Mundo de ficçãoIniciar sessãoSophia Gardner Reynolds era a esposa perfeita do bilionário Alexander Reynolds, mas por trás da fachada de luxo e glamour, vivia um pesadelo. Presa em um casamento abusivo com um homem controlador e poderoso, ela tentou fugir diversas vezes levando seu filho Benjamin de 5 anos, mas Alexander sempre a encontrava. Desesperada e sem apoio da própria família que se beneficiava dessa união, Sophia traçou um plano ousado: mudar completamente de rosto, infiltrar-se como babá na própria casa e descobrir os segredos obscuros da família Reynolds para finalmente conseguir a guarda de seu filho e destruir o império de mentiras do marido. Mas algo deu terrivelmente errado. Após a cirurgia arriscada realizada pelo Dr. Ethan Harper, Sophia acorda sem memória alguma. Ela não sabe quem é, não lembra do filho que tanto ama, nem do plano meticuloso que havia arquitetado. Agora, com uma nova identidade como Elena Morgan e uma beleza ainda mais deslumbrante, ela recebe uma ligação que pode ser sua única pista: foi aprovada para trabalhar como babá em uma mansão luxuosa. Sem saber que está voltando para sua própria casa e que cuidará do próprio filho, Sophia precisa reconstruir sua vida do zero enquanto perigosos segredos começam a emergir. Entre o médico gentil que se apaixonou por ela e o marido cruel que ela não consegue lembrar, ela descobrirá que algumas verdades são mortais.
Ler maisSophia / Elena
Abri os olhos devagar, a luz branca do teto me cegando por alguns segundos, piscuei repetidas vezes tentando focar a visão, senti minha cabeça pesada, como se estivesse cheia de algodão, uma pressão estranha na testa, nas têmporas, tentei me mexer mas meu corpo não respondia direito, estava fraca, muito fraca, cada músculo parecia pesar toneladas, ouvi um barulho de passos apressados e então vi um rosto masculino se aproximar, olhos azuis claros me observavam com uma mistura de alívio e preocupação intensa, ele era bonito, loiro com cabelos levemente desalinhados, alto, vestia jaleco branco impecável, um médico provavelmente, mas quem era ele, por que eu estava ali, o que tinha acontecido comigo.
Tentei falar mas minha garganta doía como se tivesse engolido cacos de vidro, a voz que saiu não parecia minha, rouca, diferente, estranha, assustadoramente desconhecida, era como ouvir uma gravação distorcida de alguém que eu não conhecia.
— Calma, não force, você acabou de acordar — ele disse suavemente, colocando a mão no meu ombro com delicadeza, sua voz era quente, reconfortante, havia algo genuinamente preocupado naquele toque, mas ao mesmo tempo tudo me parecia estranho, desconhecido, como se eu estivesse vendo o mundo pela primeira vez através de olhos que não eram meus.
— Onde... onde estou? — consegui sussurrar, cada palavra era um esforço monumental, minha língua parecia pesada demais na boca.
— No meu consultório particular, você está segura, prometo — respondeu ele, sentando na beirada da maca hospitalar, seus olhos não saíam dos meus, como se estivesse procurando por algo específico, verificando alguma coisa importante, estudando cada mínima reação minha — Sou o Dr. Ethan Harper, você passou por uma cirurgia há algumas horas, lembra de alguma coisa?
Cirurgia, a palavra ecoou na minha mente vazia como um grito em um abismo sem fim, procurei desesperadamente por lembranças, qualquer coisa, qualquer fragmento de memória, mas havia apenas um vazio assustador, aterrorizante, um buraco negro gigantesco onde deveria existir uma vida inteira de experiências, rostos, lugares, momentos, tentei me concentrar, forçar a memória a funcionar, mas nada, absolutamente nada vinha, era como tentar agarrar fumaça com as mãos.
— Eu... não... não lembro — admiti com a voz tremendo, sentindo o pânico começar a subir pela minha garganta como uma onda gelada, meu coração disparou descontroladamente, o monitor ao lado apitou mais rápido acompanhando minha angústia crescente — Não lembro de nada, quem sou eu, por que fiz uma cirurgia, o que aconteceu comigo, por favor me diga o que está acontecendo.
