Mundo ficciónIniciar sesiónLeonard Bellemont Salazar é um homem marcado pela dor. Empresário milionário, herdeiro de uma rede de concessionárias de luxo e apaixonado pelo futuro sustentável dos carros elétricos, vê sua vida ruir ao perder a esposa em um trágico e misterioso acidente. Sobra-lhe apenas um motivo para seguir em frente: sua filha, Sophy, ainda um bebê de poucos meses. A dor o tranca dentro de si, afastando-o do mundo e das pessoas, tornando-se um viúvo recluso e inacessível. É quando Clary Moreno entra em cena. Filha da governanta da mansão, criada entre os corredores silenciosos da elite sem jamais pertencer a ela, Clary é uma jovem doce, humilde e marcada por um passado silencioso. Quando aceita o emprego como babá de Sophy, não imagina que terá que lidar não apenas com uma criança carente, mas com um homem quebrado… e uma família onde o perigo caminha entre sorrisos disfarçados. Entre mamadeiras, noites insones e sorrisos sinceros, nasce uma conexão inesperada entre Clary e Leonard. Ele, um homem devastado que jurou nunca mais amar. Ela, uma jovem que nunca soube o que era ser amada de verdade. Mas Haley, cunhada de Leonard e sobrevivente do acidente que tirou a vida de sua irmã, tem outros planos. Ardilosa, invejosa e manipuladora, ela deseja o que não lhe pertence: o lugar da irmã, o amor do cunhado e o controle da família Salazar. Para isso, fará o que for preciso para afastar Clary... até mesmo colocar a vida da criança em risco. Grávida, ferida e injustamente acusada, Clary decide partir. Abandona tudo e todos, levando consigo apenas o amor por Sophy e o filho que carrega no ventre. Vai ao encontro da mãe, isolando-se em uma fazenda distante, protegida do mundo — e do homem por quem se apaixonou.
Leer másA DESPEDIDA
O celular vibrou na bancada de mármore branco enquanto Ellen ajeitava a alça do vestido e conferia o reflexo no espelho do closet. Ela ainda se encantava com os cabelos caindo sobre os ombros, o rosto levemente corado e os olhos brilhando de felicidade. — Oi, Halley, — atendeu sorrindo. — Eu ia te ligar irmã, como sempre, nosso time de gêmeas funcionando, adivinha...Tenho uma novidade pra te contar, estou tão feliz! — Ah, é? Então vamos almoçar juntas hoje, e você aproveita para me contar com detalhes, essa novidade que te trás felicidade? — Que tal aquele restaurante onde a gente sempre ia quando estava na faculdade? — Nossa, quanto tempo que não vamos lá não é? Me dá uns 40 minutinhos? A Sophie acabou de dormir, vou deixar tudo organizado com a governanta e vou te encontrar. — Te espero, irmã, não me faça comer sozinha, viu? — disse Halley, com uma risada doce demais. Ellen desligou o celular com um sorriso bobo nos lábios. Respirou fundo e acariciou a barriga quase imperceptível. Ainda não havia contado a ninguém, Halley, seria a primeira a saber sua descoberta, e Léo quando chegar, vai ter uma surpresa. Na verdade, nem fez o teste de sangue, fez o de farmácia. “Leonard vai surtar de felicidade...”, pensou, saindo do quarto em passos leves. Sophie estava dormindo, só iria a governanta para ficar de olho nela. — Doris, vou sair para almoçar com minha irmã, Halley, você pode ficar de olho na Sophie ? Ficarei no máximo duas horas fora, ela vai dormir até às 14horas , esse horário já estarei em casa. — Tudo bem, senhora, pode deixar que cuidamos da pequena. Ellen pegou a bolsa, desceu a escada com a graciosidade de quem vive um conto de fadas e entrou no carro estacionado na garagem. Ela mesmo gostava de dirigir. Dizia que era sua válvula de escape, mesmo que Leonard preferisse que ela andasse com segurança reforçada. Já Halley estava parada no restaurante, olhando impaciente para o relógio. Os minutos corriam lentos. Ela cruzou as pernas, pediu uma taça de vinho e discou um número salvo como “G”. Mal Halley desligou o celular, o sorriso em seu rosto perdeu a doçura que mantinha durante a conversa com a irmã. Com os dedos ágeis, ela acessou rapidamente a agenda de contatos e ligou para um número que nunca deveria constar em seu telefone, mas que, nos últimos dias, vinha sendo discado com frequência perigosa. — Greg? — disse em voz baixa, olhando ao redor para se certificar de que ninguém do restaurante a escutava. — Fala, o que foi agora?