Capítulo 31
Dante Guimarães
Leo adormeceu agarrado no pescoço dela.
Foi rápido demais. Natural demais.
Instintivo, como se o corpo dele tivesse reconhecido o lugar onde sempre deveria ter dormido.
Eu fiquei observando em silêncio enquanto Helena o ajeitava na cama, fazendo carinho no cabelo dele com uma delicadeza que eu nunca vi nela nem quando tentava esconder as próprias rachaduras.
Era como se o DNA gritasse.
Como se a alma dele chamasse pela dela.
E, pela primeira vez na vida, eu senti inveja de algo puro.
Helena se inclinou, beijou a testa dele devagar.
E eu juro que o mundo pareceu desacelerar.
— Ele confiou em mim… — ela sussurrou, com a voz rouca, perdida entre o choque e o amor. — Ele confiou em mim sem nem saber que… que sou eu…
Eu encostei no batente da porta, sem saber o que fazer com o aperto no peito.
— Ele sente — respondi. — O corpo sabe antes da mente.
Ela me olhou, os olhos vermelhos, molhados, lindos de um jeito que me destruía.
E eu senti algo perigoso se mover de