Vi o rosto dele mudar, a preocupação se intensificando, ele pegou minha mão cuidadosamente, verificou meu pulso enquanto olhava para o monitor cardíaco, sua mandíbula se contraiu levemente, estava claramente tentando manter a calma por mim.
— Respire fundo, devagar, está tudo bem, vamos descobrir juntos o que está acontecendo — ele disse com voz firme mas gentil, profissional mas carregada de compaixão genuína — Você lembra do seu nome, consegue me dizer como se chama?
Meu nome, pensei freneticamente, tentando buscar essa informação básica, fundamental, algo tão simples quanto o próprio nome deveria estar ali, na ponta da língua, mas havia apenas o vazio aterrorizante, o nada absoluto, comecei a tremer, lágrimas queimando meus olhos.
— Não sei — sussurrei quebrada — Eu não sei meu próprio nome, não sei quem eu sou, não lembro de nada, é como se eu tivesse acabado de nascer agora, não existe nada antes de abrir os olhos aqui.
Dr. Ethan fechou os olhos por um momento, respirou fundo, quando os abriu novamente havia determinação misturada com algo que parecia culpa, como se de alguma forma ele se sentisse responsável pelo que estava acontecendo comigo.
— Seu nome é Elena, Elena Morgan — ele disse cuidadosamente, observando minha reação — Pelo menos é o nome que você me deu quando nos conhecemos, você veio até mim pedindo ajuda, estava desesperada, com medo, disse que precisava mudar de rosto, que havia pessoas perigosas te perseguindo.
Elena Morgan, repeti mentalmente o nome, esperando que despertasse alguma coisa, algum reconhecimento, mas continuava sendo apenas um nome estranho, vazio de significado, de história, de vida.
— Mudar de rosto? — perguntei confusa, minha voz falhando — Por que eu faria isso, quem estava me perseguindo, o que aconteceu?
— Você não quis me contar detalhes, disse que quanto menos eu soubesse mais seguro seria para mim — ele explicou, passando a mão pelos cabelos loiros evidentemente frustrado consigo mesmo — Eu não deveria ter concordado, foi arriscado demais, irresponsável, mas você estava tão desesperada, tão assustada, e então quando vi aquelas pessoas tentando te machucar decidi que precisava ajudar.
— Pessoas tentando me machucar? — repeti sentindo o medo apertar meu peito — Quem, por quê?
— Não sei exatamente quem eram, mas te encontrei ferida, alguém havia tentado te matar — ele disse com voz tensa — Foi quando decidi fazer a cirurgia, te ajudar a desaparecer como você queria, mas houve complicações durante o procedimento.
Complicações, a palavra soou sinistra, pesada de consequências não ditas.
— Que tipo de complicações? — forcei as palavras para fora.
Ethan hesitou visivelmente, claramente não querendo me assustar mais, mas sabendo que eu merecia a verdade.
— Seu coração parou duas vezes na mesa de cirurgia — admitiu finalmente com voz baixa carregada de emoção contida — Consegui te reanimar, mas fiquei aterrorizado achando que te perderia, e agora essa amnésia... deve ser sequela da falta de oxigenação cerebral durante as paradas, eu sinto muito, nunca quis que isso acontecesse.
Duas paradas cardíacas, tentei processar a informação chocante, eu tinha morrido duas vezes, voltado, e agora estava aqui sem saber quem era, era aterrorizante e surreal demais para absorver.
— Então eu realmente não sei nada sobre mim mesma — murmurei mais para mim do que para ele — Não sei de onde vim, não sei por que estava fugindo, não sei quem queria me matar, é como se Elena Morgan não existisse de verdade.
— Vamos descobrir — Ethan prometeu apertando suavemente minha mão — Você está segura aqui, eu vou te ajudar a recuperar sua memória, a reconstruir sua vida, não está sozinha nisso.
Olhei para aquele homem, aquele médico gentil de olhos azuis claros cheios de determinação e compaixão, e me perguntei quem eu era antes de tudo isso, que vida tinha vivido, que segredos carregava, e principalmente, quem me queria morta o suficiente para eu decidir mudar completamente de rosto e desaparecer.
