Mundo de ficçãoIniciar sessãoEduardo
Eu sei o quanto era importante para Belle ir ao evento da Lemod. Se em algum momento fomos cogitados como parceiros da marca, isso é responsabilidade dela. Sou grato demais àquela baixinha. Mas não posso negar: chegar com ela ao evento levantaria rumores. Ela não é ninguém. Eu sou herdeiro de uma das maiores fortunas do Brasil. Preciso estar com alguém do meu nível. Por isso chamei Liz. Saio para tentar explicar à Belle e a vejo agarrada em André. Fico em silêncio e volto para minha sala. Ele vem em seguida. — Que porra foi essa, André? — Nada. Estava comemorando que ela aceitou ir comigo ao evento da Lemod. — Qual é a tua, cara? Está tentando pegar a minha mulher? Quero você longe dela, ouviu? — Tua mulher? Você vive dizendo que não tem nada com ela. Mas fica tranquilo, eu gosto da baixinha como se fosse uma irmã. Só que, linda do jeito que é, logo vai achar alguém melhor que você. As palavras de André martelam na minha cabeça. Belle nunca vai me deixar. Ela me ama e vai ficar comigo. Eu é que a deixarei quando me cansar dela. --- O dia do evento finalmente chega. Me atraso porque Liz demora demais para se arrumar. Ela está linda e elegante. Pousamos para fotos e sinto orgulho. Sem dúvidas, carrego a mulher mais bonita do evento. Pelo menos era o que eu pensava… até ver Belle. Linda de um jeito que deveria ser crime. O vestido tem um decote nas costas que me faz perder o juízo. Percebo que não sou o único: todos os homens babam olhando para ela. Impossível não babar. — Edu, cara! — Geovanne, amigo de infância e assessor da Lemod, me chama. — O que foi? Se for ajuda, não conte comigo. Tive que me matar para conseguir aproximação com a marca que você assessora. Isso é vergonhoso. — Esquece isso e me responde. Essa Isabelle trabalha para você, certo? Ela é solteira? Rola de me apresentar? Sério, cara, eu preciso conhecer essa deusa! A raiva que sinto é gigante. Só o que me faltava: fila de homens atrás da minha mulher. — Ela é solteira, posso ajudar — responde Liz, casual. Ela só pode estar maluca. — Pensei que você fosse diretora criativa, não casamenteira. Ninguém vai apresentar ninguém para o Geovanne. — Aponto para ele e completo: — Minhas funcionárias são proibidas para você! --- Vou até o bar me acalmar e encontro Caio Sales. Que noite de merda. Ele bebe uísque caro demais para alguém tão sujo quanto ele. — Eduardo, olha só… o homem mais burro do mundo. O cara que tem o talento nas mãos e prefere contratar uma patricinha mimada. Não estou reclamando. Afinal, sua funcionária genial desmotivada pode se tornar minha funcionária motivada e promovida. Não consigo segurar a risada. Ele acha mesmo que existe alguma chance da minha Belle me deixar para trabalhar com ele? — Ela não sai da minha empresa. Melhor você não tentar a sorte. Volto para perto de Liz, o que é uma tortura. Só fala de futilidades. Fingir interesse é extremamente difícil. — Edu, o que acha de a gente terminar a noite juntinhos? Sei que estamos nesse jogo de flerte há muito tempo. Cansei de joguinhos. Sinto sua falta. O que me diz? Eu ia responder, mas ao olhar para Belle a vejo conversando com Caio. Inicialmente tensos, logo começam a rir. Levantam e vão dançar. Ele coloca as mãos na cintura dela. Ela deita a cabeça no peito dele. Nós nunca dançamos juntos. Um nó se forma no meu estômago. Minha vontade é de dar um soco nele. Talvez eu devesse tirá-la de lá, mas lá devia estar nos meus braços. A iluminação baixa da pista de dança, a música lenta, torna a cena romântica demais para quem vê de fora. Eles dançam e riem. Eu me seguro para não ir lá e arrastar minha mulher. — Edu, você não vai me responder? — a voz chorosa de Liz me estressa ainda mais. Eu cogitei realmente terminar a noite na cama dela. Sei que quanto mais apaixonada ela estiver, mais conexões com os contatos do pai dela eu vou conseguir fazer. — Não vou conseguir. Fica para outro dia. — Poxa, Edu, eu quero tanto. Comprei uma calcinha nova linda só para usar hoje. Acredito que você vai amar tirá-la. Não acredito que vai recusar. A voz melosa não me atrai. Pelo contrário, só consigo me irritar ainda mais. — Liz, eu não sou seu pai. Você precisa aprender a ouvir “não”. Não precisa se preocupar, eu vou dar o que você quer, mas não é você que decide quando. Você não tem controle nenhum aqui. Eu tenho. Liz apenas assente, emburrada. --- Vejo Belle se retirar para o banheiro e vou atrás. Uma fúria que nunca senti antes toma conta do meu corpo. Raiva transborda por todos os meus poros. Ela entra no banheiro individual. Assim que sai, eu a empurro de volta e entro também. Vejo seu olhar de surpresa se misturar com incredulidade. — Você pode me explicar o que estava fazendo com o Caio? — Me solta, senhor Torres. Eu não te devo explicação nenhuma! “Senhor Torres”? Do nada agora virei senhor Torres? Cinco minutos de dança com aquele idiota e ela começa a me chamar formalmente. — Belle, prefere que eu vá atrás dele perguntar? O que está acontecendo entre vocês? Pode ter certeza que não serei tão educado com ele. — Educado? — Ela sorri com desdém. — Você invadiu o banheiro feminino para tirar satisfação de algo que não te diz respeito. Não consigo ver onde está sua educação, Edu. — Com ele, Belle, eu vou perguntar enquanto soco a cara daquele desgraçado. Você dançou com ele, deixou ele tocar em você. Que merda! Queria o quê? Me provocar? — Eu não queria nada, Eduardo. A gente não tem nada. Eu danço com quem eu quiser. Caio me convidou para uma entrevista na agência dele. O cargo de diretora criativa lá já foi preenchido, mas tem um cargo de coordenadora em aberto. Ele quer que eu faça uma entrevista. Basta essa informação para o chão sumir dos meus pés. Não sei que reação é essa, mas parece desespero. Se Caio acha que vai tirar o que é meu de mim, ele está muito enganado. Belle é minha e ninguém nesse mundo vai mudar isso. Nem que eu precise colocar fogo na porra da cidade, ela não sai do meu lado.






