Mundo de ficçãoIniciar sessãoSerá que até os monstros podem amar… sem destruir tudo ao redor? Anderson Silveira aprendeu cedo que alguns sentimentos, quando expostos, podem virar armas contra quem os carrega. No ensino médio, ao confessar seu amor por Samanta Palmer, a garota ruiva que parecia iluminar corredores inteiros — ele foi exposto, ridicularizado e quebrado diante de todos. A humilhação deixou marcas profundas, e algo dentro dele mudou completamente. A partir daquele dia, Anderson deixou de ser apenas um garoto tímido. Nas sombras do próprio peito, nasceu um monstro feito de raiva silenciosa, de impulsos que ele não compreendia e de uma escuridão que jamais pediu para sentir. Anos depois, ele se tornou um homem disciplinado, respeitado e aparentemente em equilíbrio. Mas o passado, quando não é curado, apenas se disfarça. E o dele estava prestes a bater novamente à sua porta — na forma de Samanta. O reencontro deles reacende tudo o que ambos lutaram para enterrar. Agora, os dois precisam atravessar suas sombras, enfrentar o que se tornaram e decidir se é possível construir algo onde antes só havia ruína. Porque às vezes, amar não é sobre luz. Às vezes, é sobre reconhecer a escuridão que existe em cada um — e, mesmo assim, permanecer.
Ler maisO corredor parecia longo demais quando Samanta foi deixada sozinha. O som distante dos monitores cardíacos ecoava como um lembrete cruel de que, naquele exato momento, a vida de Anderson ainda estava por um fio, e ela não podia fazer absolutamente nada. Encostou a testa na parede fria, fechando os olhos com força. Respirou. Uma, duas, três vezes. O silêncio quase insuportável era algo que a residente reconhecia, como se a situação seguisse um roteiro impecável escrito pelo roteirista mais qualificado dos estúdios de Hollywood. Minutos se arrastaram como horas, até que passos apressados quebraram a imobilidade. Ao se deparar com o indivíduo que havia rompido o silêncio do ambiente, a doutora Palmer pousou os olhos azuis sobre a jovem que trajava um vestido de noiva. Ela estava visivelmente atordoada, como se tivesse despertado em um lugar totalmente desconhecido. Duas enfermeiras a seguiam de perto, ambas tentando, de forma inútil, conter o avanço repentino. A fisionomia da noiva
A chefe de cirurgia insistia pela terceira vez para a doutora Palmer ir para casa descansar, visto que o plantão da ruiva havia terminado horas antes. Porém, estava fora de cogitação para Samanta se afastar do caso de Anderson e da pequena Elize, com quem havia tido um rápido e inesperadamente divertido contato minutos antes. Apesar das incontestáveis semelhanças físicas entre pai e filha, o jeito espontâneo da garotinha era algo que os diferenciava de imediato.— Então, se não vai atender ao meu pedido, ao menos tome um banho — reforçou Helena, cruzando os braços.— Agradeço muito pela preocupação, mas não irei descansar sem…— Saber o estado do grande amor da sua vida — completou a chefe, arqueando uma sobrancelha.Samanta confirmou, sentindo o rosto esquentar.— Por favor, sem exageros. O paciente é apenas alguém que foi muito importante para mim — rebateu um pouco envergonhada por tran
A chuva caía pesada sobre o asfalto, transformando a estrada em um trajeto trêmulo de luzes vermelhas e azuis. Dentro da ambulância, o cheiro de combustível e metal molhado misturava-se ao som insistente da sirene. O socorrista Leandro, um profissional conhecido entre os colegas por fazer piadas até em meio ao caos, segurava o rádio com uma das mãos enquanto ajustava o curativo da vítima inconsciente.— Central, aqui é a Alfa 23 — anunciou, com um sorriso cansado no canto da boca. — Solicito linha com o Hospital St. Mônica e, se não for pedir muito, um café forte na recepção. A noite tá longa demais pra ser vivida com sono.O rádio chiou, e uma voz feminina respondeu com clareza e firmeza cirúrgica:— Hospital Municipal, residente chefe Samanta Palmer na escuta. Pode prosseguir, Alfa 23.Leadro soltou um suspiro de alívio.— Ah, doutora Palmer! Sempre bom ouvir a voz mais séria do turno noturno. Seguinte: colisão de picape com tronco de árvore. Estrada molhada, visibilidade zero.— Qu
O adolescente se acomodou na mesa perto da janela do refeitório, onde a luz suave da tarde iluminava seu rosto, que estava em um estado de profundo "pensamento existencial". Ele observava as pessoas ao seu redor, cada uma afundada em suas conversas e risadas, criando um contraste perfeito com a inquietação que morava em seu peito, como um hóspede não convidado. Na frente dele, estava Manuela Miller, sua fiel companheira de todas as horas. Ela, por sua vez, parecia perdida no universo paralelo de seus próprios pensamentos, na medida em que brincava com as ervilhas no prato, construindo pirâmides minúsculas e as derrubando com a precisão de um cientista maluco. "O que será que ela está pensando?", Anderson se perguntava, mas logo se viu perdido em um dilema ainda maior: como dizer para a amiga que estava completamente obcecado pela garota ruiva, a qual semanas atrás nutria um ódio mortal? Uma questão de tamanha relevância que até as pirâmides de ervilhas pareciam mais simples. — Andy, v
Desde que o professor de Geografia uniu os adolescentes para o trabalho em dupla, eles encontraram formas de se ver sempre que a oportunidade surgia. No início, encontros eram simples, apenas para discutir mapas e apresentar ideias, mas rapidamente esses encontros se transformaram em momentos de diversões e descoberta, onde as horas passavam sem que eles percebessem. Era como se cada conversa fosse uma chance que o destino dava para os adolescentes se aproximarem. Ora passavam um tempo juntos, rindo alto e trocando confidências, ora debatiam sobre os mais variados assuntos, desde as tarefas escolares até os sonhos e medos que residiam em seus corações adolescentes. Todavia, sutilmente, Samanta sempre tomava a iniciativa para combinar os encontros às escondidas, esperando que Anderson se deixasse levar por seu magnetismo. Ela precisava daquele tempo, daquelas conversas que pareciam fazer o mundo externo desaparecer. Contudo, mesmo que as ideias de Samanta fossem românticas, era Ande
No colégio Alencar, a chegada do adolescente nordestino era algo que causava mais pânico do que uma prova surpresa de matemática. A fama de seu temperamento explosivo durante o baile de primavera ainda ecoava pelos corredores, fazendo com que os alunos o vissem como uma espécie de ícone de medo. Mas, a verdade é que o adolescente apenas queria ser deixado em paz e talvez encontrar um pouco de diversão entre seus colegas. Contudo, ao passar pelo pátio, todos desviavam o olhar como se ele carregasse um bicho-papão escondido sob a mochila. Mas, como o destino adora pregar peças, o que ele encontrou foi Manuela, sua amiga de infância, sendo importunada por alguns valentões do sétimo ano. — Está tudo bem por aqui? — perguntou ele, se colocando atrás dos alunos, que na ocasião um deles puxava os cabelos dela. Porém, ao reconhecerem a voz de Anderson, os valentões fugiram como se tivessem visto um fantasma. Manuela, aliviada, deu um abraço forte nele. Enquanto isso, do outro lado do pát
Último capítulo