma ideia criativa para apresentar. Isso agora fica com você. Assim que sua ideia for aprovada, nós a tocamos. Ou, se preferir, pode pedir para que a equipe elabore algumas opções e escolher a melhor. Nesse caso, o projeto leva o nome de quem produziu.

Termino de explicar tudo o que preciso delegar, sem transparecer minha tristeza.

— Eu agradeço, Isa, mas prefiro eu mesma fazer. Acredito que vocês sejam muito bons, mas eu estudei nas melhores universidades, colecionei prêmios… deixem a criação para a profissional.

A arrogância com a qual ela diz essas coisas não me passa despercebida.

— Como preferir. Bom, Edu, acho que isso é tudo. Posso me retirar?

— Claro, pode ir.

Saio da sala e corro para o banheiro. Choro como havia planejado mais cedo. Mas desta vez não há alegria nas minhas lágrimas. Só dor, tristeza, decepção e amargura.

Talvez seja hora de pensar em trabalhar em outra agência. Uma que me valorize. Talvez seja o momento de abandonar o lugar que antes eu via como meu lar.

---

Eduardo

Ver a decepção nos olhos da Belle mexeu comigo mais do que eu imaginava, porém não havia outra decisão a ser tomada. Liz é de família abastada como a minha, iremos a eventos juntos e levaremos o nome da agência muito longe, com grande prestígio. Qualquer um faria o mesmo.

— Sabe, Edu — Liz começa a falar de forma sedutora.

— Eu não fazia ideia que era possível você ficar ainda mais bonito.

— Mesmo? — digo arqueando as sobrancelhas e entrando no jogo. — Se me recordo bem, foi você que me deixou e foi namorar franceses por aí.

Liz ri com vontade. — Voltei pra corrigir esse terrível erro.

— Irei cobrar isso, Liz.

Não me sinto culpado. Sempre deixei claro para Belle que somos solteiros. Transamos (muito), estamos praticamente morando juntos, nos damos bem, mas uma hora isso vai acabar. Sou um Torres. O dia que me casar certamente vai ser com alguém da alta sociedade, assim como eu.

— Que porra você fez, Eduardo? — André, meu melhor amigo e sócio, entra na minha sala como um furacão.

— André, Liz está aqui, vai se assustar com você.

— Eu tô pouco me fodendo. Liz, sai, eu preciso falar com o Eduardo.

— Claro, não quero atrapalhar. Vou para a minha sala. Um prazer te rever, André, ou melhor, chefinho.

Assim que Liz sai, André começa:

— Você sabe que este cargo era da Isa. A gente já tinha acertado isso, ela é a melhor, se dedicou. Do nada você passa para a mimada da Liz? Que porra é essa? Eduardo, a gente vai acabar perdendo ela, você tá entendendo?

— Foi o melhor, cara. A Liz é muito preparada, estudou nas melhores universidades. Se a Isa for embora, paciência. A gente encontra cem iguais a ela. Mas perder alguém com a influência da Liz? Cara, isso seria burrice.

— Ok, a merda tá feita. Espero que você esteja certo do que fez, e que esse teu elitismo não me cause prejuízos.

O dia passa devagar. Não vejo Isabelle nem Liz. Fui pegar um café na copa e vi todos os funcionários cochichando. Todo mundo achou minha atitude errada, mas eu realmente não me importo. Fiz o certo e sei disso.

Na hora de ir embora, fecho tudo e vou caminhando pela garagem. Assim que chego, vejo uma cena que me deixa possesso de ódio. Belle está abraçada com um cara. Acho que é Gustavo, do mesmo setor que ela. Não sei que porra está acontecendo, mas minha vontade é socar o filho da puta. Ela tá transando com ele? Quero ver o amorzinho do casal durar quando eu mandar o babaca embora.

— Vocês não acham a garagem um lugar ruim para namorar? — digo sério. — Acredito que funcionários ficarem de agarramento por aqui seja contra nosso código de conduta.

— Oi, senhor Torres, não estávamos namorando. Eu só estava abraçando uma amiga, sabe como é, dia de merda… Isa, eu estou indo. Realmente não quer carona? Podemos fazer uma noite de pizza lá em casa. Você amou a última. Dorme por lá e amanhã te trago para o trabalho.

— Tudo bem, Guto. Eu realmente preciso ir para casa. Mas prometo que logo repetimos a noite de pizza, dessa vez na minha casa.

Gustavo se vai e Belle começa a caminhar. Eu a seguro.

— Onde você vai, Belle? Vamos para casa. Eu preciso conversar com você.

— Edu, nosso momento de conversar passou. Deveria ter sido antes da facada que você me deu. Agora não há mais nada a se fazer. Eu prefiro ir para minha casa hoje. Tem uns dois meses que não piso lá.

Belle me olha, mas seu olhar não está carregado de ódio como achei que estaria. Vejo uma tristeza que não estava preparado para presenciar.

— Belle, eu preciso falar com você. Se depois da nossa conversa você quiser ir, eu vou entender. Mas a gente precisa conversar.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App