— respondeu ele, seco. — Fez o que eu pedi? — Tudo feito, soltei o carro com os freios ajustados como combinamos, ela não vai chegar até o restaurante . O coração de Halley acelerou, havia ensaiado aquele momento tantas vezes na cabeça que agora tudo parecia mecânico. — Tem certeza de que ninguém vai desconfiar? — Ela vai estar sozinha, e quando o laudo sair, vai ser dado como falha mecânica. Ninguém vai investigar freio de carro de madame que saiu apressada, confia em mim, nunca falhei com você. Halley sorriu, um sorriso discreto, mas que acendia em seus olhos um brilho frio e calculista. Ela respirou fundo, ajeitou os cabelos e respondeu com naturalidade: — Perfeito, me avisa se tiver qualquer novidade. Agora, deixe comigo, o show vai começar. Ela encerrou a ligação e pousou o celular sobre a mesa, ao lado da taça de suco de frutas vermelhas. Olhou para o relógio, faltava cinco minutos para o meio-dia. Exatamente na hora combinada, ela pegou o telefone novamente e ligou para Ellen, pronta para interpretar seu papel na tragédia que ela mesma havia arquitetado. — Você vai demorar para chegar Ellen, estou faminta? — Estou no cruzamento da Avenida Imperial, fica tranquila, estou bem perto, em dez minutos chego ai. — Ok.. vou pedir o almoço, o de sempre para você? — A voz de Halley se calou subitamente ao ouvir do outro lado um estrondo seco, metal contra metal, o som inconfundível de vidro estilhaçado... e um grito abafado: — Halley... Ai, meu Deus... E o silêncio. Halley afastou o telefone do ouvido devagar, com os olhos arregalados. Olhou ao redor, como se estivesse sendo observada, e levou a mão à boca, fingindo espanto, e chamou o garçom. — Por favor, um copo d’água, acho minha irmã... A algo aconteceu com ela. O celular vibrou outra vez, um número desconhecido. — Senhorita Halley? A senhora é irmã de Ellen Salazar? — Sim, quem fala por favor, algum problema? — Lamentamos informar, mas sua irmã sofreu um acidente de carro . Ela não resistiu aos ferimentos. Halley se levantou bruscamente. — O quê? Não! Ela estava vindo me encontrar... meu Deus, ela tem uma bebê... O marido dela está viajando, o que vai acontecer agora? — Precisamos que algum familiar vá até o Instituto Médico Legal para o reconhecimento. A senhora é a parente mais próxima? — Sou, mas ela é casada, preciso avisar ao esposo dela, o Leonard... ele precisa saber, meu Deus, ele está viajando, como ele vai reagir? Ela se afastou alguns passos, fingindo lágrimas, e em seguida discou para o cunhado. — Léo... sou eu, Halley, aconteceu um acidente com Ellen, preciso que você volte para casa agora, é uma tragédia. — O que houve? — A Ellen, ela sofreu um acidente, a caminho do restaurante, marcamos um almoço, eu estou no restaurante, e alguém me ligou. Ela... se foi, Léo. — O quê?! Não, pode ser, meu amor não pode ter partido, isso é um pesadelo... gritou Leonard do outro lado chorando. — Volta para casa, a Sophie precisa de você, eu... estou indo ao IML agora. Enquanto desligava, Halley caminhava com a expressão mais convincente que conseguia simular. Por dentro, no entanto, seu coração batia acelerado por outro motivo: o jogo tinha começado, e ela pretendia vencer. NO IML O ambiente era frio. O cheiro de desinfetante, misturado com algo metálico e indefinido, enchia o ar. Halley apertava os braços contra o corpo, tremendo levemente — uma mistura cuidadosamente encenada de choque e dor. — Senhora Halley Silver? — chamou o funcionário, aproximando-se com uma prancheta nas mãos. — A senhora é irmã de Ellen Silver Salazar? Ela assentiu com um nó na garganta e lágrimas falsas brotando nos olhos. — Sim… eu sou a irmã dela. — Meus sentimentos, a senhora é, até o momento, o parente mais próximo que conseguimos localizar, o marido da senhora Ellen foi contactado? — Eu avisei, ele está a caminho, estava viajando a negócios. — disse, afundando os dedos na bolsa como se tentasse conter o tremor. — Eles têm uma filha… a Sophie. O funcionário respirou fundo, com um olhar que se endureceu pelo costume de presenciar