Sophia / ElenaDuas semanas depois, sábado à tarde, a mansão Reynolds tava transformada. O jardim decorado com balões vermelhos e dourados, faixas dos Vingadores, um castelo inflável gigante com tema de super-heróis, mesas cheias de doces e salgados.A festa de sete anos do Ben.Decidimos fazer na mansão porque ia ter que convidar a família do Alexander de qualquer jeito, e o jardim era perfeito pra vinte crianças correrem e brincarem.Cheguei uma hora depois que a festa come
Sophia / ElenaDepois do café da manhã — panquecas levemente queimadas que o Ben adorou —, a gente se acomodou na sala. Eu e o Alexander no sofá, o Ben entre nós, ainda de pijama.— Ben — Alexander começou, bagunçando o cabelo do filho. — A gente precisa conversar sobre uma coisa importante.Ben olhou pra ele, curioso.— O quê?— Seu aniversário — disse, sorrindo. — Você vai fazer sete anos daqui a algumas semanas.Os olhos do Ben se iluminaram.— Vou! — disse animado. — Vou fazer sete!— E a gente queria saber — continuei, passando a mão nas costas dele — que tipo de festa você quer. Qual o tema?Ben ficou pensativo, o rostinho concentrado.— Posso escolher qualquer tema? — perguntou.— Qualquer — Alexander confirmou. — Desde que seja possível fazer, claro.— Hm... — Ben mordeu o lábio, pensando. — Super-heróis?— Qual super-herói? — perguntei. — Tem algum favorito?— Os Vingadores! — ele disse, pulando no sofá. — Homem de Ferro, Capitão América, Thor, Hulk... todos!— Vingadores — A
Sophia / ElenaAcordei às sete da manhã me sentindo renovada. Pela primeira vez em semanas, tinha dormido a noite inteira. Oito horas seguidas. Sem interrupções. Sem pesadelos. Só sono profundo e reparador.Me espreguicei, o corpo descansado, cheio de energia.Virei de lado. Alexander tava dormindo ao meu lado, deitado de costas, o lençol cobrindo só até a cintura, o peito nu subindo e descendo no ritmo tranquilo da respiração.E claro, a ereção matinal óbvia debaixo do lençol fino.Sorri. Ele tinha se comportado ontem à noite. Tínhamos dormido abraçados, sem sexo, só carinho. Por mim. Pelo bebê.Mas agora era de manhã. E eu tava cheia de energia.Deslizei a mão por baixo do lençol, encontrando a dureza dele, envolvendo com os dedos.Ele gemeu baixinho, ainda dormindo, os quadris se movendo instintivamente contra minha mão.Continuei, apertando, deslizando devagar.— Elena... — ele murmurou, ainda de olhos fechados.— Bom dia — sussurrei, beijando o pescoço dele.Os olhos dele se abri
Sophia / ElenaA tarde passou voando. Depois do almoço, joguei videogame com o Ben por horas. Ele me ensinou como jogar, ria quando eu errava, comemorava quando eu acertava. Depois vimos desenhos, comemos pipoca, e quando deu seis da tarde, pedi pizza pra todo mundo.A Victoria ficou o dia todo, conversando, rindo, apenas curtindo estar ali com a gente.Mas às oito da noite, ela se levantou do sofá, bocejando.— Preciso ir — disse, pe
Sophia / ElenaChegamos no apartamento era uma e pouco da tarde, quase duas horas. Abri a porta, o cheiro de comida deliciosa invadindo meu nariz na hora.— Que cheiro bom — Victoria disse atrás de mim, entrando com as sacolas.— Papai! Elena! Madrinha! — Ben gritou da sala, pausando o videogame e correndo até a gente.— Oi, meu amor — disse, largando as sacolas e abrindo os braços pra ele.Ele
Sophia / ElenaO shopping tava lotado pra um sábado de manhã. Eu e a Victoria caminhávamos devagar, olhando vitrines de lojas de bebê, comentando sobre tudo.— Olha essa roupinha — Victoria disse, apontando pra um macacão rosa com orelhinhas. — Se for menina, preciso comprar.— Tá muito fofa — concordei, sorrindo.Entramos na loja. Tinha berços, carrinhos, roupinhas minúsculas de todos os tipos. Victoria ia pegando coisas, mostrando, comentando animada.<










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