A festa que mudou meu destino

Chego à empresa e sou informada de que André quer me ver. Corro para a sala dele.

— Bom dia, André. Você queria me ver?

— Oi, Isa, queria sim. Eu nem sei por onde começar. Quero deixar claro que o cargo de diretora criativa sempre foi seu. Me senti traído pelo Edu quando, sem nem me consultar, ele mudou as coisas. Lamento de verdade e não posso negar que estou apavorado com a possibilidade de te perder, embora entenda perfeitamente se você resolver nos deixar. Conte comigo, ok?

Ouvir essas palavras trouxe um conforto inesperado ao meu coração.

— Obrigada, André. Fico muito feliz em ouvir isso. Não se preocupe, sigo firme e forte na Torres.

Saio da sala e me dirijo à minha mesa. Logo percebo um tumulto.

— O que está acontecendo, gente? Que caos é esse?

— A senhorita Liz — começa Gustavo — mudou toda a campanha de Dia das Mães. Ela quer só um tipo de mãe, a tradicional. Mas a marca de perfume pediu exatamente o contrário.

— Liz, eles têm razão — digo com calma. — A marca deixou claro que gostaria de diversidade.

— Isso é problema deles. Imagina uma campanha com mães sapatonas? Pelo amor de Deus!

— Liz, você está sendo preconceituosa! — respondo, já perdendo a calma, enquanto meus colegas se revoltam.

— Jura? E você quer dar uma de quem sabe o que é melhor para uma campanha de Dia das Mães? Uma largada criada em orfanato? Que nunca teve mãe?

As palavras de Liz abriram feridas que mal haviam cicatrizado. A dor foi imensa, mas o ódio foi maior.

— Escuta aqui, sua mimada. Se você desconhece ética e profissionalismo, o problema é seu. Mas eu exijo respeito! — cuspi as palavras com ódio.

— O que está acontecendo aqui? — Edu chega perguntando. Antes que eu responda, Liz se adianta:

— Edu, Isa não aceita hierarquia. Me tratou com tanto desrespeito na frente de toda a equipe. Eu me senti constrangida.

— Isabelle, você aqui é uma funcionária. Precisa entender que existe hierarquia. Deve respeito à sua chefe imediata. Peça desculpas agora!

— Senhor Torres, se me permite… — tenta interceder Gustavo, mas é cortado por Edu.

— Não permito nada. Peça logo desculpas e não me faça perder tempo!

— Eu não irei pedir. Quem me deve desculpas é a senhorita Liz. A campanha de Dia das Mães da Perfumaria Aldara está pronta, mas nossa diretora quer mudar tudo. Segundo ela, “mães sapatonas” são uma vergonha. Tentei trazer razão, mas ela disse que uma sem mãe criada em orfanato como eu não tem tal direito. Sendo assim, quem deve desculpas é ela!

Eduardo, perplexo, confronta Liz:

— Que história é essa?

— Edu, eu só queria algo tradicional, como a nossa família gostaria. Isa continuava me provocando, então acabei pegando pesado.

— Liz, vou falar uma única vez: minha agência abomina qualquer tipo de preconceito. A campanha já foi aprovada e não deve ser alterada. Quanto à vida pessoal dos funcionários, não te diz respeito e não deve ser usada como ofensa. Estou aguardando seu pedido de desculpas para a Isabelle.

— Claro, Edu, você tem razão. Mil perdões, Isa. Isso não vai se repetir.

---

No fim da tarde, quando penso que terei paz, Liz se aproxima da minha mesa e destila veneno:

— Você deve estar se achando vitoriosa depois que o Edu te defendeu. Mas sabe aquele evento da Lemod? Eu soube que você iria acompanhá-lo. Pois ele retirou seu convite e me chamou no lugar. Não se engane, querida, você não passa de uma funcionariazinha.

Assim que ela sai, corro para a sala de Edu. Ele sabe o quanto esse evento é importante. Eu consegui os convites, fiz as conexões. Não é justo.

— Edu, você simplesmente deu meu convite para Liz? O da Lemod? Você sabe quanto lutei para conseguir que a agência fosse representada. Você me tira a oportunidade?

— A agência vai estar representada. Você fez muito bem seu trabalho, mas a Liz tem sobrenome. Ela me acompanhar vai ter mais peso.

Volto arrasada para minha mesa e encontro André animado.

— O que aconteceu, André?

— Acabei de descobrir que você não vai mais acompanhar o Edu no evento da Lemod.

— E minha tristeza te deixa feliz?

— Claro que não, baixinha. Mas eu não tinha acompanhante. Agora que você está livre, eu tenho. E aí, topa?

Eu pulo de alegria e o abraço.

— É claro que sim! Você é o melhor chefe do mundo.

André me segura e começa a me girar, enquanto eu rio sem parar. Então ouvimos um pigarro. Vejo Edu de braços cruzados, parecendo pronto para atacar alguém. Mas não me importo. Só penso no evento que tanto queria ir.

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Chego ao evento acompanhada de André. Ele está lindo em seu smoking preto, os olhos verdes ainda mais intensos. Eu visto um longo preto com fenda lateral e decote profundo nas costas. Me sinto deslumbrante. Os cabelos loiros estão presos em um coque desconstruído e elaborado, os olhos verdes destacados pela maquiagem.

De longe, vejo Edu — impecável como sempre — e Liz, em um vestido vermelho elegante.

Com uma taça de champanhe na mão, observo André se perder em conversa com um executivo.

— Uma jovem tão linda não deveria ficar por aí sozinha!

Olho para o belo homem loiro de olhos azuis, alto, cerca de 1,80m — muito para os meus 1,60m. Logo o reconheço.

— Acho que a senhorita me conhece. Sou Caio Sales, da Sales Criator. E tenho uma proposta para você.

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