cenas como aquela. Ele fez um gesto com a cabeça. — Por aqui. Precisamos confirmar a identificação. É um procedimento padrão. Halley seguiu os passos do homem com passos lentos. As paredes brancas, os corredores gelados, as portas de metal... Tudo parecia saído de um pesadelo. Quando pararam diante de uma cortina cinza, ele falou: — Está preparada? Ela respirou fundo. Apertou os olhos e forçou uma lágrima solitária a escorrer pela face. — Sim. A cortina foi puxada com lentidão, Halley não precisou fingir por muito tempo. O choque de ver a irmã ali, imóvel, pálida, com o rosto parcialmente machucado pelo acidente, paralisou-a por um instante, aquela era Ellen, sua irmã e espelho, e também sua maior rival, que agora está aqui morta. Nenhuma dor ou arrependimento da parte dela — nem remorso, mas um misto de inveja mal resolvida com a imagem perfeita da mulher que agora jazia inerte. — É ela? — o funcionário perguntou. Halley deu um passo à frente, segurando o choro que agora era um misto de encenação e emoção verdadeira. — É…a minha irmã… — disse, a voz embargada. — Ela me ligou… minutos antes… disse que estava vindo me encontrar… Meu Deus… por quê? O funcionário anotou algo, e com gentileza, fechou a cortina. — Obrigado, pode aguardar na recepção? Vamos liberar o corpo assim que o marido dela chegar e autorizar os trâmites. Halley assentiu, secando os olhos com um lenço que puxou da bolsa. Saiu do corredor e foi até o banheiro mais próximo, assim que entrou, trancou a porta da cabine, encostou-se na parede de azulejos frios… e respirou fundo. Pegou o celular do bolso, desbloqueou rapidamente e ligou. — Greg. — E aí? — Vi com meus próprios olhos, ela está morta, — disse em voz baixa, fria. — Bom trabalho, vou depositar o restante do dinheiro, como sempre competente. — Eu te disse, os freios cortados, vai dar perda total, ninguém vai suspeitar de nada. Não é a primeira vez que você me contrata, nunca falhei. Ela sorriu sozinha. — O carro bateu bem perto do cruzamento, como eu queria. E o bebê não estava com ela, perfeito. Só falta agora o Leo voltar e o palco está montado. — Você vai conseguir mesmo? — Agora ela está fora do meu caminho, a Sophie é pequena demais. E Leo vai precisar de ajuda e apoio de uma pessoa confiável, e quem melhor do que a cunhada dedicada e amorosa? — Você é má. — Eu sou inteligente, esse lugar era para ser meu, e agora... é só questão de tempo, vou consolar o viúvo. Ela desligou, ajeitou a maquiagem, olhou-se no espelho e murmurou com um meio sorriso: — Hora de encorporando o papel da irmã inconsolável.Era um sentimento que ele não estava pronto para enfrentar.— O silêncio da noite envolvia a fazenda como um pesado cobertor, abafando até os sons mais sutis. A tranquilidade que geralmente reinava ali parecia ter se dissipado, dando lugar a um ar de tensão quase palpável. — Clary entrou no quarto de Sophie, com os ombros carregados e o coração batendo acelerado, cada batida ecoando a urgência de seu estado emocional. A conversa que ouvira na varanda ainda ecoava em sua mente, como um eco persistente que não a deixava em paz: Halley, ao telefone, falava em segredo, mencionando que "a isca já estava por perto", uma frase críptica que parecia carregar um significado mais profundo e aterrador, algo que ela não conseguia decifrar naquele momento.— Minutos antes, o que havia compartilhado com sua mãe, Lucy, a forçava a buscar um pouco de calma, mas a ansiedade que a consumia a fazia sentir-se como se estivesse à beira de um abismo.Assim que a
OLHOS ABERTOSDesde nossa chegada à fazenda, algo dentro de mim nunca se acalmou.— Não era medo nem desespero; era um alerta constante, como um farol aceso em uma noite escura, indicando que algo estava errado.— A atmosfera ao redor do casarão, antigas paredes repletas de histórias sussurradas e segredos esquecidos, parecia pulsar com uma energia inquietante, quase como se o lugar ainda abrigasse os ecos de eventos passados. Para proteger Sophie, redobrei os cuidados: mantive um banho rigorosamente no horário, preparando cada gota como se fosse uma armadilha delicada contra o desconhecido. — Preparei seu lanche no quarto, com o mesmo zelo que um chef dedica a uma receita especial, escolhendo as frutas mais frescas e os petiscos preferidos, tudo para garantir que ela estivesse confortável. Organizei os brinquedos de maneira metódica, alinhando-os em uma ordem que não apenas mantinha a ordem, mas também criava uma sensação de segurança dentro
