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Isabelle Araújo vive há dois anos como a “namorada secreta” de Eduardo Torres, dono da agência Torres Nunes Criativa. Na cama, paixão; na vida real, silêncio e desprezo. Para todos na empresa, ela é apenas a coordenadora de criatividade. Para ele, uma relação sem compromisso. Mas Isabelle sonha com mais: reconhecimento, amor e a promoção que pode mudar sua vida. Só que o destino tem outros planos — e eles começam com a chegada inesperada de Liz Fagundes, a ex-namorada rica e influente que ameaça roubar tudo o que Isabelle construiu.
--- Isabelle está sentada à mesa de café da manhã em sua cobertura na Barra da Tijuca — “sua” com muitas aspas, já que divide o lar com Eduardo há pelo menos dois anos. A rotina dos dois parece perfeita: se entendem, se incentivam, se ajudam. Na cama, são amantes apaixonados. Qualquer um poderia acreditar que vivem uma relação dos sonhos. Mas a verdade está longe disso. Quando estão sozinhos, dentro da bolha que criaram, tudo parece incrível. Fora dela, Isabelle se sente apenas o segredo sujo de seu namorado e chefe. Na empresa, ninguém sabe da relação. Para todos, são apenas chefe e funcionária. Isabelle se lembra da última vez que ousou chamá-lo de “Edu” em público, depois de uma campanha de sucesso: — Senhorita Araújo, gostaria de lembrá-la que sou seu chefe e quero ser tratado como tal. Meu nome é Eduardo Torres. Senhor Torres para você. Mais tarde, quando o confrontou, ele foi ainda mais cruel: — Belle, nós não somos namorados. Não existe compromisso entre nós. Somos dois adultos que se divertem juntos. Um dia isso vai acabar, e é melhor que ninguém saiba de nada. As palavras frias do homem que amava a feriam mais do que ela gostaria de admitir. --- — Sonhando acordada, Belle? A voz de Eduardo a trouxe de volta ao presente. “Belle” — só ele a chamava assim. Para os outros, era Isa. — Só pensando em uma ideia para a campanha daquela marca de chinelos. Quando a criatividade chega, eu me desconecto do mundo. — Sorte a minha que sua criatividade trabalha para mim. A promoção para diretora criativa está chegando, e ouvi dizer que você tem grandes chances. Isabelle sorriu. Trabalha na Torres Nunes Criativa desde a faculdade. Entrou como estagiária há seis anos e, com esforço, chegou ao cargo de coordenadora de criatividade. Ser diretora aos 24 anos seria um sonho. — Edu, eu quero muito esse cargo, mas quero entrar por talento, não por nós dois. — Enlouqueceu? Você é nossa coordenadora de criação e tem assumido dois cargos nos últimos meses. As melhores campanhas são suas ideias. Se for promovida, Belle, é porque você merece. --- Eduardo Chego ao escritório e corro para minha sala. Belle escolheu o maldito vestido vermelho hoje, e isso está tirando minha sanidade. — Senhor Torres, Liz Fagundes está aqui e gostaria de falar com o senhor. A voz da minha secretária, Elisângela, me arranca do devaneio. Liz e eu namoramos na adolescência, nada sério. Terminou quando ela foi morar em Paris. Autorizo sua entrada. Vamos ver o que ela quer. — Edu, não acredito que já faz tanto tempo! — diz Liz, me abraçando. — Não sabia que você estava de volta ao Brasil, respondo, retribuindo o abraço. Ela continua linda e elegante. No auge dos seus 27 anos, ruiva, alta e magra, com cerca de 1,75m — ainda baixa perto dos meus 1,85m. — Estou, e formada em marketing. Soube que você e André têm uma agência incrível e queria fazer parte da equipe. Tenho mestrado em marketing criativo. Também soube que o cargo de diretora criativa está aberto e pensei em me candidatar. O que acha? Embora tenha prometido o cargo para Belle, sei que ter alguém como Liz na agência seria estratégico. A família Fagundes é influente, poderia abrir portas. Ser visto com ela causaria impacto. — O cargo é todo seu. Vamos anunciar?