Subi as escadas, sentindo o calor antigo daquele lugar, um calor que carregava a essência da história familiar, como se cada passo me conectasse a memórias passadas. O rancho, com suas paredes revestidas de fotografias desbotadas e móveis polidos pelo tempo, guardava ecos de Ellen em cada canto, lembranças que sussurrava sobre o que fora e sobre o que ainda poderia ser. —No entanto, minha mente estava imersa em algo mais perturbador: Halley. Ao passar pelo corredor do segundo andar, avistei Lucy saindo do quarto onde Clary estava com Sophie. — Ela mantinha a porta entreaberta, à espera, como uma sentinela atenta em meio a uma vigilância silenciosa, sua postura ereta denotando a seriedade do momento.— Senhor Robert — saudou-me, direta, com a familiaridade de quem está sempre atenta ao que ocorre à sua volta, sua voz carregando um tom quase maternal. — Tudo em ordem, o senhor está pensativo?Assenti, mas meu semblante denunciava um
SURPRESAS INDESEJADA O sol ainda não começava a queimar intensamente quando o helicóptero pousou suavemente na clareira ao lado do estábulo principal, pairando por um breve momento antes de tocar o chão.— O vento das hélices levantava um redemoinho de poeira fina e folhas secas, criando uma atmosfera quase mágica ao nosso redor, como se o ar estivesse carregado de expectativas.— Enquanto eu segurava Sophie nos meus braços, cobrindo seu rostinho com a minha mão para proteger dos vestígios do movimento, sentia a energia vibrante daquele lugar especial. "Cuidado ao descer, Clary", disse Robert, estendendo uma mão firme para nos ajudar, sua voz ecoando um tom de proteção familiar.— Assenti com um leve sorriso, deixando que a tensão se dissipa um pouco; ao fundo, sentia Lucy logo atrás, atenta aos nossos passos, sua presença tranquilizadora me lembrando da força que tínhamos como grupo.Assim que os motores silenciaram e a poeira sentou, avis
OS PLANOS PARA O FINAL DE SEMANA. A brisa suave do fim da tarde entrava no escritório, trazendo o perfume vibrante das flores que Clary havia colhido mais cedo no jardim com Sophie, onde elas dançaram entre risadas e brincadeiras. Meu olhar se fixou em uma escultura de madeira sobre a mesa — um cavalo feito à mão, meticulosamente esculpido. — Era uma lembrança carinhosa dos verões passados na fazenda da minha família, quando Ellen ainda estava conosco, trazendo alegria à minha vida. Nesse instante, uma onda de saudade me atingiu de maneira diferente, como se o tempo se distorceu, trazendo de volta as risadas infantis e as histórias contadas sob as estrelas.— Sentia uma nostalgia reconfortante; a sensação daquele lar perdido ainda ecoando em cada canto da minha memória. Era como se o solo, as árvores e o silêncio da fazenda fossem guardiões de segredos e momentos especiais, implorando pela presença da minha filha, como uma mãe que ch
O fim de tarde se aproximava lentamente, como se o sol hesitasse em se despedir. — Longas sombras dançavam suavemente pelo chão, enquanto as cores quentes do crepúsculo invadiam cada canto da casa. — Havia saído mais cedo do trabalho — algo raro para mim, especialmente em semanas tão atribuladas — mas, naquele dia, uma força inexplicável me chamava de volta para casa. Era como se eu estivesse sendo guiado por um fio invisível de saudade e antecipação.— Assim que estacionei na garagem, a suave risada de Sophie chegou até mim antes mesmo de eu abrir a porta da sala, um som puro e alegre que me abraçou calorosamente, prometendo momentos de felicidade.Com cautela, subi os degraus, quase sem fazer barulho, tentando preservar aquela sensação de expectativa.— Meu coração batia mais rápido, como se estivesse sutilmente alertando para algo extraordinário prestes a acontecer, mesmo sem eu saber o que era.Ao chegar ao corredor do andar de cima, pau
Último capítulo